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Flávia de Castro Silva – CRP 04/45856 Psicóloga e atende no Espaço Crescer/ Maria Bruna Mota Pereira – CRP 04/45107 Psicóloga e atende na Clínica Reabilitar e ASAP
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Você sabe diferenciar depressão de tristeza? Será que toda tristeza é depressão? Para responder a essas perguntas é preciso entender um pouco mais no que consiste a depressão.

A depressão é tratada pela psiquiatria como um transtorno de humor, que se caracteriza pelo rebaixamento da energia psíquica, comprometendo a vida social e laboral do sujeito. Traz em suas causas fatores biológicos e químicos, sendo que a alteração de neurotransmissores ligados ao estado de ânimo, como serotonina, dopamina e noradrenalina, pode afetar as emoções. Fatores genéticos também influenciam no desenvolvimento de uma depressão. Assim, a psiquiatria toma a depressão como um sintoma, um transtorno a ser tratado.

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Por sua vez, a psicanálise irá dizer que a depressão é uma caraterística do sujeito, um modo deste se posicionar frente os acasos e perda da vida. Quinet, um importante psiquiatra e psicanalista, diz que a depressão é um estado de dor, tristeza e falta de vontade, que pode esconder afetos e questões ainda mais profundas. Lacan, que foi um notável psicanalista francês, aponta que a depressão é uma dor que aparece quando o sujeito foge do seu desejo. Outros estudiosos afirmam que a depressão é uma forma de as pessoas lidarem com o cenário atual, ou seja, as novas exigências dos dias de hoje: desemprego, sucesso no trabalho, avanço tecnológico, individualismo… Desta forma, a psicanálise e a psicologia entendem que a depressão nem sempre é uma condição de adoecimento. Isso irá depender de cada sujeito.

Certamente, depressão é diferente de tristeza. Tristeza é um sentimento, uma emoção que se experimenta diante da quebra de expectativas, notícias ruins, contratempos do dia a dia. A depressão pode significar, em algumas situações, uma doença. Mas a tristeza não. Já a tristeza é uma reação normal frente a vários momentos e acontecimentos.

Até aqui, é possível notar diferenças na forma de abordar a depressão, e que esta é diferente das tristezas do cotidiano. Mas, se nem sempre é uma condição de adoecimento, como saber qual é o momento de prestar mais atenção?

Entendemos que depressão não é sinônimo de tristeza. A tristeza pode ocorrer por vários motivos, como, o término de um namoro, o falecimento de um ente querido, um adoecimento, dentre outras situações. O sentimento de tristeza nesses períodos é normal, até mesmo porque é necessário sofrer para elaborar a situação vivenciada.

Já o aspecto da pessoa com depressão pode ser de tristeza, mas não é esse aspecto que determina o transtorno. Existem vários outros sintomas atrelados. Para responder ao questionamento precisamos estar atentos aos sintomas decorrentes da depressão, por exemplo, a mudança de apetite, mudança no ciclo do sono, mau-humor constante, dificuldade para concentrar-se em tarefas, falta de motivação, pessimismo, insegurança, perda de interesse pela vida, dentre outros.

Quando esses sintomas afetam a vida da pessoa a ponto de ela não conseguir mais contorna-los sozinha ou com a ajuda de quem sempre está por perto, quando os sintomas apresentados impedirem a pessoa de viver e realizar tarefas comuns do dia-a-dia, deve-se investigar mais a fundo a possibilidade de introduzir algum medicamento.

É muito importante que a pessoa entenda que precisa de ajuda e, quando necessário, procurar um psiquiatra para adequar o melhor tipo de medicamento. Ir ao psicólogo para fazer psicoterapia também é um passo fundamental para quem tem depressão, pois é imprescindível que a pessoa cuide de si mesma e passe por esse processo de autoconhecimento.

Existem outros métodos que aliados aos que foram citados acima que podem ajudar quem tem depressão, como, praticar técnicas de relaxamento, praticar exercícios físicos, tentar identificar quais hábitos que prejudicam o humor e adapta-los, realizar tarefas que lhe sejam agradáveis.

Por fim, diferenciar uma tristeza que pode ocorrer por vários fatores e compreender o momento de se cuidar por causa de algo que afete pontualmente a vida da pessoa é o primeiro passo para construir um processo de ajuda saudável.

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