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Vereadores de Santo Antônio do Monte rejeitam criação de novo loteamento

A Câmara Municipal de Santo Antônio do Monte rejeitou na sessão de segunda-feira (25/08), em primeira votação, o projeto de lei que autorizava a criação de um loteamento popular, localizado a um quilômetro de distância do córrego Gandu, principal fonte de abastecimento de água da cidade. Populares contrários à iniciativa se mobilizaram e participaram da reunião e pressionaram os vereadores a reprovarem o projeto, com o argumento de que o empreendimento poderia causar danos ambientais ao manancial. A estratégia deu certo.

Fizeram uso da tribuna a engenheira Miriam Basílio de Castro, representante do Grupo V8 Empreendimentos, e o delegado Anderson Vicente de Sousa, que criticou o projeto. Após os pronunciamentos, os parlamentares não aprovaram a criação do loteamento.

LOTES A PREÇOS POPULARES

Miriam disse que o Grupo V8 Empreendimentos está presente em 28 cidades de Minas Gerais e as negociações e ajustes do projeto para a aprovação do futuro bairro residencial Maria José Cardoso de Oliveira (Dona Dedé) tiveram início há três anos, no mandato do ex-prefeito Leonardo Lacerda Camilo.

Miriam Basílio de Castro
Miriam Basílio de Castro

A engenheira destacou que as pessoas de baixa renda não têm condições de adquirir o seu imóvel devido ao preço elevado dos lotes praticados no município. “Fizemos uma pesquisa de mercado. Lotes populares não existem na cidade. Nossa proposta é vender terrenos a partir de 29 mil reais e parcelas de R$ 374. Hoje, o cidadão que tem uma renda familiar de dois mil reais em Santo Antônio do Monte, vai nascer e morrer sem ter condição de comprar o seu lote. Infelizmente essa é a realidade que encontramos”.

[pull_quote_left]Fizemos uma pesquisa de mercado. Lotes populares não existem na cidade. Nossa proposta é vender terrenos a partir de 29 mil reais e parcelas de R$ 374. Hoje, o cidadão que tem uma renda familiar de dois mil reais em Santo Antônio do Monte, vai nascer e morrer sem ter condição de comprar o seu lote. Infelizmente essa é a realidade que encontramos[/pull_quote_left]

Miriam acrescentou que o loteamento foi aprovado pelos engenheiros da prefeitura e pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema). “Também temos a licença estadual e a manifestação da Copasa e da Cemig. O que nos foi pedido foi prontamente atendido em cem por cento. Não ficou nenhum pedido que não pudesse ser cumprido. Até agora não vi nenhum laudo contrário ao loteamento, a não ser falácias. Tem muita gente que critica sem saber o que está acontecendo”.

A engenheira afirmou que o loteamento não afetará o córrego Gandú. “O que corre para o córrego? A água da chuva. Ela corre independentemente de ter loteamento ou não. O que vamos fazer é corrigir essa água através de drenagem pluvial subterrânea para que não chegue com uma velocidade muito grande ao córrego, já que as ruas serão pavimentadas”, garante.

O OUTRO LADO

Natural de Santo Antônio do Monte, Anderson Vicente de Sousa é funcionário público há 19 anos e delegado em Belo Horizonte. Ele fez uso da tribuna após o pronunciamento da engenheira e criticou a iniciativa do empreendimento.

Anderson Vicente de Sousa
Anderson Vicente de Sousa

Anderson argumentou que o córrego Gandú já não consegue atender a demanda de água do município. “É, no momento, a nossa única fonte de água. A Copasa precisa retirar 120 litros de água por segundo para nos abastecer com segurança. Devido à seca, falta de chuva e falta de respeito às nascentes, a Copasa está conseguindo retirar só 72 litros de água por segundo. Nosso abastecimento já está comprometido. A Copasa terá que fazer poços artesianos para complementar o nosso abastecimento de água”, garante.

O delegado afirma que a empresa pretende construir um dissipador de água pluvial com capacidade de 3.000 litros de água por segundo. “O dissipador vai ser instalado às margens da nascente. E quando encher? Para onde a água vai? Para o nosso córrego. Está no projeto. E quando forem fazer as obras para a captação pluvial, quando encontrarem o lençol freático, eles vão drenar a água com uma bomba, colocar terra e compactar, no momento em que vamos precisar fazer poços artesianos para garantir o abastecimento de água da população!”, esbraveja.

[pull_quote_right]O dissipador vai ser instalado às margens da nascente. E quando encher? Para onde a água vai? Para o nosso córrego. Está no projeto. E quando forem fazer as obras para a captação pluvial, quando encontrarem o lençol freático, eles vão drenar a água com uma bomba, colocar terra e compactar, no momento em que vamos precisar fazer poços artesianos para garantir o abastecimento de água da população![/pull_quote_right]

Outra falha apontada pelo santantoniense é a falta de um projeto de esgoto. “Como querem fazer um loteamento próximo ao córrego que abastece à cidade, próximo à nascente, e não apresentam um projeto de esgoto? Eles querem pegar o esgoto e jogar no ‘penicão’ do Pedro Lacerda. Olha que loucura! Se nós não temos garantias que ele vai suportar o esgoto das casinhas, vamos jogar esse lá dentro? No dia que der problemas, esse esgoto vai para a água que a gente bebe”, critica.

Após os pronunciamentos, os vereadores decidiram, por unanimidade, rejeitar o projeto. A segunda votação acontecerá na próxima sessão, segunda-feira (01/09).

 

 

 

 

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