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Jovem de Lagoa da Prata é classificado para semifinal da Olimpíada de Língua Portuguesa

Pedro irá representar a Escola Estadual Virgínio Perillo junto com o município e o estado de Minas Gerais na cidade de São Paulo de 17 à 20 de novembro

Segundo Pedro, a classificação é resultado de muita pesquisa e dedicação. (Foto: Escola Estadual Virgínio Perillo).

Reportagem: Bárbara Félix

O jovem Pedro Henrique Oliveira Santos de Lagoa da Prata foi classificado para a etapa semifinal da Olimpíada de Língua Portuguesa. Ele irá representar a Escola Estadual Virgínio Perillo junto com o município e o estado de Minas Gerais na cidade de São Paulo de 17 à 20 de novembro.

Segundo Pedro, a classificação é resultado de muita pesquisa e dedicação, afinal foram cinco meses se dedicando à redação para falar sobre o lugar onde vive, onde abordou questões ambientais da cidade, mas também fala sobre as belezas de Lagoa.

“Escrevi a redação com gênero artigo de opinião com o tema Lugar Onde Vivo. O que me inspirou no tema foi a minha preocupação muito grande com meio ambiente, natureza e o lugar onde vivo, que é a nossa Princesinha do Oeste, cidade tão privilegiada com tantas coisas importantíssimas no eco sistema na vida natural”, contou Pedro.

Para o jovem estudante, a vitória da classificação é um ganho de conhecimento vasto na língua portuguesa.

“Pensar, colocar no papel e saber o quanto sua opinião vale a pena ser expressada de maneira sútil e correta, me acrescentou muito como aluno e como pessoa. Com muito orgulho que falo ser aluno do Escola Estadual Virgínio Perillo. Minha professora a quem tenho eterna admiração Rosana Silva. É um sentimento de alegria, gratidão e muito conhecimento em um trabalho que vem sendo elaborado com muita atenção e disciplina”, declarou o estudante.

A redação também conversou com a professora Rosana Silva. Conforme ela, Pedro já venceu três etapas da Olimpíadas, sendo a escolar, municipal e estadual, a última a mais difícil. Agora o jovem está na etapa regional, e de acordo com ela, estão esperando chance de ir para a final.

A redação escrita por Pedro está disponível no blog que a professora Rosana possui na internet. Confira o texto:

Tão doce quanto amargo – por Pedro Henrique Oliveira Santos

“O lugar onde vivo é Lagoa da Prata, a princesinha do Oeste! Banhada por lagoas, nascentes e pelo Velho Chico, o Rio São Francisco. Nosso município localiza-se no Centro Oeste de Minas Gerais. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2018, a cidade tem 51 mil habitantes. Foi fundada em 1938, após ser emancipada do município de Santo Antônio Do Monte. Um fato curioso é o seu nome, vem de história dos franciscanos que, num dia ensolarado, olharam para o reflexo dos raios do sol na água de uma lagoa, e a imagem se parecia com moedas de prata. Assim nasceu o nome de Lagoa da Prata.

A história do nosso município é conhecida pelo plantio da cana-de-açúcar. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 2017, o Brasil é o maior produtor de cana do mundo, deixando para trás a Índia, a China e o México. Sendo assim, nossa cidade corrobora diretamente para o êxito desses resultados, gerando, por meio da Usina Biosev, mais de 2.500 empregos, contribuindo com o PIB (Produto Interno Bruto) do país.Tal importância é comprovada pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), 2018, ao apontar que o Brasil é mundialmente conhecido pela sua potencialidade no plantio da cana, tendo a Região Sudeste no topo. Desse modo, Lagoa da Prata se destaca na produção de etanol e açúcar.

Vale destacar que a Usina Biosev é a antiga Usina Luciânia, do Coronel Luciano, um ícone do município e em Minas Gerais. Por sua riqueza, chegou a ser conhecido em todo o país como o maior proprietário de terra do Estado, fato noticiado pelo Programa Fantástico, da Emissora Globo.

Nesse sentido, não se pode negar que a usina trouxe inúmeros benefícios para Lagoa da Prata. No princípio, houve geração de emprego, construção de vila para os trabalhadores, onde possuía escola, armazém e cinema, asfaltou ruas do bairro, arrendou terras inapropriadas para o cultivo da cana, mas produtiva para a lavoura de onde eles tiravam seu sustento. Hoje os benefícios continuam com a vinda de trabalhadores de outros estados, ajuda na economia local e no progresso da cidade.

Mas como nem tudo é doce, Ferreira Gullar, poeta brasileiro, afirmou no poema O açúcar: “O branco açúcar que adoçará meu café/nesta manhã de Ipanema/ (…)este açúcar era cana/e veio dos canaviais extensos/que não nascem por acaso/no regaço do vale.” Dessa maneira, a usina também trouxe o gosto amargo com a secagem de muitas lagoas e minas d’água, desvio do curso natural do Rio São Francisco, desmatamento florestal, poluição devido à queimada da cana e uso exagerado de agrotóxicos nas lavouras.

Além disso, a maior polêmica se intensifica no modo como o agrotóxico é manuseado, com o famoso “aviãozinho”, gerando conflito entre os interesses da empresa e a luta de ambientalistas, médicos e população. Há indícios de que esse manuseio potencializa os casos de câncer. Conforme a Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais (2013), regiões de Minas tiveram um aumento de 30% nos casos de câncer e Lagoa da Prata está neste estudo, infelizmente.

Tendo em vista a importância da preservação ambiental para nossa sobrevivência e a influência da usina na economia, instaura-se um grande conflito. Por isso e com forte pressão da sociedade, o uso do aviãozinho que joga pelo ar o agrotóxico ficou proibido  desde 2008. No entanto, em 2017, vereadores cederam à pressão da Biosev e a volta do uso de agrotóxicos por meio do aviãozinho foi iminente. Especialistas alertam a população, porque esse meio é prejudicial ao homem, à fauna e à flora. Antigamente, viam-se várias espécies de pássaros como curió, pintassilgo, patativa do campo dentre outros que não se encontram mais em nossa região.

Portanto, sabendo da importância econômica da usina para Lagoa da Prata e para o país, concomitantemente com a preservação ambiental,  é preciso que a Biosev faça uma parceria com a população, Ong’s, classe política e órgãos ambientais, a fim de se unirem em prol do crescimento sustentável, com medidas eficazes para que a empresa não seja um empecilho, mas, sim, uma aliada na luta da conservação ambiental. A cana é doce, mas as consequências do mal uso dela podem ser amargas”.

 

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