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Autora: Luciene Morais Batista – CRP 04-37799 Psicóloga Clínica – Especializada em Terapia Comportamental e Cognitiva pela PUC Minas Consultório: Rua Professor Jacinto Ribeiro nº 32, Centro, Lagoa da Prata – MG Fones (37) 9 9869-9964 (Vivo) ou 9 9142-4349 (Tim) Credenciada para Atendimentos Online pelo site www.psicoharmonia.com.br
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Gosto muito de observar crianças, pois sempre aprendo muito com elas. Há alguns dias, enquanto aguardava por atendimento médico, observava uma menina. Ela, com cerca de dezoito meses de vida, andava de um lado para outro, explorando todos os cantos daquela recepção, mas havia uma condição: ela precisava estar apoiada na parede, nas cadeiras ou mesmo em alguém.  O que me deixou curiosa foi o fato de que ela demonstrava muita expertise, algo incompatível para uma criança que ainda precisasse de algum suporte para caminhar. Comecei a brincar com ela entregando-lhe duas caixinhas de papelão que continham medicamentos dentro. Ela chacoalhava as caixinhas e sorria e, de repente, deu alguns passinhos sozinha enquanto segurava as caixinhas nas mãos. Naquele momento, não hesitei, perguntei para a mãe dela “Sua filha já levou algum tombo enquanto aprendia a andar no qual se machucou de forma mais grave?” A mãe explicou que sim, que há um tempo, a filha havia começado a dar os primeiros passos quando levou um tombo no qual cortou a boca e precisou de socorros médicos.

A explicação da mãe elucidou o que já estava perceptível em minha observação: aquela criança era capaz de caminhar sozinha, mas não se sentia suficientemente segura para isso. Segurar as caixinhas de remédio deu a ela a segurança de caminhar, porém, era notável pela habilidade dela, que a capacidade de caminhar já existia, independente daquelas caixinhas que ela continha firmemente nas mãos. A explicação da mãe descreve o que conhecemos em nossa cultura como ‘trauma’, ou seja, após tentar caminhar e ter como consequência uma queda e a boca cortada, aquela menina parou de tentar caminhar sozinha.

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O que me chamou muito a atenção nessa história foi o papel desempenhado pelas caixinhas de remédio, ou melhor, a função que a criança atribuiu para aquelas caixinhas. De repente, tornaram-se como que “caixinhas mágicas“, pois oferecia a ela a segurança de poder caminhar alguns passinhos. É sabido que não eram as caixinhas as responsáveis pela habilidade dela de caminhar, era ela quem de fato conseguia. Isso me fez pensar sobre o quanto isso pode acontecer conosco, sobre como em nosso dia a dia nós também podemos utilizar de supostas fontes de apoio (alguém ou algo externo a nós) para justificar nosso potencial.

Certa vez uma amiga me disse “Acho que todo mundo já passou por traumas nessa vida!“. Quanto a isso, nada posso afirmar, mas é possível que assim como essa criança, em algumas situações nós também (talvez por algum trauma ou outra razão qualquer) não consigamos reconhecer nosso potencial, atribuindo nossas habilidades à fontes externas a nós. Uma autoavaliação, neste sentido, talvez possa contribuir para que se reconheça e se reconecte com os próprios potenciais. Ninguém consegue desenvolver potenciais sem o apoio de pessoas e de ferramentas, não se trata de uma desvalorização das fontes de suporte. O que é importante ficar claro, no entanto, é que tais suportes são apenas suportes, que o potencial para desenvolver não está no suporte, mas sim naquele que se utiliza dele. Que tal olhar para si e fazer uma autoavaliação, neste sentido?

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