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Por: Carlos Lúcio Gontijo

O município de Santo Antônio do Monte começou a ser povoado no distante ano de 1700, mas foi somente no dia 16 de novembro de 1875 que a antiga vila chegou à categoria de cidade, através de lei que levou o número 2.158, há exatos 139 anos. Contudo, a melhor forma de entender ou saber sobre uma cidade é buscando a glória de seu passado no horizonte de luz de seu presente.

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Se existe uma coisa de que a gente santo-antoniense pode orgulhar-se é da condição socioeconômica de seus cidadãos, pois ao contrário de tantos outros lugares, o município consegue absorver a mão de obra oferecida pelos trabalhadores que nele residem, graças principalmente à sua indústria de fogos, que tem como característica o baixo uso de equipamentos fabris em sua linha de produção. Poucos sabem, mas Santo Antônio do Monte é uma das maiores bacias leiteiras da região Centro-Oeste, fator que também é determinante para a manutenção de significativo volume de emprego, gerando renda e bem-estar à população.

Santo Antônio do Monte é bastante conhecida Brasil afora por ser polo da maior produção de fogos de artifício do Brasil, situando como segunda cidade do ramo, perdendo apenas para a China. Todavia nossa querida SAMonte vai muito além da pirotecnia, pois aqui nasceu o poeta Bueno de Rivera, que é referência para todo o amante da poesia, tendo o seu trabalho poético respeitado e editado em outros países.

Por aqui nem é preciso ser filho da terra para nela se enraizar e ser aceito pelo solo prazenteiro e sempre disposto a aceitar sementes de gente, logo transformadas em filhos legítimos, como se deu com Padre Paulo Michla, que era alemão; Dr. Wilmar de Oliveira, que era capixaba; Monsenhor Otaviano, que veio de Itapecerica; o professor Miguel Eugênio de Campos, que deixou Pitangui e se transformou no primeiro historiador de Santo Antônio do Monte, além de lecionar e dar aula música, fundando  a banda de música, que deu origem à centenária Lira Monsenhor Otaviano. Ao lado de pessoas de outras plagas que adotaram o solo santo-antoniense como berço, podemos apontar muita gente importante que aqui nasceu, como é o caso dos políticos José de Magalhães Pinto e José Guiomar, a educadora Maria Angélica de Castro e tantas outras pessoas de renome e prestígio nacional, a exemplo do consagrado artista plástico Miguel Gontijo.

Entretanto, indubitavelmente, o que alicerça todo o patrimônio cultural responsável pela construção de uma identidade própria e singular é o cidadão santo-antoniense comum: aquele que não tem o seu nome estampado em placas ou em diplomas oficiais. É ele que nos ensina que uma cidade não desperta com o amanhecer do sol, mas com os passos de sua gente pelas ruas. São as pessoas, habitantes de Santo Antônio do Monte, o seu verdadeiro horizonte.

É comum as pessoas que visitam SAMonte se deixar tocar pelo acolhimento que a população lhe destina com espontaneidade; encantar-se com o bucolismo de suas três praças centrais; embevecer-se com a religiosidade, orações e cânticos emanados de suas igrejas; surpreender-se com a sua grande rede de ensino público, sua preocupação com a saúde e a coleta de lixo, que garante escola para crianças e jovens; admirar-se diante de uma das maiores festas de reinado do Brasil, que enche de batuque e dança as ruas da cidade…

No próximo ano (2015), a Estação Ferroviária comemorará os 100 anos de sua inauguração, quando a Municipalidade terá a oportunidade de agradecer aos ex-ferroviários e seus familiares pela contribuição dada ao patrimônio cultural de Santo Antônio do Monte, que tanto recebeu pessoas e mercadorias através das linhas de trem, quanto percebeu novos caminhos, aprendendo que, se é verdadeira a sentença de que atrás de morro tem morro, há muita gente e muita coisa a ser aprendida pelo mundo afora.

Perguntar-nos-ão alguns pelos problemas, contudo apesar de eles existirem temos que vislumbrar (e enaltecer) a perspectiva de que estamos semeando, nós santo-antonienses, um futuro repleto de boas possibilidades, pois sempre houve e haverá, entre nós, cidadãos de qualidade, homens públicos compromissados com a grandeza de nossa terra e dispostos a evitar que ervas-daninhas prosperem em nosso meio, como em lavoura malcuidada. Somos uma gente altiva e altaneira, que não teme os perigos de possíveis escuridões; afinal estamos festejando 139 anos de elevação à cidade e, através da indústria pirotécnica, nos especializamos em “fazer a noite virar dia”, como nos preconiza o poema “Sangue Montense”.

 

SANGUE MONTENSE

Carlos Lúcio Gontijo (Poeta, escritor e jornalista)

 

De Santo Antônio do Monte eu venho

É a terra que retenho no olhar

É o par de olhos do meu passo errante

É diamante incrustado no chão de meus pés

É a terceira visão do meu caminhar distante

Seu solo mirante parece remar pro céu

A quase mil metros acima do nível do mar

Razão de sua gente engenhar fogos de artifício

Um ofício milenar de sagrada tradição

Forma colorida de canção ao Criador

Explosão de amor nos momentos de alegria

E quem duvidar dessa vocação sadia

Basta cortar a veia de um cidadão montense

Para detectar o sangue iluminado

Que, coagulado, pólvora irradia

Como se fosse escravo enclausurado

Condenado pela magia de fazer noite virar dia.

 

 

 

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