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Moradores de Lagoa da Prata falam sobre falta de água em alguns bairros da cidade

A reportagem também entrou em contato com o diretor adjunto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Thiago Souza, a fim de buscar respostas e possíveis soluções para esse problema.

Matheus Costa


Que o país está vivendo uma crise hídrica não é novidade, mas já faz um tempo que moradores de alguns bairros de Lagoa da Prata têm sofrido com a falta de água. Por causa disso, o Jornal Cidade conversou com moradores dos Bairros Paradiso, Etelvina Miranda e Santa Eugênia II para saber como o problema tem os afetado em suas rotinas.

Maicon Rogério é cabeleireiro e morador do Bairro Etelvina Miranda e tem um salão no Santa Eugênia II. Ele tem sido afetado pela falta de água.

“De um tempo pra cá tem acontecido muito, não com tanta frequência, mas tem acontecido essa falta de água ou a falta de pressão também. Fica difícil pra arrumar as coisas, fazer uma faxina, no salão também preciso da água para lavar os cabelos das clientes. Segunda-feira faltou água na parte da tarde, e eu estava fazendo faxina, tive que deixar sem fazer. Na terça-feira faltou água e tive que lavar os cabelos das clientes com baldes de água. Na quarta também faltou.  Hoje, quinta-feira  (23), de manhã, também faltou água. Falta água frequentemente e ficamos sabendo em cima da hora e acabo sendo prejudicado, tenho que dispensar clientes, fica também o inconveniente de pedir para as clientes virem de cabelo lavado; e alguns processos tenho que deixar de fazer , como progressiva, mechas, em que preciso da água; quando falta fico sem fazer”, disse.

Daniela Couto é moradora do Bairro Paradiso e também disse que está sendo afetada pela falta de água.

“Já até liguei no Saae, e me falaram que realmente está muito baixo o nível de água em todos os reservatórios. Mas tem quase um mês que estamos passando por isso de ficar sem água”, afirmou

O que diz o Saae

A reportagem  também entrou em contato com o diretor adjunto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Thiago Souza, a fim de buscar respostas e possíveis soluções para esse problema.

Na noite anterior, por exemplo, faltou água no período noturno no Bairro Paradiro, e o Thiago contou à redação que isso se deu por causa de uma bomba que queimou, a mesma que abastece o sistema Vila Mendonça.

“Esse poço artesiano ficou inoperante ontem durante todo o dia, até que a gente conseguisse fazer a modificação desse equipamento. E graças a Deus, hoje, em torno de 1h da manhã, a gente conseguiu finalizar essa manutenção e voltar a operação desse posto. Mas uma das iniciativas que a gente vai tomar agora no final do ano ou no início do ano que vem, é a construção de um novo reservatório para o sistema Vila Mendonça. O nosso intuito é criar capacidade de armazenamento, ou seja, aumentar ela de forma que a gente tenha reserva de casa, que em casos de situações como aconteceu ontem, que a população não fique sem água”.

No entanto, conforme Thiago ao Jornal Cidade, os problemas não são somente no Paradiso. “A gente tem recebido várias reclamações de moradores dos Bairros Nossa Senhora das Graças, Buritis, Etelvina Miranda e Bairro Gomes, que são áreas abastecidas pelo sistema Vila Mendonça, que hoje é o sistema que tem passado por maiores problemas aqui em Lagoa da Prata em termos de capitação de água”, contou.

Ele informou também que o Saae tem buscado trabalhar desde o início dessa gestão em busca de melhorias na parte de infraestrutura na parte de abastecimento de água.

“A gente monitora os nossos poços artesianos e, ao longo dos últimos tempos eles têm, como diz, não gerado uma oferta de água que a população necessita. E o investimento na parte de abastecimento de água não acompanhou. Então assim, a gente tem feito várias medidas para tentar mitigar esse problema dos bairros, inclusive o Paradiso; já tem cerca de três semanas que a gente tem feito intervenções na rede tanto na parte de reservatórios, quanto na parte de abastecimento das redes de rua. Praticamente tem duas semanas que a gente está mexendo especificamente para abastecimento tanto do Paradiso quanto na Etelvina Miranda e Nossa Senhora das Graças, que são as áreas que a gente está monitorando e que está mais crítico”.

De acordo com Thiago, as intervenções que estão sendo feitas se tratam de intervenções nas vias públicas, ou seja, nas tubulações que direcionam água para os bairros, e também algumas medidas tomadas pelo Saae na parte de bombeamento.

“A nossa expectativa é que em um breve momento a gente esteja solucionando esse problema para os moradores. Numa reunião conjunta que a gente realizou recentemente na Prefeitura, inclusive, alguns representantes do Paradiso participaram, e a gente passou para eles o que pode ser feito e o que o Saae tem tentado fazer durante esse período. Uma alternativa interessante que a gente levantou junto com a equipe de engenharia com os responsáveis de áreas aqui do Saae, é a interligação de um poço artesiano que hoje encontra-se perfurado no Bairro Américo Silva, e decidimos que vamos realizar essa obra agora. Então, esse poço artesiano que vai ser ligado na casa de bombas Vila Mendonça vai mais do que dobrar a capacidade de abastecimento do bairro, porque só ele gera mais água do que todos os poços artesianos que hoje abastecem aquela área. Com essa medida, a gente pretende estar solucionando esse problema”, explicou o diretor adjunto.

Segundo Thiago, resolver a situação da falta de água em alguns bairro da cidade é a prioridade do Saae nos próximos meses, mas pede que a população se conscientize perante ao consumo.

“Como é uma questão de obra cara e muito grande, são quase 2 km de rede, então a gente tem expectativa de construir essa rede num prazo de 100 a 120 dias. Então a gente tem dado andamento no planejamento e vamos fazer essa obra lá, juntamente com outros empreendimentos aqui em Lagoa da Prata, de forma a poder estar resolvendo o problema. Por isso, a gente pede um pouco de paciência da população porque essa crise hídrica tem afetado não só Lagoa da Prata, mas também todas as cidades da região. E é uma preocupação que a gente tem para o futuro, é onde a gente vem pedir para todos os moradores, não só daquela região, mas de toda a cidade, uma contribuição e principalmente a consciência no uso racional da água. A gente tem olhado isso e infelizmente muita gente não tem essa consciência. Banhos menos demorado, fazer reaproveitamento da máquina de lavar, tudo contribui”.

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