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Pais de Lívia, a matricularam no caratê para garantir segurança da filha (Foto: Iago Junio/Arquivo Pessoal)
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Dar confiança às filhas e mostrar que elas terão maturidade e condições de reagir a uma situação de perigo. Essa é a intenção dos pais, de Lagoa da Prata, que motivados pela insegurança nas ruas e nas escolas, devido à criminalidade e violência vistos nos noticiários, têm incentivado a prática do karatê como forma de prevenção, crescimento pessoal e autodefesa.

Aliando a preocupação com o crescimento seguro da filha e a vontade de Lívia Almeida de 10 anos em praticar algum esporte, os pais Adriano Machado e Eliane Almeida a matricularam em uma escolinha de karatê da cidade. Segundo eles, o esporte trouxe para Lívia novas ferramentas de defesa e valores como respeito, disciplina, amadurecimento, autocontrole e autoconfiança.  “Eu sou defensor público, e por estar habituado a vivenciar causas relacionadas à violência contra a mulher e criminalidade em geral, matriculei minha filha no caratê para dar a ela uma segurança maior. E não só isso, o esporte incentiva a disciplina, o autocontrole, fortalece a confiança e a autoestima, diversos princípios que darão forças a minha filha, quando ela precisar”, afirmou Adriano.

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Mas não foram só os pais de Lívia que procuraram a escolinha por esse motivo, a mãe de Vitória Gabriela, de 9 anos, também se atentou à segurança e aos cuidados com a filha. Elaine Aparecida que cuida das três filhas sozinha, já que o marido é empresário e viaja constantemente para o estado do Pará, matriculou a filha há cinco meses no caratê, justamente por temer a violência. “Hoje a gente lê muitas notícias sobre violências contra meninas na escola, nas ruas, e eu tenho muito medo. Além do mais, só com meninas em casa, e na ausência do meu marido, precisamos arrumar meios para nos defender. O karatê é um esporte muito educativo, disciplinar, com certeza ajudará muito na formação da minha filha”, disse.

No entanto, além dos pais estarem preocupados com a garantia da segurança para as filhas, a aluna Érica Cristina, de 16 anos, entrou por conta própria como meio de prevenção dos atos. Ela é praticante de karatê há um ano e meio e, apesar de não ter sofrido nenhum abuso ou violência sexual, afirma que é necessário estar preparada. “O mundo está muito perigoso, são muitos roubos e violências, o caratê me proporcionou segurança para me defender quando precisar, além de melhorar minha educação e incentivar a formação do meu caráter. Hoje, além de exercer o esporte por segurança, eu o faço por amor, aprendi a amar“, finalizou.

Apesar da preocupação dos pais quanto aos abusos sexuais e físicos, o professor Iago Junio informou que a ideia do esporte não é treiná-los para lutar, mas sim dar condições de utilizar os recursos para evitar a violência. Segundo o professor, o karatê tem objetivos de desenvolver valores importantes para a formação de vida dos atletas.

O proprietário da academia Ricardo Costa, também disse que além da autodefesa, o karatê trás para o aluno condições de superação das frustrações durante a vida. E por se tratar de um esporte individual, os praticantes aprendem o sentido de perder e ganhar, por motivos próprios. “Ninguém está preparado para frustrações ou insucessos. O caratê auxilia nessa preparação, a partir daí os alunos crescem com a ideia de que nem sempre irão ganhar.  E criam uma avaliação de que as conquistas dependem exclusivamente deles mesmos“, destacou.

Por: Globo Esporte

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