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Reportagem visitou quatro cidades da região que fazem parte do consórcio e confirmou o motivo de todas as sedes ainda estarem fechadas. Veja o vídeo e a matéria.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do consórcio Cis-Urg, formado por 54 municípios da região Centro-Oeste de Minas Gerais, não tem previsão para ser inaugurado. O Jornal Cidade visitou na semana passada as futuras sedes do SAMU instaladas em Bom Despacho, Arcos e Santo Antônio do Monte e confirmou que todas estão fechadas. O gerente de logística e patrimônio do Cis-Urg, Dárcio Abud Lemos, em conversa com a reportagem, afirmou que o Estado precisa fazer o repasse de R$ 4 milhões e entregar 24 ambulâncias (apenas 7 veículos foram entregues) para iniciar o atendimento.

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A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que também aguarda a disponibilidade financeira de recursos para o custeio mensal de 35% dos custos do serviço. O restante será bancado pelos Municípios consorciados (15%) e União (50%).

A inauguração do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste já foi adiada três vezes. Esse atraso está provocando questionamentos da população de várias cidades consorciadas. Diretores do consórcio fizeram reuniões nesta semana em vários municípios com os políticos locais, líderes comunitários e imprensa para explicar os motivos que impedem o início dos trabalhos.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista com o gerente Dárcio Abud Lemos, do Cis-Urg:

PREVISÃO SOBRE O INÍCIO DO SERVIÇO

O Cisurg Oeste é um consórcio foi constituído em 2014. Foi contratado pelo Estado de Minas Gerais por meio da Secretaria de Estado da Saúde. Existe um cronograma de ações. O consórcio cumpriu todo o cronograma, que culminou em junho com o treinamento e a capacitação de 600 profissionais. E, finalmente, em junho foi marcada a inauguração. Nós nos preparamos e cumprimos o contrato que foi feito com a Secretaria de Estado da Saúde. Porém, houve atraso na entrega das ambulâncias. Recebemos somente 7 das 31 ambulâncias previstas e até hoje não temos uma data prevista por parte do Governo de Minas Gerais. Estamos aguardando.

Por outro lado, as 24 ambulâncias USB também estão com atraso de entrega e estamos aguardando, que deve acontecer até setembro.

ATRASO NO REPASSE PODE COMPROMETER A INAUGURAÇÃO DO SAMU

Há um contrato de mais de R$ 7 milhões. O Estado já repassou R$ 3 milhões e falta repassar R$ 4 milhões. Esse contrato suporta todas as compras de materiais e equipamentos para as bases e ambulâncias e também a parte de medicamentos, mobiliários e utensílios. Nós cumprimos todo o cronograma fazendo as licitações e emitindo as ordens de serviço. Esse atraso do repasse dos R$ 4 milhões está provocando um caos e pode prejudicar enormemente a inauguração do SAMU, porque os preços que foram contratados são preços do ano passado ou do início desse ano. Os fornecedores talvez não entreguem os materiais. Isso é muito grave.

VISITAS A OUTRAS CIDADES DA REGIÃO

A partir de segunda-feira (22/08) iremos a várias cidades para fazer uma reunião com a comunidade, com os funcionários públicos, os funcionários que foram capacitados, prefeitos, autoridades, vereadores, para explicar o porquê desse atraso e também explicar, tecnicamente, como será o funcionamento do SAMU, para que a população tenha a consciência e saiba utilizar o SAMU tão logo ele seja inaugurado.

MUNICÍPIOS EM DIA COM OS PAGAMENTOS

A grande maioria dos municípios consorciados está em dia com o pagamento de suas mensalidades. Temos alguns que estão em atraso e estamos negociando. Isso não está afetando o custeio e o funcionamento, as preparações que foram feitas. Os prefeitos têm cumprido com as suas obrigações contratadas desde a fundação do Consórcio. Quase todas as bases centralizadas já estão prontas.

UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS JÁ PAGOS PELOS MUNICÍPIOS

Eles são utilizados no custeio. O SAMU é mantido tripartite, pela União, Estado e Municípios. Os Municípios contribuem com R$ 0,25 per capita há um ano e meio. Isso representa em torno de 15% do custeio total. O Estado, até hoje, está bancando esse funcionamento. Precisamos fazer funcionar o SAMU para que o Ministério da Saúde faça a homologação das bases e do consórcio para que possa iniciar a sua contribuição de custeio do serviço, que é em torno de 50%.

SITUAÇÃO DE LAGOA DA PRATA

Estamos aguardando o Estado marcar a data de inauguração e inaugurarmos o SAMU, que é um benefício enorme para os 54 municípios. Tão logo isso ocorra iremos procurar o Município para tratar desse assunto.

COMO FUNCIONARÁ O SERVIÇO

A Central de Regulação do SAMU será em Divinópolis. O usuário, ao ligar no 192, será atendido por um técnico preparado para fazer uma triagem inicial. O atendente registra a solicitação no sistema e direciona o usuário para um dos três médicos que estarão na central de regulação. O médico conversa com o paciente, avalia a gravidade da ocorrência e decide qual o tipo de atendimento será prestado.

Imediatamente, junto com o coordenador da frota, o médico escolhe qual tipo de ambulância fará o atendimento. A preferência será pelo veículo que estiver na base mais próxima da ocorrência. Após a escolha, o motorista tem o prazo de dois minutos para ligar a ambulância e partir rumo ao socorro da vítima.

O SAMU terá o suporte de 18 hospitais da região, que estarão interligados à central de regulação. A vaga regulada é garantida. O hospital é obrigado a atender o paciente imediatamente.

A área de cobertura do SAMU compreende 54 municípios. Bases descentralizadas, onde ficarão as ambulâncias, serão instaladas em 23 municípios. Cada base receberá uma ambulância do tipo Unidade de Suporte Básico (USB), tripulada por dois técnicos de enfermagem e um condutor socorrista. Outras 7 Unidades de Suporte Avançado (USA) terão um médico entre os tripulantes. A base avançada mais próxima de Lagoa da Prata será instalada em Luz.

LAGOA DA PRATA PODE ADERIR SE O SAMU FUNCIONAR

A Administração Municipal de Lagoa da Prata anunciou em junho que não fará parte do consórcio que administra o SAMU. Em vídeo publicado nas redes sociais, o Secretário de Saúde, Geraldo de Almeida, argumentou que “não faz sentido pagar R$ 12 mil por mês para um serviço que não tem previsão para ser implantado, sendo que já temos o serviço de resgate com equipe totalmente qualificada”, disse Almeida.

O secretário criticou a escolha do consórcio em contemplar Lagoa da Prata com uma ambulância básica. “Não teríamos em nossa base médico e enfermeiro com curso superior. Teríamos apenas técnicos em enfermagem para atender Lagoa da Prata e região”.

“É lógico que o valor de R$ 12 mil mensais é pequeno para um serviço que funciona. Não podemos ser irresponsáveis. Não podemos gastar o dinheiro do município com algo que não tem previsão para funcionar. Quero deixar claro que, a partir do momento que o SAMU mostrar que vai funcionar, Lagoa da Prata pode voltar a fazer parte do consórcio. Não vamos jogar o dinheiro fora pagando por um serviço que não existe”, disse Almeida.

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