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Vacinação na região Centro-Oeste MG segue em ritmo lento

Santo Antônio do Monte é a única cidade que se destaca pelo avanço. Japaraíba é a segunda cidade que mais avançou na vacinação, tendo iniciado a imunização de pessoas com idade acima de 45 anos na terça-feira (7).

Roberta Oliveira

Analisando os dados das cidades como Arcos, Formiga, Lagoa da Prata, Luz, Japaraíba e Santo Antônio do Monte, a média de imunização completa destas cidades, fica entre 10 e 12%. Apesar de a maioria ter vacinado um pouco mais que a média nacional para a 1ª dose no Brasil (37%), algumas cidades tem demorado para avançar nas faixas etárias para aplicação da vacina. Como é o caso de Arcos, que nesta semana iniciou a vacinação para pessoas com idade entre 52 e 51 anos. Luz também começou a vacinar na faixa etária a partir de 55 anos, indo aos 49 anos, nesta semana. Formiga é a mais vagarosa, iniciando a vacinação para pessoas com idade entre 55 a 59 somente esta semana.

Samonte é a cidade que mais avançou. Nesta quinta-feira (8), a Secretaria de Saúde iniciou a vacinação para cidadãos com idade acima de 34 anos, além de estender o prazo para vacinação em três dias da semana, para até às 18h, atendendo, assim, aos cidadãos que trabalham. A secretária de Saúde, Carla Lorena, criou o Centro de Vacinação em maio, com o intuito de ter maior controle da vacinação e otimizar os gastos com insumos, pessoal, entre outros.

                                                     (Foto: Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte/Comunicação).
                                                            (Foto: Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte/Comunicação).

Centralizando o atendimento, fica mais fácil controlar os frascos de vacina abertos. Carla explica que, dependendo do ritmo de vacinação do dia, os últimos frascos são abertos até duas horas antes do final do expediente, para evitar perdas. “Caso haja uma fila extensa, próxima do final do expediente, a gente conta quantas pessoas tem e abre os frascos de acordo com a demanda”, explica. A Secretaria de Saúde também investiu em materiais específicos, como a aquisição de seringa própria para a aplicação da vacina.

Questionada se o avanço da vacinação para faixas etárias abaixo dos 40 anos teria alguma relação com a baixa procura do público de faixas etárias entre 50 a 64 anos, Carla explica que, entre os idosos, a cidade já vacinou cerca de 60% da cobertura vacinal prevista pelo Ministério da Saúde (a cobertura leva em conta a população estimada de cada município, dentro de cada faixa etária). “Infelizmente tem muita gente que não quer vacinar. Mas eu não deixo vacina parada em estoque. Assim que as vacinas chegam, eu já programo a vacinação daquela semana. Tudo que chega, eu já gasto na mesma semana, por isso eu avanço sempre nas idades”, afirmou a secretária.  Ela também afirmou que campanhas incentivando a vacinação na cidade começarão a ser realizadas.

Para se ter uma ideia de como a demanda varia de acordo com as gerações, durante a vacinação do público entre 50 a 59 anos, a procura pela vacina foi pequena, já a turma dos 40 provocou fila na última sexta-feira, dia 2 de julho. Nesta semana, com público na faixa dos 34 a 39 anos, a procura também foi alta. O avanço tem chamado a atenção das cidades do Centro-Oeste MG e a Prefeitura precisou alertar nas redes sociais que a vacinação é apenas para cidadãos santo-antonienses, mediante apresentação do Cartão da Família, CPF e Cartão do SUS.

Como as novas faixas etárias abrangem um público que trabalha o dia todo, Carla afirmou que, em breve, deverá promover a vacinação em alguns sábados, fato que será amplamente divulgado, como tem sido feito no caso da informação sobre os novos horários de vacinação.

O horário de atendimento para vacinação também é um diferencial. Samonte é a única cidade da região que atende o dia todo, das 8h às 17h, com extensão de horário até às 18h, três vezes na semana. Para a vacinação desta quarta, para o público acima de 34 anos, a Secretaria estendeu o horário até às 20h. Em Lagoa da Prata, o atendimento acontece somente na parte da manhã, em Arcos e Luz, apesar de funcionar o dia todo, o horário da vacinação varia de acordo com a faixa etária; em Formiga, a vacinação só ocorre mediante agendamento via site da Prefeitura, o que já provocou inconsistências (pessoas fora da faixa prevista agendando sua vacinação) ou agendando e não comparecimento ao posto. Em Japaraíba, a vacinação acontece somente no período da tarde.

Japaraíba é a segunda cidade que mais avançou na vacinação, tendo iniciado a imunização de pessoas com idade acima de 45 anos na terça-feira (7). Já Lagoa da Prata, que começou a vacinação num ritmo bom, caiu no decorrer dos últimos meses. Somente nesta semana a Secretaria de Saúde abriu a vacinação para faixas etárias abaixo dos 49 anos. A vacinação será decrescente, a cada dois anos, em locais específicos. Até a quinta-feira (9), a cidade pretende vacinar pessoas até os 44 anos. A secretária Margarete Borges disse em vídeo nas redes sociais da Prefeitura, que “devido a alta taxa de internação dos cidadãos com idade acima dos 40 anos, iremos priorizar a vacinação destas pessoas por faixa etária, não sendo incluído nenhum novo grupo”.

Avanço da vacinação já mostra resultados positivos em Santo Antônio do Monte

Na última semana, entre os dias 30 de junho e 7 de julho, Santo Antônio do Monte registrou apenas 54 novas infecções do novo coronavírus. O último registro de óbito da cidade aconteceu no dia 16 de junho. Para se ter uma ideia, em Lagoa, somente nesta terça-feira (6), foram registrados 55 novos casos e duas mortes. Lagoa já contabiliza 150 óbitos desde o início da pandemia.

Samonte registrou uma taxa de maior infecção na população entre 20 e 29 anos e apenas duas novas infecções para cidadãos acima de 70 anos. Vale lembrar que mesmo vacinados, os cidadãos podem contrair a covid-19, mas os riscos de desenvolver quadros graves da doença são mínimos. Apenas duas pessoas, dos 54 casos registrados, precisaram de internação na última semana na cidade.

É fato: quanto mais as cidades avançam nas vacinações, menor o índice de internação ou mortes. Mas, para isso, é necessário que todos se conscientizem da importância da vacinação, não apenas para si, mas para toda a comunidade. Para finalmente nos vermos protegidos do vírus, é preciso que pelo menos 70% da população esteja vacinada. Samonte é a cidade com o mais alto percentual de vacinados da região, cerca de 40% já receberam pelo menos a  1ª dose da vacina. A população totalmente imunizada está na faixa dos 12%. Carla Lorena não descarta fazer campanhas de incentivo à vacinação para melhorar ainda mais este quadro.

Medo de possíveis reações gera baixa procura por vacinas

Muitas pessoas tem receio de tomar a vacina devido às possíveis reações que ela possa causar. Alguns têm medo, inclusive, de sequelas, como trombose. Mas as reações são normais e até desejadas, do ponto de vista da ciência. O imunologista Tiago Bruno Rezende de Castro afirma que “uma das preocupações das pessoas é em relação às possíveis reações das vacinas. Antes, é importante esclarecer a diferença entre reações indesejadas e ‘reações’ desejadas. Ao criar uma vacina queremos que o organismo “acredite” que a vacina é o patógeno real, e é importante que o organismo “ataque” a vacina para que ative seus mecanismos de defesa. Essa reação do organismo é desejada e necessária, podendo incluir febre baixa e dores no corpo, principalmente na segunda dose que irá durar não mais que 24 horas. Não existe nenhum motivo para preocupação e isso é algo esperado. É apenas o organismo reagindo ao conteúdo da vacina como se fosse uma doença real, apesar de que algumas pessoas podem não observar esses efeitos. Nesse momento você estará desenvolvendo imunidade sem nenhum custo para a vida, pois se trata de um falso alarme criado pelo sistema imunológico e a vacina é feita para que o seu organismo se esforce para produzir anticorpos.

Reações indesejáveis são as verdadeiras reações e são raríssimas, na maioria das vezes facilmente tratadas. Os relatos que ficaram conhecidos na Europa no início do ano foram os casos de coagulação do sangue em pacientes que tinham sido vacinados com a vacina Astrazeneca. Isso levou alguns países a paralisar a vacinação por alguns dias, até que foi finalmente retomada. Motivo de preocupação? Muito pelo contrário, segundo a BBC, na Europa 309 casos de coágulo sanguíneo foram registrados, desses, 56 resultaram em morte de um total de 23 milhões de doses aplicadas. Com uma probabilidade ínfima dessas é difícil até mesmo correlacionar com confiança estatística que a vacina foi realmente a causadora dos problemas. Esperar para ser imunizado pela infecção natural de COVID-19 é milhões de vezes mais perigoso do que ser vacinado”.

Tiago reforça também a importância de se tomar a segunda dose da vacina: “A segunda dose é também muito importante (exceto no caso da Johnson & Johnson), o primeiro contato com a vacina traz uma imunidade razoável mas insuficiente para garantir a completa proteção necessária para evitar a reinfecção e transmissão que se torna efetivo após 14 dias da segunda dose. Os protocolos usados para o tempo de aplicação entre a primeira e segunda dose têm sido diferentes entre diferentes países, mas não há motivos para preocupação. O papel da segunda dose é causar o impulsionamento da imunidade adquirida na primeira dose, e os diferentes protocolos conseguem atender esses objetivos”.

* Tiago Bruno Rezende de Castro é natural de Lagoa da Prata. Ele é formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, é mestre em bioquímica e doutor em bioinformática pelo programa de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e é pós-doutorando na Universidade Rockefeller e trabalha na área de imunologia

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