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Semana da criança acende alerta para a necessidade das brincadeiras na fase infantil

A rotina corrida e as demandas da vida em sociedade também contribuem para que sobre menos tempo para esse resgate lúdico no dia a dia. Mas qual o papel dos adultos nesse processo?

Rhaiane Carvalho


 A realidade já tem sido dura o bastante para muitas crianças, com isso, muitas brincadeiras foram sendo deixadas de lado, muitas vezes sendo substituída por televisão, games e internet. Mas cadê o brincar? Correr, pular, inventar, encenar, desenhar, imaginar… A partir deste universo criado pela imaginação das crianças, competências importantes são aprendidas para a vida. Para entender mais sobre a importância desse universo, a reportagem do Jornal Cidade conversou com a psicopedagoga Juliana Santana.

“O brincar é a linguagem central e inerente da infância. Não existe uma criança que não saiba brincar, isso faz parte do desenvolvimento dela. É onde ela expressa sua subjetividade, cria hipóteses, aprende a negociar, e exercita a capacidade criativa. O ato de brincar representa o gesto primordial de exploração do mundo e do conhecimento do outro”, explicou.

Em um mundo estruturado por convenções e valores sociais, e cada vez mais dominado pela tecnologia, o espaço para a brincadeira se mostra ainda mais importante para reconhecer o potencial transformador em cada um de nós, principalmente, nas crianças. A rotina corrida e as demandas da vida em sociedade também contribuem para que sobre menos tempo para esse resgate lúdico no dia a dia. Mas qual o papel dos adultos nesse processo?

“Não dá pra gente voltar a ser criança. Ainda que seja possível retomar alguns aspectos como criatividade e o vínculo com o outro, é muito comum o adulto bater de frente com a lógica infantil, tentando direcioná-la para o racional. Mesmo com essas diferenças, muita coisa pode ser feita para que o brincar aconteça de um jeito potente”, disse Juliana.

A primeira coisa, na visão da psicopedagoga, é reconhecer a criança como um sujeito ativo, que parte de uma outra perspectiva de tempo, de espaço e de entendimento de vida. Uma vez entendendo isso, o adulto pode exercer seu papel de estabelecer limites, mas direcionando-os para um aprendizado integral. Um exemplo prático é limitar o tempo das crianças com as telas, deixando-as criar maneiras próprias de lidar com o tédio e a frustração.

“Outra saída é alternar o tempo disponível das crianças, para que o brincar também tenha sua vez. É claro que o inglês, o teatro e o esporte são importantes e necessários para o desenvolvimento, mas deixar que a criança tenha tempo para escolher o que quer fazer também é um incentivo ao brincar. O adulto não precisa sentar e se obrigar a entrar na lógica da criança o tempo todo, mas precisa estar presente para garantir que o brincar de qualidade esteja disponível como uma opção de atividade e expressão”, concluiu.

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