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Surto de conjuntivite assusta moradores de Lagoa da Prata

A procura por consultas de urgência para os casos de conjuntivite vem aumentando nos últimos dois meses, porém, nas duas últimas semanas, ficou mais intensa

Assim como em grande parte do estado mineiro, Lagoa da Prata está vivenciando um período de surto de conjuntivite. Minas Gerais já registrou 118 surtos da doença em 60 municípios. De acordo com o médico Diogo Chaves, o problema está sendo causado por um vírus, o que difere da conjuntivite bacteriana: “Os casos que estamos atendendo na rede municipal têm como causa principal o Adeno vírus, ou seja, não é conjuntivite bacteriana, que é pouco comum. Então, o que temos que tomar mais cuidado é com a higiene, que realmente é o que vai prevenir e ajudar no controle da doença”, alerta.

Além desse cuidado, o Dr. Diego orienta sobre uso de produtos caseiros que podem atrapalhar, quando se descobre que está conjuntivite. “Às vezes as pessoas têm o hábito de usar água boricada, e isso irrita ainda mais a conjuntiva, piora o inchaço nos olhos. Tem aqueles ainda que lavam os olhos com chás, e outros produtos indicados por amigos, mas também não é o correto, porque aumenta a chance de piorar o problema”.

O radialista e estudante de Direito Ricardo Freitas está com conjuntivite e conta como ela se manifestou: “Primeiro o cantinho do meu olho amanheceu inchado. No dia seguinte mais inchado ainda. Só no local em que faço estágio são mais três com conjuntivite. Fui à UPA, e recomendaram que eu me afastasse do trabalho, o que me foi falado é que essa licença é mais para proteger os outros trabalhadores do que a mim, o afetado pela doença. Meu olho ficou muito vermelho, tive uma dor que incomodou e um ardor. Notei também que, dentre umas 15 pessoas que aguardavam na recepção da UPA, 8 estavam com conjuntivite.”

radialista e estudante de Direito Ricardo Freitas está com conjuntivite e conta como a doença se manifestou

Para esclarecer melhor sobre o assunto, a Oftalmolologista Indramara de Melo Pinto deu uma entrevista exclusiva para o Jornal Cidade. De acordo com a médica, a procura por consultas de urgência de casos de conjuntivite aumentou bastante nos dois últimos meses e intensificou ainda mais nas duas últimas semanas.

Jornal Cidade: Quais os principais sintomas da conjuntivite?

Drª Indramara: Vermelhidão, coceira, dor, sensação de areia nos olhos, fotofobia (aumento da sensibilidade à

luz), edema nas pálpebras, embaçamento visual e sintomas gripais, por exemplo secreção nasal e mal-estar.

Como é feito o tratamento?

O tratamento é feito com anti-inflamatórios tópicos, muitas vezes antibióticos tópicos associados ao anti-inflamatório para profilaxia de infecções bacterianas, e anti-inflamatórios sistêmicos nos primeiros dias. Pode-se usar também compressas geladas sobre os olhos e lágrimas artificiais, mas que não resolvem usados isoladamente.

Por que essa época é mais propícia para o aumento de casos de conjuntivite?

Calor e tempo seco são fatores favoráveis para infecções oculares.

Quais os tipos de transmissão da doença?

A transmissão se dá através do contato com a secreção causada pela doença e também por objetos contaminados:

  • Usar maquiagem da pessoa contaminada com o vírus (ou bactéria);
  • Usar a mesma toalha ou dormir com o mesmo travesseiro da pessoa contaminada;
  • Através do toque em objetos ou lugares contaminados como corrimão, maçanetas, etc;
  • Partilhar óculos ou lentes de contato;
  • Abraços e beijos;
  • No caso da conjuntivite viral, a transmissão pode ocorrer também através de espirros e tosses.

O que pessoa deve fazer se pegar a doença?

Inicialmente manter as mãos sempre limpas, usar lenços descartáveis para secar os olhos, lavar os olhos com soro fisiológico ou fazer compressas geladas sobre as pálpebras, e evitar o contato próximo com outras pessoas para evitar a transmissão. Importante procurar o oftalmologista assim que possível para iniciar o tratamento adequado, e nunca se automedicar.

Existe um grupo de pessoas mais propenso a ter conjuntivite?

  • Pessoas com histórico de alergias;
  • Pessoas que tiveram algum problema respiratório recente;
  • Pessoas diabéticas, por baixa imunidade;
  • Pessoas que tomam corticosteroides, que também causam baixa imunidade;
  • Recém-nascidos ou idosos, que são mais sensíveis ao calor, à luz, ao frio, à fumaça e a germes patogênicos.

Obrigado pela entrevista, o espaço está aberto caso queira fazer alguma consideração.

Agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre esta infecção que está se disseminando em várias cidades em

todo o país, para alertar sobre formas de contágio e sobre a necessidade de procurar um especialista para tratar.

Muitos pacientes acham que conjuntivite é sempre igual e consideram uma doença com pouca importância. Porém, especialmente a ceratoconjuntivite viral, pode deixar sequelas importantes se não tratada de forma adequada e no momento certo.

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