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A importância econômica da Biosev para Lagoa da Prata é inegável. São gerados 1.500 empregos diretos. A empresa pagou de janeiro a outubro deste ano 26 milhões de reais em salários. Foram mais de 2,5 milhões de reais por mês injetados na economia do município. Por outro lado, a indústria da cana tem uma dívida enorme com a população. Ao longo de sua história, provocou o maior dano ambiental de toda a extensão do Rio São Francisco, drenou dezenas de lagoas para beneficiar o plantio de cana. A maior lagoa, a do Brejão, tinha o tamanho de 295 campos de futebol.

Ao contrário de outras grandes empresas, a Biosev tem uma participação social ínfima, se comparada ao seu potencial. Além disso, de acordo com um dirigente da Apae, não abriu vagas em seu quadro de funcionários
para pessoas com deficiência e também rejeitou o programa Menor Aprendiz, que oferece oportunidade de qualificação e trabalho a jovens e adolescentes que procuram o primeiro emprego.

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Se o projeto apresentado pelo vereador Adriano Moraes para proibir o lançamento da vinhaça foi criticado pela falta de consistência técnica, pelo menos serviu para um propósito: alertar a direção da empresa de que a comunidade deseja, além de trabalho e renda (o que é extremamente essencial), diálogo, transparência e qualidade de vida.

O superintendente da Biosev, Leandro Kasper, reconheceu que falta diálogo por parte da empresa e planeja uma nova estratégia de relacionamento com a comunidade. Isso é um bom sinal. E que a teoria se torne uma
prática cotidiana. Lagoa da Prata reconhece o valor da empresa. E os executivos precisam entender que a razão social da Biosev S.A não representa apenas a nomenclatura formal do contrato da empresa, mas sim, uma razão social para a qual a mesma deve existir.

 

“HOJE VOTO CONTRA” 

“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Essa frase é de Albert Einstein, o autor da Teoria da Relatividade. Mudar de opinião, ser convencido de que existe um argumento melhor, é uma virtude.

Isto posto, espera-se que o homem e a mulher que ocupam cargos públicos, principalmente os eletivos, tenham sabedoria e consistência em seus posicionamentos. E exerçam o seu ofício com seriedade e distinção.

Durante a primeira votação do projeto polêmico que pretendia proibir o lançamento de vinhoto nos canaviais, cinco vereadores votaram favoráveis ao texto sem ao menos apresentarem a sua argumentação com relação à matéria. São eles: Adriano Moreira, Nego da Ambulância, Edmar Nunes, Di-Gianne e Quelli Cássia Couto. Apenas o autor da iniciativa, Adriano Moraes, defendeu a sua tese.

Quando um vereador vota determinado projeto, nós, cidadãos, esperamos que ele tenha estudado a matéria, avaliado os pontos positivos e negativos, para então se posicionar.
Mas não é isso que acontece.

Durante a segunda votação do projeto, o vereador Iraci Antônio dos Santos (Nego da Ambulância) afirmou: “Hoje eu tive a oportunidade de conversar com técnicos da área e me disseram que a vinhaça não provoca câncer”. Ora, vereador! Porque somente na segunda votação o senhor foi estudar a matéria que estava sendo analisada?
O questionamento vale para os outros quatro vereadores e dá margem ao cidadão de questionar se, em alguns momentos, as decisões deles devam ser levadas a sério.

Considerando que não houve alteração no texto do projeto entre as duas votações, e considerando que na primeira votação o plenário estava vazio e não tinha 300 funcionários da empresa a pressionar, fica a pergunta:

– Os senhores não deveriam ter estudado a matéria antes da primeira votação para então se
posicionarem?

– Quem nos garante se o plenário da Câmara estivesse vazio na segunda votação, o projeto não seria aprovado, sem ressalvas, como na primeira votação?

Para finalizar, acreditamos que esse impasse foi importante para abrir os olhos dos executivos da empresa com relação à necessidade do diálogo com a comunidade. Também acreditamos que, se aprovado, o projeto poderia dificultar os trabalhos da empresa ao ponto de torná-la inviável.

Mas fica a dica aos vereadores que mudaram de opinião. Se tivessem estudado o projeto antes da primeira votação, se tivessem se aprofundado sobre as especificidades da vinhaça, essa polêmica toda não tinha vindo à tona.
OBS: Às vezes as votações são levadas tão a sério que nesta legislatura já teve uma situação em que um vereador discursou favorável a um determinado projeto e, logo em seguida, votou contra o mesmo. Ele foi alertado pelos colegas e aprovou o texto.

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Juliano Rossi é jornalista, músico e escrevinhador. Atualmente, dirige e edita o Jornal da Cidade.

 

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