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Preço do litro do leite ultrapassa R$ 7 nas prateleiras de supermercados do Centro-Oeste de Minas

“‘Tô’ misturando água, não tem como fazer outra coisa, me corta o coração”, disse Ana Marcele, mãe de duas crianças.

Um susto por semana é o que o brasileiro está tendo em relação ao preço do leite nas prateleiras dos supermercados. Recentemente, mais precisamente na última semana, o Jornal Cidade fez um levantamento sobre valores e o litro do leite chegou a ser encontrado por R$ 6,70, um aumento de R$ 3,81, em relação ao ano de 2020, quando o produto chegou a ser encontrado por R$ 2,89. Em 2021, mesmo tendo uma alta, o litro do leite era encontrado por R$ 3,48, mas nada foi tão parecido como em 2022, que está registrando R$7,70, valor absurdo para o consumidor. Ou seja, de 2020 para 2022 tivemos um aumento de R$ 4,81.

De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Jônadan Min Ma, a alta nos custos do insumo está relacionada à queda de consumo no mercado interno e à valorização de commodities no mercado internacional, principalmente após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele citou o milho, base para alimentação das vacas, e o petróleo, que incidiu sobre os custos de transporte.

Em entrevista ao Jornal O Tempo, o presidente do sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), Guilherme Abrantes, confirmou a alta nos custos ao produtor, e observa, entretanto, que os laticínios também contabilizam inflação sobre insumos básicos como papelão e plástico, utilizados no embalo do produto, e nos combustíveis.

De acordo com o último levantamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o leite longa vida acumula alta de 29,28% nos últimos 12 meses, e de 28,03% somente em 2022.

Ana Marcele é mãe de duas crianças que tem o leite como a principal fonte de alimentação. Segundo ela, tem misturado água no alimento para que tenha leite todos os dias para os filhos.

“Vou ao mercado toda semana para pra buscar o leite. ‘Tô’ misturando água, não tem como fazer outra coisa, me corta o coração, mas pelo menos não tem faltado ainda. Eles não aceitam leite de roça, só caixinha, então, infelizmente essa é a alimentação que estou podendo oferecer, mas tem muita mãe que nem isso tem nos dias de hoje”, lamentou.

O senhor Valdevino Lopes, 76 anos, também falou sobre a importância do leite na alimentação e as dificuldades enfrentadas para manter o consumo do alimento. “Tomo muitos remédios e o leite ajuda a não doer meu estômago. Desde que esse aumento veio com força eu estou comprando leite da roça do meu vizinho. Tenho colesterol, o leite é mais gordo, mas de caixinha não ‘tá’ dando, sou aposentado, é remédio pra comprar, casa pra manter, filho pra ajudar, como que faz?”.

O Jornal Cidade conversou com Derly Miranda, proprietário de um mercado na cidade de Arcos, que falou se tem sentido que o aumento no valor do leite tem feito as vendas caírem.

 “Meu mercado, apesar de ser o maior do bairro, é pequeno, então não consigo reduzir tanto os valores. Mas é evidente, caiu pelo menos 30% das minhas vendas de leite. É ir levando e ver até onde o brasileiro aguenta”, disse o empresário.

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