Sujeira e lixo fazem parte do cotidiano de moradores em Lagoa da Prata

Sujeira e lixo fazem parte do cotidiano de moradores em Lagoa da Prata

A limpeza urbana não se trata só de preservar o meio ambiente, mas também de saúde pública. Em Lagoa da Prata, ela é uma pedra no sapato das gestões do município.

Karine Pires


A sujeira e o descuido têm sido realidade em Lagoa da Prata, o que representa uma ameaça à saúde pública da população. Mesmo diante da pandemia da covid-19, em que há restrições de circulação de pessoas, a sujeira e o lixo têm feito presença em lotes vagos da cidade. Desta forma, o Jornal Cidade entrou em contato com a Prefeitura para saber o que tem sido feito para tentar resolver a situação, uma vez que o problema vem de gestões passadas também. Mas outra pergunta que se deve pontuar é que até que ponto a população tem sua parcela de culpa, uma vez que bens públicos são pichados e quebrados, bem como lixos não são jogados em locais corretos?

A diarista, Nízia Beatriz, é moradora do Bairro Nossa Senhora das Graças, e ela relatou à redação do Jornal Cidade que por lá há muita sujeira. “Já cheguei até a reclamar sobre isso, mas não adiantou. Muitos móveis, fraldas e sacolas de plástico foram jogados em lotes e ruas. Isso vira foco de dengue!”, ressaltou. Nízia destaca que além do lixo nas ruas, às vezes, o lixo não é coletado. “Já aconteceu muitas vezes de não coletarem, aí os cães rasgam e fica tudo espalhado. Na minha casa tenho um cesto na calçada pra colocar o lixo, mas muitos moradores do bairro colocam nas esquinas.” informou Nízia. Já Juliano Rossi, é morador do Bairro Paradiso, e relatou à redação que há muitos lotes sujos e outros com mato próximo à sua casa. “Não me lembro de ter sido feito algum mutirão de limpeza no bairro”, explicou Juliano.

 

Leninha Aparecida, é diarista e moradora do Bairro Marília. Ela aponta que há a necessidade de se fazer mutirões de limpeza com frequência. Ela também disse que às vezes, moradores podem depositar o lixo em lotes vagos não por questão de falta de consciência, mas porque não tem dinheiro para alugar uma caçamba de lixo.

“Porque acaba que o povo tem que limpar o quintal e vira e mexe tem que jogar em lote vago, né?! Porque aonde vão jogar? Às vezes a pessoa não tem condições de se ter uma caçamba”.

 

A diarista também ressalta que o horário da coleta não é satisfatório para os moradores do bairro. “Eu acho que a coleta de lixo às 7h está cedo e as ruas ficam muito sujas, pois as pessoas acabam colocando o lixo à noite e na madrugada os cachorros fazem uma sujeira. Quando a coleta de lixo era às 9h, ela [a rua] era mais limpa”, afirmou Leninha.

Sujeira de lotes tem afetado a saúde dos moradores
Foto: Francielle Braga/Reprodução Sou+Lagoa

Moradores do Bairro Cidade Nova, relataram ao portal Sou+Lagoa o sofrimento que têm vivido no bairro, devido ao mato alto nos lotes, animais peçonhentos como aranhas e cobras têm entrado para dentro das casas. “Tem muito mato aqui, com isso muitos bichos peçonhentos estão entrando dentro das casas”, disse Francielle Braga, moradora do bairro.

Nas redes sociais, um morador informou que os moradores do bairro tem um grupo onde eles publicam fotos de animais peçonhentos que aparecem dentro de suas casas. O depoimento do morador chama atenção pelos tipos de animais e pela frequência em que eles aparecem dentro de casa e relata também que os moradores acabam pondo fogo nos lotes pois já não sabem o que fazer.

“Sou morador aqui do Cidade Nova. Aqui todos os dias têm bichos nas casas. Temos um grupo onde as pessoas postam fotos de cobra, escorpião, aranhas, etc. Têm muitos moradores que não sabem mais o que fazer por terem crianças em casa, e acabam colocando fogo nos matos! Isso atrapalha muito, pois, a fumaça predomina o bairro todo e prejudica a respiração de muitos” relatou o morador.

O ambientalista Saulo de Castro, explicou à redação do JC a presença dos animais peçonhentos nas casas dos moradores acontece, devido à construção de loteamentos em que era o habitat dos animais. Saulo ainda explicou que desde a criação da Lei 2001/2011, que veta a capina química em lotes do município, dificultou a limpeza dos lotes na cidade, pois é humanamente impossível a limpeza ser realizada de forma manual.

“Lagoa da Prata já vem sofrendo com o problema da limpeza das vias públicas e lotes vagos a muito tempo. Para ser mais exato, desde a criação da lei municipal 2001/2011, que proíbe a capina química no controle da vegetação. A manutenção dessas áreas feita de forma manual é humanamente impossível, haja visto o rápido crescimento do mato logo após a capina com o uso de ferramentas rústicas. Os novos loteamentos se deram principalmente em áreas que antes eram rurais, locais onde a natureza seguia seu curso e, esses animais que estão surgindo nas residências se deve ao fato de que ali era seu ambiente natural e, devido ao grande número de lotes vagos e tomados por mato, eles continuarão ali”, explicou.

De acordo com o ambientalista, uma maneira viável de resolver a situação seria a autorização da capina química, visto que, ela causa poucos impactos ao meio ambiente e é mais eficiente.
“Na minha opinião, uma forma de manter esses terrenos e vias públicas limpos é a alteração nessa lei para que se tenha resultados mais expressivos nessa questão. Hoje já existem produtos químicos que causam muito pouco impacto no ambiente se aplicados de forma correta. É preciso que o poder público ou algum representante da sociedade se manifeste quanto a esse problema recorrente em nossa cidade,” ressaltou.

O que diz a Prefeitura, Secretaria de Transporte e Limpeza Urbana e Câmara Municipal

O prefeito Di Gianne Nunes informou em um vídeo publicado nas suas redes sociais, que a Prefeitura iria fazer uma notificação coletiva dos proprietários de lotes e terrenos que estão sujos no município. Caso a limpeza não seja feita, será aplicada uma multa no prazo de 30 dias. Ainda no vídeo, foi informado que a Prefeitura está em processo de licitação para que uma empresa faça a limpeza urbana da cidade, através de serviços como capina e caiação.

Netwise

A redação do JC solicitou à Prefeitura Municipal uma atualização sobre o caso e conforme informado pela Assessoria de Comunicação, o projeto de lei para contratação da empresa para as ações de limpeza do município foram enviadas para Câmara. A Câmara Municipal aprovou o crédito para a contratação da empresa. O secretário de Administração e Governo Lucas Rafael Gontijo de Melo, informou para a reportagem que, “A contratação está tramitando no setor de compras, ela chegou no setor no início da semana”, explicou. A pasta estava aguardando informou que estava aguardando a suplementação para dar prosseguimento ao processo de contratação.

No dia 9 de Abril, o secretário de Transporte e Limpeza Urbana, Anderson Rodrigues Andrade de Lagoa da Prata, informou ao Jornal Cidade as ações que estão sendo feitas no município em relação aos problemas causadas pela limpeza urbana. Ele disse que a secretaria está ciente da situação do bairro cidade nova. “Foi realizado uma ação de emergência em alguns pontos mais críticos ontem tivemos um maior número de reclamações. Estão sendo notificados dos de lotes que apresentam mato alto e também entulho”, explicou Anderson.

Ainda de acordo com o secretário, a Administração Municipal tem tomado diversas ações para que a limpeza urbana no município se torne mais eficiente.

“São várias as ações que vem sendo realizadas na cidade, a capina, roçada poda de árvores, retirada de entulhos limpeza de bueiros, terreno baldios e espaços públicos não pavimentados. Recentemente, também fizemos uma reestruturação na logística e horários da coleta do lixo domiciliar dos bairros, o que proporcionará uma melhora no serviço e na limpeza da ruas”, ressaltou.

Em relação aos horários da coleta de lixo, a Prefeitura anunciou que os horários e datas de coleta nos municípios foram modificados. Desta , a coleta fica assim:

Segunda, quarta e sexta-feira : 6h – Bairro Santa Alexandrina, Bairro São José, Bairro Santa Eugênia I, Bairro São Francisco e Bairro Marília; Já às 8h – Bairro Buritis, Bairro Paradiso, Bairro Chico Miranda, Santa Eugênia II, Bairro Maria Fernanda I, Bairro Etelvina Miranda, Conjunto Habitacional Chico Rezende e nos arredores da Garagem.
Terça, quinta e sábado: 6h – Bairro Américo Silva, Bairro Monsenhor Alfredo, Bairro São Francisco, Bairro Santa Helena; a partir das 8h – Bairro Mangabeiras, Bairro Gomes, Bairro Cidade Jardim, Bairro Ernestina Bernardes, Bairro Américo Silva (conjunto habitacional), Bairro Coronel Luciano, Bairro Sol Nascente e Guadalupe.

LIRA

Conforme divulgado no último Levantamento de Índice Rápido (LIRAa), que mede a infestação do Aedes Aegypti em todo o município, 2% dos focos foram encontrados em lotes vagos e em lixos 33%. Ainda segundo o levantamento, o bairro de Nilza Beatriz, o Maria das Graças, é um dos que mais foram encontrados focos de dengue em Lagoa da Prata. Seguido por Américo Silva, Maria Fernanda II, Gomes, Etelvina Miranda, Parque industrial, Américo Silva, Centro, Santa Eugênia, Monsenhor e Chico Miranda. A Prefeitura informou que de 29 de março a 13 de abril seria aplicado o veneno UBV veicular, conhecido como fumacê, em todos os bairros da cidade, além da contratação de oito agentes de endemias para reestruturar a equipe.

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