Ambientalistas trabalham para que Lagoa da Prata tenha área de soltura de animais na Volta Grande

Ambientalistas trabalham para que Lagoa da Prata tenha área de soltura de animais na Volta Grande

Intenção é fazer do local santuário de fauna e flora, com alojamento para pesquisadores, área de observação e espaço especializado para soltura de animais silvestres.

A Volta Grande foi durante décadas uma grande preocupação para pescadores, ambientalistas e pessoas que de certa forma acompanharam os crimes ambientais cometidos pela antiga Usina Luciânia contra o Rio São Francisco e todo o ecossistema da região. A área onde o Rio São Francisco foi mutilado e perdeu aproximadamente 8 km de extensão, passou a ser motivo de um embate judicial entre Ministério Público (MP) e os antigos donos da Usina Luciânia, que são até hoje os proprietários legais das terras.

Porém, recentemente, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a área foi repassada para a Associação dos Pescadores Amadores do Alto São Francisco (Aapa) em forma de comodato. Ambientalistas e pescadores estão com um projeto de recuperação da região com o intuito de fazer do local um santuário de fauna e flora. A ideia dos envolvidos é fazer do lugar uma Área de Soltura de Animais Silvestres (Asas)

Área onde o Rio São Francisco foi desviado e interrompido. (Foto: Satélite/Mapeamento: Alan Russel e Rafael Robatine).
Confira a área de preservação ambiental que está sob responsabilidade da Aapa (Foto: Satélite/Mapeamento: Alan Russel e Rafael Robatine).

A Aapa assim que recebeu a responsabilidade de tomar conta da área não perdeu tempo e já começou a realizar intervenções para a recuperação da região. A primeira ação foi fechar um dreno que existe na região e que tinha o intuito de secar uma lagoa para plantio de cana de açúcar. Após o fechamento do dreno, a lagoa já começa a dar sinais de recuperação e, dependendo da quantidade de chuvas, pode em breve voltar a ser uma grande área alagada, como foi há muitas décadas atrás.

Além da recuperação da lagoa, a Aapa já realiza um trabalho de reflorestamento na Volta Grande. Homens e máquinas estão trabalhando juntos e diversas espécies de árvores frutíferas estão sendo plantadas. Setores da sociedade também já abraçaram a iniciativa da Aapa e no último dia 15 de novembro, houve um mutirão onde foram plantadas mais de 900 mudas de árvores. Para esta ação, estiveram presentes, o Corpo de Bombeiros, Rotary Clube, Grupo de Escoteiros Águas do Pântano 174 e também a empresa Ambiental Sem Limites, que forneceu maquinário, pessoal de apoio e as mudas para o plantio.

Saulo de Castro é ambientalista, presidente da Aapa e acompanha a muitos anos o que acontece na Volta Grande. Em 2013, Saulo de Castro foi produtor executivo do documentário audiovisual Rio Interrompido, que conta em detalhes o processo de mutilação do rio, ouvindo pescadores, ambientalistas e pessoas que trabalharam na Usina Luciânia, na época em que aconteceram os diversos crimes ambientais na região.

Durante muitos anos, Saulo, juntamente com ambientalistas e pescadores, lutaram para que a região fosse recuperada, o desvio fosse fechado e as águas voltassem a correr no leito original do Rio São Francisco.

900 mudas foram plantadas na região de Volta Grande. (Foto: Aapa/Divulgação).

Porém, após o MP solicitar que uma consultoria fosse realizada para analisar os impactos ambientais, os especialistas chegaram à conclusão de que seria praticamente impossível voltar o rio para seu leito original. Diante disso, o MP entendeu que o mais certo a fazer seria tentar recuperar a área de outra maneira, uma vez que, de acordo com a consultoria ambiental, intervenções no local para fazer com que o rio voltasse ao seu leito normal poderiam afetar ainda mais o ecossistema na região.

“O que pretendemos é recuperar toda a região que sofreu drásticas intervenções e voltar a dar vida aquele lugar. Infelizmente é praticamente impossível fazer com que o rio volte ao seu leito normal. Porém, podemos sim fazer da região da Volta Grande um santuário da fauna e flora. Um espaço onde alunos, ciclistas e amantes da natureza possam visitar, entender o que aconteceu na região e ajudar de alguma forma a conservar o meio ambiente” explicou Saulo.

O ambientalista disse que tem muitos parceiros para que o sonho de fazer da região um santuário ecológico vire realidade. Entretanto, é necessário que empresas e o poder público abracem a causa e ajudem para que a Área de Soltura de Animais Silvestres se torne realidade.

“Nosso projeto é audacioso, porém alcançável. Já temos o apoio do Ibama, IEF, Instituto Chico Mendes e diversos setores da sociedade. Porém, precisamos que empresas abracem a causa e nos ajudem a executar o projeto. Queremos construir um alojamento para pesquisadores e alunos, um espaço para palestras, pontos de observação e um local onde servirá de quarentena para os animais que serão soltos”, acrescentou o ambientalista.

“Durante todos esses anos de cultivo de monocultura de cana de açúcar, muitos animais estão extintos na região. Com a colaboração do Ibama e IEF, podemos fazer da Volta Grande um local de soltura de animais silvestres e inserir esses animais de volta ao nosso ecossistema. Porém, precisamos da ajuda de empresas para que possamos executar o projeto e construir toda estrutura necessária para realizar essas ações”, completou Saulo.

Ação teve apoio de diversas entidades, inclusive do Corpo de Bombeiros. (Foto: Aapa/Divulgação).

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