“A leitura engrandece, abre nossos olhos e mente para novos mundos”, diz escritora lagopratense

“A leitura engrandece, abre nossos olhos e mente para novos mundos”, diz escritora lagopratense

Para comemorar o Dia Nacional do Escritor, o Jornal Cidade conversou com escritores lagopratenses, que contaram suas experiências.

(Foto: Allana Castro/Arquivo Pessoal).

Matheus Costa

No dia 25 de julho comemora-se o Dia Nacional do Escritor. A data foi definida em 1960 por um dos maiores representantes da Literatura Brasileira, sendo ele presidente da União Brasileira dos Escritores, João Peregrino Júnior, e pelo seu vice-presidente, Jorge Amado.

Como dizia o maior poeta do século XX, Carlos Drummond de Andrade, “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira”.

Muitas pessoas ainda acham que ler e escrever são detalhes desimportantes para a vida, mas, além de ativar a imaginação, ler também ajuda a melhorar as habilidades na hora de construir um texto bem estruturado e condizente, sem falar no enriquecimento do vocabulário.

Muitos não sabem, mas Lagoa da Prata é uma cidade de muitos escritores, e o Jornal Cidade conversou com algum deles.

(Foto: Tamiris Julia/Arquivo Pessoal).

A Tamiris Julia, de 20 anos, contou ao JC que escreve desde os seus 13 ou 14 anos, pois sempre foi muito criativa. “Chegou um momento que eu não conseguia mais manter todas as ideias dentro de mim, então decidi externar com a escrita. Eu nem sabia que tinha esse dom até então (digo que é dom, pois é algo muito natural). Foi uma surpresa tanto pra mim quanto para meus pais e professores”, contou.

A jovem já tem dois livros físicos publicados, e os outros ela resolveu colocar na plataforma de leitura online e grátis, Wattpad. “Meu primeiro livro foi ‘(S) Cem Segredos’, um suspense juvenil. Agradeço muito ao Nilson e a Lagoacred que me ajudaram a publicar meu primeiro livro. Depois publiquei ‘Ele é um Anjo’, um romance cor de rosa, mas digamos que uma cor de rosa escuro porque quis ser realista com sentimentos e consequências. Eu publiquei o primeiro da trilogia com a editora e os outros dois (‘Apaixonada por um anjo’ e ‘Asas Protetoras’) na minha conta do Wattpad (@tia_tamiris)”, disse Tamiris.

Ela ressalta que não é fácil publicar um livro, “mas acredito que com persistência e com o sonho límpido na frente de nossos olhos somos capazes de tudo. Escrevo por hobby mesmo. Para falar a verdade, é por isso que comecei a publicar na internet. Quero que as pessoas leiam e se divirtam com minhas histórias, só isso, sem custo. Eu faço de coração”, ela contou.

Por fim, Tamiris entende a importância da leitura e escrita, e incentiva todos ao seu redor. Ela mesma contou ao Jornal Cidade que não era uma grande fã de leitura porque tinha preguiça, mas assim que pegou um para ler, não parou mais.

“Existe tanta coisa incrível dentro de um livro! Tantas histórias épicas que nunca serão transformadas em filme, e se forem não terão a mesma riqueza de detalhes. Tanta informação, uma janela para muitos mundos e pontos de vista. Basta achar o que gosta de ler e então vai ver universos inteiros abrindo ao alcance de seus olhos. Escrever é tão mágico quanto, é terapêutico, é uma forma barata de criar, apenas uma caneta e um papel e poderá trazer um tesouro ao mundo”, finalizou.

Para reforçar a ideia de que Lagoa da Prata é cheia de escritores fabulosos, o Jornal Cidade também conversou com a jovem Alanna Castro. Ela contou que quando suas ideias martelaram na cabeça, logo percebeu que era capaz de transformar sentimentos e pensamentos em palavras.

“Sinto como se tivesse lido toneladas de livros. Na época da escola eu sempre passava na biblioteca para pegar uma nova história para ler! E depois de conhecer tantas histórias incríveis, diferentes gêneros literários e autores, ideias sobre personagens e acontecimentos começaram a martelar na minha cabeça como uma forte dor de cabeça! Eu precisava colocar para fora meus pensamentos de algum jeito, e assim percebi que era capaz de transformar sentimentos e pensamentos em palavras, que viriam a se tornar histórias. Por causa do fenômeno Crepúsculo, livros e filmes, na época tentei escrever um livro com o tema mais sombrio. Ainda tenho ele guardado, mas lembro de ficar frustrada por não achar a história boa o suficiente. Depois disso li outros livros e conheci mais gêneros literários, e em 2014, quando estava terminando o ensino médio, finalizei um livro que realmente fiquei orgulhosa em tê-lo escrito. Percebi então que me sentia mais confortável escrevendo romance e suspense. Essa história ainda não publiquei, mas quero. Hoje tenho sete livros escritos e um publicado. Um dos meus grandes sonhos é publicar todas as minhas histórias”, contou.

Alanna disse que também não era muito fã de leitura, e que acha importante os pais e mestres mostrarem o leque de opções e gêneros literários aos filhos e alunos. “Nem sempre gostei de ler. Na época das fichas literárias que as professoras de português davam como dever de casa, eu procurava livros com ilustrações nas páginas e letras grandes para parecer que o livro era grosso, porque eu tinha preguiça de ler. O gosto pela leitura veio quando cresci e descobri escritores geniais como Rick Riordan, Harlan Coben e Dan Brown. Por isso acho importante os pais e mestres mostrarem o leque de opções e gêneros literários aos filhos e alunos, para a criança e adolescente descobrir o que gosta de ler”, disse ela.

A jovem é autora do livro de ficção ‘Mentes Complexas’; seu primeiro livro publicado é um suspense que, segundo ela, fala sobre pessoas que foram feridas e que buscam vingança com as próprias mãos, pois não acreditam e não confiam que a lei dos homens fará justiça por elas.

“Sempre que começo a escrever uma nova história, tenho medo de não conseguir finalizá-la, mas com Mentes Complexas a ideia fluiu bem. Eu estava economizando dinheiro e o passo seguinte era a publicação, eu precisava de uma boa editora. Conversei com uma escritora da minha cidade e ela me falou um pouco sobre a editora que publicou o livro dela. Portanto, paguei sozinha pela publicação de Mentes Complexas, mas receber e ver meu livro com capa e meu nome nela e saber que as pessoas poderiam adquiri-lo comprando pela Internet ou escolhendo para leitura na Biblioteca Pública Coronel José Vital, pois disponibilizei um exemplar autografado de Mentes Complexas lá, é algo que aquece meu coração, me deixa muito feliz!”, contou Alanna.

Sabe-se que o mercado literário do Brasil não tem o devido reconhecimento por ser um país que não tem o hábito da leitura. De acordo com a pesquisa feita pela empresa Picodi, que analisa os hábitos de compras dos brasileiros, aponta que 31% da população não lê livros. Mesmo assim, Alanna não pensa em desistir de seu sonho. “Gostaria que meu nome e ideias fossem reconhecidos no meio literário. Sei que é difícil conquistar espaço no mercado literário, mas minha sementinha já plantei para todos que quiserem conhecer! Escrever para mim é um hobby que levo muito a sério, jamais publicaria um livro que não senti prazer ao escrevê-lo”, contou.

Para aqueles que ainda não levam a leitura e escrita como algo necessário, Alanna deixou um recado.

“A leitura engrandece, abre nossos olhos e mente para novos mundos. Quando lemos, nos tornamos mais críticos com certos assuntos, mas também empáticos, porque nos colocamos no lugar dos personagens e refletimos as mensagens que o autor quis passar com a história. Eu não acredito que existam pessoas que não gostam de ler, acho que existem pessoas que ainda não conheceram o livro e autor que irá mudar sua visão sobre a literatura! Mas é só uma questão de tempo para o novo leitor começar a ler e se apaixonar por personagens e descrições de lugares. A aventura está no abrir de um livro, deixe-se levar pela magia das palavras. Seja leitor”, finalizou ela.

A presidente da Academia Lagopratense de Letras (Acadelp), Adircilene Batista, disse ao Jornal Cidade como faz falta espaços e eventos nesse momento de reflexão e isolamento social, mas que a luta pelos escritores continua.

“Mas, hoje, em meio a tempos pandêmicos, louvamos a internet que nos permite ter acesso a histórias, poemas lidos, contados e cantados por tantos artistas. Histórias, e-books, uma variedade de aplicativos literários e as lives tão presentes. Programação com a arte direcionada a todos sem distinção. É assim, através das nossas páginas na internet que os escritores da Acadelp e integrantes do Grupo Acadelp em Seresta vem cantando, recitando, contando histórias, incentivando a leitura e a escrita e principalmente levando alegria, fé e esperança de dias melhores”, contou ela.

(Foto: Adircilene Batista/Arquivo Pessoal).

Adircilene ainda disse que a literatura, a música e a arte não têm a pretensão de curar ou sanar as dores do mundo, “mas com certeza, traz alento, fé e esperança. Sabemos que a arte não trará consolo, mas muitas vezes a história, dramas e tragédias partilhadas, também são nossas e assim exercitamos a empatia, a resiliência e vamos ganhando forças para acreditar que tudo isso passará e que dias melhores virão. E, claro com livros físicos, nossos encontros e atividades culturais presenciais de volta”, disse.

Por fim, a professora deixou um recado a todos os escritores. ”Parabéns a todos os escritores e artistas que em meio a tempos de isolamento social de alguma maneira levam arte e amor a todos.  E com amor, a arte pode ser um pequeno bálsamo em nossas vidas. Leia, cante, valorize, partilhe arte e amor você também.”, finalizou.

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