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Seu Mourão contou que certa vez juntaram algumas pessoas da família para pescar. Homens… As mulheres ficaram na sede da fazenda a prepararem o almoço, bem como a realizar os preparativos para a ‘pamonharia’. Domingo na fazenda era uma festa.

Juntavam os filhos, os netos e os primeiros binetos num grande encontro. Eram 12 filhos, quase ‘escadinha’. Os netos vieram quase todos também assim, quase um por ano. Contando com os gêmeos eram vinte e poucos netos (escapou-lhe da memória a quantidade de netos e bisnetos naquela época) e dois bisnetos.

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Quando os pais do senhor Mourão faleceram, a igreja ficou pequena para abrigar todos os familiares. Faleceram de grave gripe (pneumonia) que levou os dois, pai e mãe com diferença de poucas horas um do outro. Coisa grave para a família, mas acalentador ao mesmo tempo, visto terem morrido unidos, amparados, irradiando amor e ternura um para com o outro. Mas esta é outra história.

Seu Mourão afirmou que desde o eucaliptal até o açude antigamente era “pura cobra”. Era fácil observá-las subindo nas árvores e outras vezes digladiando presas (principalmente sapos e rãs) sobre as pedras. Mas uma espécie de cobra chamava a atenção de todos por causa da agressividade. Era muito ‘ranzinza’ a tal cobra. Chamavam-na de cobra Cipó.

Disse o seu Mourão que esta cobra vivia nas árvores, descendo ao solo apenas para apanhar alguma presa ou cobra menor.

Apesar de mostrar-se pacata, ao menor sinal de ameaça tornava-se extremamente agitada e pronta para a briga, com notórios barulhos com a cabeça, barulhos tais como arrulhos de pombos.

Algumas tinham o hábito de bater com a cauda nos galhos de árvores e suas folhas, causando sons abruptos, o que enchia de medo, tanto predadores quanto curiosos.

Não passava de um metro, contudo metia medo em cobras com o dobro de seu tamanho.

Se não espantava seus predadores, fugia rapidamente por entre as folhagens ou subindo em árvores. Apesar do aspecto hostil por causa das escamas grossas, não era peçonhenta, não tinha veneno.

Sua mordida era terrível, tornando preta a região onde ela cravava seus dentes por causa da grande quantidade de bactérias da boca, língua e dentes.

Por isso e por outras coisas, era evitada nas trilhas e na pescaria.

Seu Mourão contou que certa vez nas margens do açude velho, estava pescando quando o Tião Vermelho, seu cunhado, ao enfiar a mão no embornal para retirar isca, a fim de prendê-la no anzol, teve a cobra enrolada por uma cobra cipó bem verdinha, no que o Tião correu pra cima do seu Mourão, obrigando-o a pular com roupa, vara de pescar, embornal, iscas e tudo, para dentro d’água.

O Tião correu até a estaca (trave de madeira que a Usina Luciânia usava para marcar os cantos do canavial) e bateu com o braço, com cobra e tudo, nela.

A cobra cravou-lhe os dentes e ele, não se sabe se de desespero, dor ou raiva, arrancou-lhe a cabeça fora, segurando a cabeça dela com uma das mãos e mordendo o pescoço até que a cabeça caiu no chão.

Disse ao seu Mourão que nem sabia que cobra tinha pescoço, ao que ele respondeu calmamente que “aquela tinha”. “Era só perguntar para o Tião”!

Histórias que o povo conta…

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