Vereadores acusam presidente da Câmara de exonerar profissionais para nomear funcionários de interesse do prefeito

Vereadores acusam presidente da Câmara de exonerar profissionais para nomear funcionários de interesse do prefeito

Três funcionários foram exonerados para dar lugar a três indicados pela presidente da Casa, Josiane Almeida. Oposição alega que Câmara investiu durante muitos anos em especialização do corpo técnico e que Josiane agiu para atender interesses da Prefeitura.

(Foto: Alan Russel)

Por: Alan Russel

A Câmara Municipal de Lagoa da Prata realizou sessão tensa e acalorada na última segunda-feira (23). Além dos requerimentos e projetos de leis apresentados, alguns vereadores fizeram o uso da palavra livre para agradecerem aos funcionários exonerados pela presidente da Câmara e também para repudiar a escolha de troca de funcionários por escolha da vereadora Josiane Almeida

Entenda o caso

No dia 18 de setembro foi publicada no Diário Oficial a exoneração do assessor parlamentar, Mauro Bernardes e do assessor de gabinete da presidência, José Osvander Borges. Os dois tinham 10 e 6 anos de serviços prestados à Câmara, respectivamente. No dia 20 de setembro foi a vez da assessora parlamentar, Glorestina Maria Rodrigues a ser exonerada. Glorinha, como era conhecida, trabalhava na Câmara há 28 anos.

Josiane Almeida, presidente da Câmara de Lagoa da Prata, juntamente com o novo corpo técnico do Legislativo.

Apenas o presidente da Casa Legislativa tem o poder de exonerar ou nomear profissionais para cargos de comissão na Câmara Municipal. Para ocupar o lugar dos exonerados, Josiane, conhecida como a protetora dos animais, nomeou no dia 19 de setembro, Andréia Isabel Lopes, para o cargo de assessor parlamentar da Casa. Andréia é advogada e já foi procuradora do município. Recentemente, Andréia foi escolhida pelo prefeito Paulo Teodoro como interventora no Hospital São Carlos. No dia 23 de setembro foi a vez de Carla Fernanda Batista Borges ser nomeada no cargo de assessora parlamentar.

Resposta da Oposição

Os vereadores da oposição não gostaram nada da atitude da presidente da Casa. A primeira a usar a palavra livre foi a vereadora Cida Marcelino. Com um discurso emocionado, Cida agradeceu os serviços prestados e salientou que foi muito bem assessorada durante anos pelos servidores exonerados.

O vereador Joanes Bosco foi mais pesado em seu discurso. Além de agradecer aos exonerados pelos anos de trabalhos prestados, Joanes disse que depois de muito tentar, o prefeito conseguiu conquistar a Câmara dos Vereadores: “Por muitos anos, o prefeito tentou, mas dessa vez ele conseguiu. Ele tentou ganhar o Hospital e perdeu. Ele tentou ganhar a Câmara de Vereadores e infelizmente dessa vez ele conseguiu. O que eu vejo aqui são vereadores passar a mão na cabeça de prefeito. E não estamos aqui para isso. Aqui é casa de leis. Fico muito triste por Lagoa da Prata, porque pensei que estávamos livres, mas infelizmente não é isso que eu vejo agora”, completou Joanes.

A vereadora Quelli Couto também usou a palavra livre e não poupou a presidente da câmara de suas palavras. “Eu já estive como presidente da Câmara e todos que estiveram na presidência respeitaram os servidores que aqui prestam serviços. A Câmara fez durante muitos anos investimentos de capacitação desses profissionais e eu quando estive presidente nunca quis fazer da Câmara um cabide de empregos.”

Quelli continuou usando sua fala livre apontada para a figura da atual presidente da Casa. “Não irei aceitar que isso aqui vire puxadinho e extensão de gabinete de prefeito! Peço desculpas a todos por ter ajudado a eleger a pessoa que está hoje na presidência dessa casa. Errei! Peço desculpas por ter ajudado a colocar uma pessoa imatura, incapaz, de atitude mesquinha, nojenta, desonesta e que não teve a decência de entregar carta de exoneração aos servidores, e nem de agradecer aos trabalhos prestados durante todos esse anos. E não adianta a presidente vir dizer que está aqui pelos animais. Porque quem votou em você foi gente. Você pode estar aqui pelos animais, mas quem foi às urnas foram seres humanos”, finalizou a fala direcionada para a vereadora Josiane.

O vereador Olair Castro, mais conhecido por Preto, tentou colocar panos quentes na discussão alegando que a prerrogativa de exoneração é opção da presidência da Câmara e que, se ela decidiu exonerar e nomear outros funcionários, foi por escolha que garantisse segurança para o presidente da casa de leis. Nesse momento algumas pessoas que estavam no plenário protestaram e o vereador Preto bateu boca com alguns presentes. Diante da tensão a presidente da Câmara interveio e solicitou que o segurança da Câmara retirasse um cidadão do plenário. A intervenção só não aconteceu por interferência do vereador Joanes Bosco, que foi até a tribuna e amenizou a situação.

Presidente da Câmara se defende de acusações

Josiane usou a tribuna para justificar sua escolha de exonerar e nomear outro corpo técnico e após a sessão falou com a reportagem do Jornal Cidade.

“Fiquei muito triste com as fortes palavras da vereadora Quelli. Primeiramente, porque nunca a tratei dessa maneira. E, segundo, porque como ela bem sabe, a prerrogativa de exonerar e nomear cabe apenas a presidência da Câmara. Se acontecer qualquer coisa de errado a responsável sou eu e procurei trazer pessoas da minha confiança. Outro motivo pela escolha é para dar oportunidade para outras pessoas mostrarem seu trabalho. É um processo natural. Todas as pessoas devem ter oportunidade de trabalhar. Tenho certeza que fiz a escolha certa”, completou a presidente da Câmara.

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