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Dia Mundial do Combate as Diabetes – Nutricionista alerta sobre os riscos e dá dicas de prevenção

Metade dos diabéticos no Brasil não sabe que tem a doença. Ainda segundo a nutricionista, a diabetes é uma doença crônica com potencial de prejudicar o funcionamento de vários órgãos.

Rhaiane Carvalho

No dia 14 de novembro é celebrado o Dia Mundial do Combate à Diabetes, doença que muitas pessoas nem fazem ideia de que são portadoras ou estão prestes a desenvolver. Silenciosa e com potencial de provocar grandes danos ao longo do tempo, o diabetes atinge milhões de brasileiros. Entre 40% e 50% deles não sabem que têm a doença, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Segundo o endocrinologista, Fernando Valente, diagnosticar o quanto antes o problema e iniciar o tratamento, que, se estiver em fase inicial, pode até mesmo ser corrigido com mudanças no estilo de vida em alguns pacientes, é fundamental.

“A diabetes é uma doença silenciosa. Muitas pessoas têm uma alteração na glicemia, mas isso não causa sintomas. Quando eles aparecem – perda de peso, fraqueza, sede excessiva, urinar em excesso – é porque os níveis de açúcar no sangue já estão muito elevados. Quanto mais cedo você descobrir, mais você consegue manter sob controle e evitar as complicações, como infarto e derrame. Cerca de 50% das pessoas que têm diabetes vão morrer de infarto e 25%, de derrame”, explicou.

Primeiramente, é preciso entender que existem dois tipos de diabetes. O tipo 1, que afeta cerca de 10% dos pacientes, é uma doença autoimune que reduz a capacidade do pâncreas de produzir insulina – hormônio responsável por metabolizar o açúcar no sangue. Geralmente, esse diabetes aparece na infância ou adolescência e é controlado com o uso de insulina.

Os outros 90% dos diabéticos possuem o tipo 2 da doença, que se desenvolve com mais frequência em adultos. Nesses casos, além de fatores genéticos, obesidade, sedentarismo, consumo de bebida alcoólica em excesso e maus hábitos alimentares também são fatores de risco.

Como desconfiar que pode ter a doença? (Box)

  • Urinar excessivamente, inclusive acordar várias vezes durante a noite para urinar;
  • sede excessiva;
  • aumento do apetite;
  • perda de peso: a perda de peso ocorre mesmo comendo de maneira excessiva;
  • cansaço;
  • vista embaçada ou turvação visual;
  • infecções frequentes, sendo mais comuns as infecções de pele.

Sobrepeso é sinal de alerta

A obesidade faz com que o corpo fique mais resistente à insulina, necessitando de níveis mais altos para manter normais as taxas de glicose no sangue. Por outro lado, quem tem tendência genética a desenvolver diabetes precisa controlar a ingestão de açúcar e carboidratos. Para falar mais sobre o assunto, a reportagem conversou com Viviane Soares, que é nutricionista clínica funcional e acupunturista, e atende na cidade de Arcos. “Os dados são alarmantes: mais de 13 milhões de brasileiros convivem com o Diabetes, o que representa quase 7% da população. E as estimativas não são promissoras. De acordo com o Atlas do Diabetes, esse número tende a aumentar mais de 150% até 2035. E mais: uma pesquisa do Ministério da Saúde indicou que entre os anos de 2006 e 2016 foi registrado um aumento de 61,8% nos casos da doença no país.  Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue. Sua ocorrência se deve o a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta. Explica-se: a função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta deste hormônio ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. Acima de tudo, a Diabetes tem que ser levada a sério. São três tipos: Diabetes tipo 1, Diabetes tipo 2 e Diabetes gestacional. O tipo 1 é mais frequente em crianças, adolescentes e jovens, e o tipo 2, em adultos e idosos, mas ambos podem surgir em qualquer idade”.

Viviane Soares é nutricionista clínica funcional e acupunturista, e atende na cidade de Arcos.

Ainda segundo a nutricionista, a diabetes é uma doença crônica com potencial de prejudicar o funcionamento de vários órgãos. “Ainda, ocasiona um número de fatores que aumentam o risco de infarto e AVC. As altas taxas de glicose no sangue podem favorecer também danos nos rins, a retinopatia (que pode levar à cegueira), além de causar danos aos vasos sanguíneos (e facilitar o surgimento de neuropatias e pé diabético).  Prevenção e cuidados são as palavras-chave no tratamento da doença. E o excesso de peso é um grande vilão, pois ele faz com que os tecidos do organismo não consigam absorver glicose, mesmo com a ação da insulina”.

 

Como é conviver com a doença?

Segundo Viviane, a reeducação alimentar e a prática regular de atividades físicas são, portanto, dois importantes pilares na prevenção ao Diabetes.

“Só para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 27% dos casos de Diabetes são causados pela falta de atividade física, já que o sedentarismo favorece fatores como obesidade, hipertensão e desequilíbrio no colesterol, que também colaboram para o desenvolvimento dessa doença.

No cardápio, o ideal é ter refeições ricas em verduras, legumes e frutas e moderação no consumo de carboidratos e proteínas.

Isabel Evangelista descobriu a doença há dez anos quando em uma aula de exercícios físicos desmaiou. “Tinha 10 anos de idade. A primeira surpresa foi em um dia em que tive um desmaio por ter passado muitas horas sem comer. Isso se repetiu, quando tive outro desmaio durante um ensaio de balé. Por último, tive um dia inteiro de vômitos e enjoos, fui levada ao hospital e então descobri que eu tinha diabetes. A notícia foi um susto! Não entendia exatamente o que era o diabetes e nem como seria o meu tratamento. Naquela época não tínhamos muitos recursos tecnológicos e nem conhecimento preciso sobre a doença. O tratamento só me trouxe melhorias! Um misto de alimentação saudável, junto com exercícios físicos, terapia e principalmente aceitação da condição de ser diabética que me tornaram a pessoa realizada que sou hoje”.

Roberta Bordini desenvolveu a doença há pouco mais de 4 anos e diz que, embora seja possível fazer muitas coisa, conviver com a doença não é tão simples, mas é plenamente possível. “Não acredito que a diabetes deva ser tratada como um mero detalhe, a diabetes é algo que transforma a nossa vida após o diagnóstico e falar sobre como a gente se sente é essencial. A diabetes nos limita sim! É preciso planejamento para realizar nossos sonhos, mas ele NUNCA VAI TE IMPEDIR de alcançar qualquer objetivo. Cuidar de si mesmo vai além das insulinas, dietas e atividade física. É preciso cuidar do emocional para o físico fique bem!”.

Mônica Ferreira disse que a doença, apesar de a ter assustado, trouxe um novo olhar sobre a vida. “Tenho diabetes desde 1999. Já utilizei insulina mix (NPH+regular), depois passei para as canetas de análogas (Lantus e NovoRapid) e hoje utilizo bomba de insulina! Sempre adepta ao esporte, em certo momento da vida descobri o ciclismo e me apaixonei! Ainda mais depois de perceber que com o esporte, reduzi mais de 30% na minha dose diária de insulina! Não é fantástico? O seu tratamento depende mesmo é de VOCÊ!!!”.

 

Check-ups

A nutricionista Viviane ainda complementa que

“o Diabetes pode ser assintomático, principalmente, nos primeiros anos, após o surgimento da doença. Em casos mais severos, o paciente pode ter perda de peso, sede e fome intensificadas, além de urinar em excesso. Perceber as vistas embaçadas e uma fadiga acima da média também podem ser sintomas da doença. Por isso, exames preventivos devem ser feitos anualmente”.

 

E se o paciente já for diabético?

De acordo com a nutricionista, neste caso, o tratamento bem como os medicamentos indicados dependem de várias características do paciente, como níveis de glicose, peso e outras doenças associadas.

“E o controle periódico com o endocrinologista é imprescindível, assim como o acompanhamento nutricional. Com relação à dieta, as recomendações se assemelham àquelas utilizadas para prevenir a doença, ou seja, diminui-se o consumo de alimentos com carboidratos simples e ricos em farinha refinada; alimentos industrializados, pois a ingestão excessiva destes alimentos pode estimular o aumento do açúcar no sangue, causando o desequilíbrio dos níveis glicêmicos. Por outro lado, prioriza-se a ingestão de alimentos ricos em fibras, como frutas com casca, vegetais frescos e cereais integrais. Assim como recomenda-se a ingestão de gorduras saudáveis e carnes magras. Além disso, é importante manter de 4 a 6 refeições por dia. O nutricionista, neste contexto, propõe estratégias de orientação nutricional e plano alimentar individualizado adequado para controle do quadro clínico de cada um”.

 

 

 

 

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