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Autora: Luciene Morais Batista – CRP 04-37799 Psicóloga Clínica – Especializada em Terapia Comportamental e Cognitiva pela PUC Minas Consultório: Rua Professor Jacinto Ribeiro nº 32, Centro, Lagoa da Prata – MG Fones (37) 9 9869-9964 (Vivo) ou 9 9142-4349 (Tim) Credenciada para Atendimentos Online pelo site www.psicoharmonia.com.br
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Vovó, hoje fiz uma máscara de papel muito bonita e dei de presente para a amiguinha da minha sala. Sabe o que ela fez vovó? Ela amassou tudo, jogou no lixo e falou: Que máscara mais feia essa! ”  Foi assim que minha filha, hoje com seis anos de idade, relatou para minha mãe uma situação frustrante que ela viveu na escolinha dela. Permaneci calada para ouvir de que forma ela seria orientada, quando ouvi minha mãe dizer: “Olha, que tal fazer máscaras para outros amiguinhos diferentes, pode ser que outro amigo goste das máscaras que você faz!” A criança então, já se mostrando afetada pela experiência negativa vivenciada, respondeu: ” Vovó, tenho medo de que nenhum amiguinho goste das minhas máscaras…” E a avó respondeu: “Ah… faz o seguinte, pare de fazer máscaras, não mexe com isso mais não, está bem!? “

A situação descrita acima não é fictícia. Achei importante expô-la aqui neste espaço, pois acho que pode contribuir com qualquer pessoa que lide com o público infantil. Após construir a própria máscara de papel, a criança teve a experiência de receber uma reprovação significativa da amiguinha de classe. A primeira orientação fornecida pela avó foi a de fazer novas máscaras para outros amigos. Isso poderia realmente criar a possibilidade de algum amigo dizer que gostou, demonstrando aprovação. A criança, no entanto, disse que temia que nenhum amigo gostasse das máscaras feitas por ela. A avó, por saber que tal previsão tratava-se de uma hipótese que poderia vir a se confirmar, orientou a neta a parar de fazer máscaras de papel.

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A orientação de interromper o comportamento de construir máscaras faz sentindo quando consideramos a perspectiva com a qual estamos habituados: eliminação de sentimentos aversivos. Ainda na infância, aprendemos a construir estratégias para eliminar o sofrimento e, isso fica claro no exemplo acima, no qual o objetivo da orientação da avó foi o de eliminar possibilidades de sofrimento da neta. Após a criança expressar seu medo, a avó pôde antecipar a possibilidade de ocorrência de novas experiências de reprovação social à neta, e quis privá-la do desconforto que tais situações poderiam gerar. O que ela não considerou, porém, foi que, para que isso se tornasse possível haveria um alto custo para a criança: ela teria que abrir mão de algo que ela gosta de fazer e que é importante para ela, construir máscaras!

Em textos meus, escritos anteriormente, ressaltei a importância de aceitarmos o sofrimento, lembrando que, aceitar não é o mesmo que permanecer passivo. Pelo contrário, aceitar exige uma postura ativa diante do sofrimento. Quanto a minha filha, em um momento seguinte tivemos uma conversa, na qual foi validado para ela o desejo que ela tem de obter aprovação dos amiguinhos e que, na verdade, todos nós gostamos de receber elogios, isso é normal. Ficou mais claro para ela o quanto ela gosta e se sente bem fazendo máscaras, inclusive, que ela mesma gosta das máscaras que faz! Ela pôde entender ainda que, caso decida por fazer novas máscaras poderá sim ocorrer de nenhum amiguinho dela gostar, que isso é algo possível de acontecer. Mas é possível também que alguns gostem e outros não, afinal nunca conseguimos agradar a todos. Mas principalmente, pôde concluir que, independente da aprovação ou reprovação social, fazer máscaras é algo que ela gosta de fazer e que não valeria a pena deixar de fazer algo que é prazeroso para ela devido ao que aconteceu!

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