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Ivan José Lopes, chefe do 7º Departamento da Polícia Civil em Divinópolis.
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O chefe do 7º Departamento da Polícia Civil em Divinópolis, Ivan José Lopes, concedeu entrevista ao repórter Luiz Francisco da rádio Veredas e esclareceu algumas situações sobre a ação da Polícia Civil na região.

Luiz Francisco: Há algum tempo estamos tendo problema em atuações de quadrilhas especializadas em assaltos. Como exemplo,podemos citar as explosões  em caixas eletrônicos de cidades vizinhas. Como tem sido investigação da Polícia Civil para chegar até esses indivíduos?

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Ivan Lopes: Lamentavelmente esse tipo de crime tem acontecido. Não se trata de assalto, politicamente é furto, ou seja, não tem violência contra a pessoa e por causa da nossa legislação a punição não é tão severa quanto gostaríamos que fosse, mas é a lei. Trabalhamos em um Estado democrático. Esse tipo de crime causa realmente pânico para a sociedade. Do ano de 2014 para 2015 teve uma redução desse tipo de crime na região, mas desde o meio do ano passado tivemos esses episódios.  A Polícia Civil tem investigado, instaurado inquérito e apurado todos esses fatos. Na verdade, muitas vezes uma quadrilha é identificada e presa em outras regiões e aí acaba apurando o crime. Por exemplo, na última semana de dezembro uma quadrilha foi identificada e presa em Curvelo/MG, e com isso, apurou-se que esses indivíduos realizaram vários assaltos em nossa região. Não podemos imaginar que elas estão em nossas cidades, pois, muitas vezes elas têm uma atuação mais abrangente.

Luiz Francisco: Há alguma suspeita de que mais de uma quadrilha esteja agindo na região?

Ivan Lopes: O Departamento de Operações Especias (DOS) está trabalhando juntamente conosco da Polícia Civil. Não posso entrar em detalhes, mas o serviço está bem adiantado e estamos monitorando esses tipos de criminosos. Além das investigações pontuais em cada cidade, temos um serviço de inteligência na área de todo o nosso departamento tentando fazer o entrosamento de todas as nossa unidades. É importante destacar que o trabalho de Polícia Civil é a investigação do crime que não foi evitado, então, é muito importante que seja evitado este tipo de crime. Temos aí dinheiro, ausência de vigilância e então está só faltando a disposição dos criminosos. Já falamos em reuniões com instituições financeiras que deve haver a modificação nesse sistema. Fica muito fácil, colocar dinheiro exposto e não ter vigilância nessas unidades. Claro, a culpa não é deles, e sim do criminoso, mas cada empresa e cidadão tem que fazer a proteção do seu patrimônio. Esse tipo de crime se expandiu pelo Brasil todo, não é, infelizmente, um privilégio da nossa região.

Luiz Francisco: Pedimos informação sobre o ocorrido na Caixa Econômica Federal de Santo Antônio do Monte para levar a notícia até a população, mas nos disseram que era um crime em uma instituição federal, e que podiam nos falar. Por qual motivo essas informações não podem ser passadas?

Ivan Lopes: Nossa legislação define algumas situações em que alguns tipos de crime afeta o bem da União é de competência da Justiça Federal, portanto é de atribuição da Polícia Federal. No caso da Caixa Econômica, esta é uma empresa pública da União, assim como os Correios. Quando essas duas são vítimas de algum crime a polícia que trabalha na investigação é a Polícia Federal e para julgar também será a Justiça Federal. No caso de Santo Antônio do Monte aquele furto qualificado é de atribuição da Polícia Federal.

Luiz Francisco: O fechamento das delegacias durante a noite deixa cidades do interior mais vulneráveis. Bem como o número pequeno de detetives e outros funcionários da Polícia Civil. Como isso pode ser resolvido?

Ivan Lopes: Primeiramente, não podemos afirmar que as ações dos bandidos acontecem devido as delegacias estarem fechadas. Em 2011 foi instituído em Minas Gerais o plantão regionalizado, que tem o objetivo de adequar a carga horária semanal dos profissionais e em relação ao quadro existente em Minas Gerais. Hoje é impossível impor a estes policiais trabalharem 24 horas. Os policiais são trabalhadores e trabalhadores não podem ser submetidos ao trabalho escravo.  A solução encontrada foi trabalhar nos finais de semana e noite com o sistema de plantão. Estamos confiantes que isso deva ser minimizado, pois o governado já  avisou que deve nomear a qualquer instante mil novos investigadores e confiamos também que ele abra novos concursos para outras carreiras.  Após isso acontecer, eles farão o curso de formação e muitos deles irão para Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte e toda a região. Sabemos que isso traz desconforto para o cidadão, para a Polícia Militar e também para a Polícia Civil.

Avanços

Em Santo Antônio do Monte no ano passado foi registrado uma redução de roubos em quase 50% em relação a 2015.  “A nossa região não é uma das piores de Minas Gerais e nem do Brasil. Em breve várias operações vão acontecer na região e depois será noticiado. Temos três programadas”.

Só em Lagoa da Prata o número de homicídios reduziu 70% em relação a 2014. “Em 2014 tivemos 10 homicídios, enquanto que em 2015 foram três. A nível de Brasil estamos muito bem. O ideal é que fosse zero. Além de ter sido reduzido também foram apurados. Isso é espetacular”.

Em 2015 o município de Japaraíba não registrou nenhum homicídio.

Na cidade de Moema, após ter sido reativada a delegacia também se conseguiu um investigador e uma escrivã, conforme explica Ivan Lopes.

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