Causo da geladeira

Causo da geladeira

Hoje em dia o povo reclama muito da vida, mas de primeiro é que a “porca torcia o rabo”. O trem era feio, a situação era de encardir.

Na hora de ir dormir a minha mãe, a saudosa Angélica do Couto, corria na cama dos meninos para poder nos ensinar a rezar. Ela “botava” a gente ajoelhado, e ali nós começávamos a rezar e cochilar na cabeceira da cama.

E nós falávamos com a minha mãe: Mamãe, a gente não pode deitar?

Ela respondia: Não pode, senão vocês vão acabar cochilando e não vão rezar. Depois a gente deitava e todo dia ela tinha que contar uma historinha da vida dela, de quando era mocinha e do meu pai também. Assim era nossa vida, tanto na roça, na comunidade do Abreu, quanto na cidade, quando mudamos para o Beco do Acácio.

Mas o tempo foi passando e os recursos foram chegando, a água encanada e a energia elétrica começaram a fazer parte de nossas vidas.

Com a chegada da energia elétrica, as coisas eram difíceis mesmo, então,  um dos vizinhos, o saudoso Tito Gulau, resolveu comprar uma geladeira. Era melhor de vida, já fazia uns “trambique” e fazia foguetes também. Ele, a Lili, sua esposa, filha do saudoso seu Acácio, o Jairo, o Joel e a Jane compram a geladeira, mas essa história foi engraçada demais!

A vizinhança ia lá para conhecer a geladeira, uns acharam que era guarda- roupa, outros achavam esquisito porque era gelado demais.

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Eu lembro que a dona Lili falou que poderia colocar feijão e deixar vários dias, leite e até carne se tivesse condições de comprar, e a gente comia carne só no domingo, mas volta e meia comprava para o dia a dia ou matava um porquinho. Engordava um leitãozinho, todo mundo juntava lavagem para ajudar na engorda do porquinho e no dia de matar o animal cada um ganhava um pouquinho de carne. Era a hora de pedir a Lili do Tito para guardar a carne na geladeira.

Os vizinhos começaram a pedir para guardar carne e feijão. Agora imagina guardar carne para os outros e não poder comer.

Certa vez já era tarde da noite, o vizinho resolveu comer carne e foi lá na casa do Tito buscar a carne que ele tinha deixado na geladeira. E ele já tinha dormido, e ele acordou falando: Que isso gente? Vocês me acordando para pegar carne aqui na minha geladeira? Eu vou é comer essa carne toda. Não vai ter carne para ninguém, não vai ter feijão, amanhã a gente vai reunir e comer esses “trem” de vocês aqui.

Virou um reboliço danado. E foi aquela “munha” até que uns e outros conseguiram comprar a geladeira, mas era uma “pitimba” danada.

Hoje cada um tem seu eletrodoméstico e tem até vários.  Na nossa época era essa situação difícil demais!

José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM E- mail: bandeirantes@isimples.com.br
José Antônio – Locutor da rádio Samonte FM
E- mail: bandeirantes@isimples.com.br

 

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