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Foto: Ilustração / Reprodução da internet
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Amo palavras. Do que elas fazem quando se unem em frases. Mas algumas me provocam, principalmente aquelas que acho estranhas, tanto na maneira como são escritas quanto pelo significado que carregam. Feminino é um exemplo de uma sonoridade que me incomoda. Tenho dificuldade de ler em voz alta porque a língua se atrapalha. Inoxidável também é dessa lista. O termo significa “que não sofre oxidação; incapaz de enferrujar, de criar ferrugem. Que não desgasta; que não sofre com a ação do tempo”. Contudo, o Faustão adjetiva alguns convidados do seu programa assim: “fulana de tal é inoxidável”. E eu não entendo nada. Oi? Como assim? Como pode uma pessoa não criar ferrugem? Aos ouvidos, soa engraçado o elogio, mas percebe-se que ele usa os sinônimos de inoxidável como “imaculado e puro” para enaltecer seus entrevistados. Mesmo assim, fico encucado. Por isso, utilizo, constantemente, um sagrado livro para me livrar dos pensamentos vagos. E quando não entendo algo que eu esteja lendo, vou lá me deliciar para mais uma descoberta.

Gosto de recorrer ao dicionário sem pretensões. Abrir em uma página aleatória e ficar lendo as explicações, a origem das palavras, o uso adequado delas, os sinônimos, os antônimos. E, justamente, por acreditar que naquelas folhas estão muitos conhecimentos, discordo quando dizem que o “dicionário é o pai dos burros”. Todo livro é bisavô, avô, pai, mãe dos inteligentes, sobretudo, pelo acúmulo de gerações de estudos ali contidos. Se quiser uma dica minha para comprar um livro, sempre recomendarei: o dicionário, de qualquer área.

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Na Língua Portuguesa há uma palavra que tenho muito apreço, mas não me recordo se já a utilizei em algum texto. Talvez nunca a escrevi, apesar de sempre mencioná-la em conversas sobre os coletivos de animais, de objetos etc. Panapaná é um dos vocábulos que me despertou curiosidade desde a infância. É o coletivo de borboletas ou, especificamente, de um bando de borboletas em migração, como preferem classificar alguns estudiosos. Veio do tupi panãma, que significa borboleta para os nossos ancestrais indígenas. Também deu origem ao nome do país Panamá, onde havia uma aldeia em que os índios pescavam, pois lá havia “abundância de peixes, árvores e borboletas”. Logo, isso é uma parte da toponímia, que é a divisão da onomástica que estuda os topônimos, ou seja, nomes próprios de lugares, da sua origem e evolução. Encantam-me essas conexões.

E assim aparece mais uma palavra intrigante na minha lista: onomástico, um conjunto de palavras presente no final de livros que trazem um índice de nomes que foram utilizados ou que apareceram naquela obra. Algo que facilita pesquisas ou que estimula a leitura. Adoro falar O-N-O-M-Á-S-T-I-C-O. Parece algo pomposo, não é mesmo? A expressão vem do grego e o significado é “relativo aos nomes próprios ou o seu estudo”.

Para os católicos, há uma tradição da igreja, especialmente, na Itália, que é a valorização do “Santo Onomástico”, ou seja, o “Santo do seu nome”. Por exemplo, caso alguém se chame Francisco, deve ter São Francisco como inspirador, protetor ou padroeiro. Ou se mulher foi batizada como Anna, terá devoção em Sant’Anna, a avó de Jesus. Em alguns lugares, homens e mulheres celebram dois aniversários, o de nascimento e o do Santo Onomástico. Mesmo para quem não está ligado à religião, é interessante saber o significado do nome e o porquê de ele ter sido escolhido.

Você conhece a origem do seu nome? O meu vale outra crônica…


Juliano Azevedo

Jornalista, Professor Universitário, Escritor.

Site: www.blogdojuliano.com.br

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E-mail: [email protected]

Instagram: @julianoazevedo / @ondeeobanheiro

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