fbpx

“Se no ano passado sofremos com as medidas restritivas, agora lidamos com a inflação”, afirma empresário lagopratense

O que o comércio espera do consumidor neste ano? Depoimentos mostram que o varejo está animado, mas não tanto.

João Alves
Rhaiane Carvalho


Que o futuro é imprevisível, todo mundo sabe. Mas, se há dois anos atrás, alguém previsse que um vírus colocaria os quatro cantos do globo em isolamento e que, com isso, a economia entraria em uma crise cuja reversibilidade ainda é debatida, dificilmente alguém acreditaria. Aliás, ainda hoje, muitos crêem que esta é uma visão exageradamente pessimista.

Resguardadas as diferentes opiniões sobre se a pandemia está ou não saindo de cena – de um lado, a ômicron preocupa, do outro a alta taxa de vacinação alivia – e as medidas restritivas já permitem que o comércio varejista relembre aquele momento outrora chamado de “normal”. Com tudo isso em mente, fica a pergunta: as lojas já estão decoradas e as ruas já começam a se encher, no entanto, o que o varejo espera do consumidor neste ano?

O Jornal Cidade entrou em contato com  empresários de Lagoa da Prata, ambos de comércios tradicionais na cidade, e com a Associação Comercial Empresarial e Câmara de Dirigentes Lojistas (ACE/CDL) de Lagoa da Prata acerca desta mesma questão. A empresária Márcia Santos, da Ótica Márcia, é otimista e acredita que o reencontro de familiares e amigos para a ceia de Natal deste ano, possibilitada pelo controle da pandemia, é um fator favorável às vendas do fim de ano. 

“Temos a nosso favor o fato de que a covid, no momento, está zerada em nosso município. Baseado nisso, investimos bastante na decoração da Ótica para compartilhar com clientes e amigos este clima maravilhoso da chegada do menino Jesus, que é o Natal. Também buscamos adquirir óculos com preços acessíveis e novas marcas”, comenta a empresária.

Em comparação com o mesmo período de 2020, ela comenta que sente uma melhora, porém, avalia que a população ainda está se recuperando.

“Comparando com o ano passado, as vendas estão melhores e o movimento também. Contudo, a população ainda sente muito o reflexo financeiro”. 

Alexandre Silva, à frente da Gávea Calçados, compartilha uma visão diferente, sobretudo com relação ao atual momento do varejo de moda. “Ao contrário do que se pensava, em relação ao ano passado, o volume de vendas têm caído”.

Diante dessa realidade, as expectativas para o Natal não são diferentes. 

“Se ano passado sofremos com as medidas de restrição e com o isolamento social, muita gente ainda não saía, neste ano, o segmento de moda ainda sofre por conta da inflação. Acaba que percebemos uma mudança no padrão de consumo. O consumidor prioriza a compra de alimentos, produtos farmacêuticos, energia, água,  gás , combustível – e até mesmo o lazer – para só depois pensar em moda. A realidade do mercado hoje em dia, neste contexto quase pós-pandemia, é esta. Se em 2020 sofremos pelas medidas restritivas, neste ano sofremos pelo contexto inflacionário. A expectativa, portanto, é de um empate”, reflete o empresário. 

Alexandre  também comenta que os clientes procuram, por conta desta realidade econômica complicada, produtos de qualidade, porém com preços menores e mais acessíveis. Ele estima que o ticket médio, isto é, o valor médio de uma compra, está em torno de R$ 70. A previsão é de que o comércio, a depender do cenário político, sanitário e inflacionário, veja melhoras só a partir do próximo ano.

No entanto, se a realidade socioeconômica apresenta dificuldades, o empresário conta com uma clientela fiel e com uma equipe esforçada que, apesar dos obstáculos, podem contribuir para que o ano seja encerrado com um resultado satisfatório – dentro dos limites.

“Temos só a agradecer, apesar deste cenário complicado, nossa clientela fiel, de décadas, e a nossa equipe, que faz muita diferença neste fim de ano. Mesmo se não conseguirmos ‘ganhar’ do ano passado ou se ainda estamos distantes dos outros anos, ainda podemos nos considerar privilegiados no contexto aqui de Lagoa da Prata”, acrescenta. 

 

José Raimundo de Rezende, presidente da ACE/CDL de Lagoa da Prata, comenta que a economia local, aos poucos, vai sendo incentivada à normalidade.

“Sabemos que muitos lojistas não tiveram forças para se manter no mercado, mas desafios surgem para que possam ser superados, e no momento certo, haverão de se erguer novamente”.

Ele destaca que a associação buscou, de diferentes formas, contribuir para a retomada do comércio local, por meio da campanha “Comprar em Lagoa é uma boa” e decorando  a cidade com temas natalinos, em parceria com as cooperativas Sicoob e com a Prefeitura de Lagoa da Prata.

Entramos no mês de dezembro, que é o de maior expectativa de vendas do ano com a sensação de dever cumprido, pois todos sabemos das dificuldades enfrentadas para mantermos o comércio aberto no auge da pandemia que assolava todo o mundo, enfatiza o presidente da ACE/CDL. 

Embora os depoimentos não compartilhem o mesmo grau de entusiasmo com a movimentação de fim de ano, todos eles afirmam que o momento atual da economia ainda é um problema a ser superado. A resposta para o problema ainda não está clara e, possivelmente, também não será colocada da noite para o dia. 

Contudo, a capacidade de resiliência destes e dos demais empresários de Lagoa da Prata, que se viram obrigados a transformar as operações rotineiras do dia a dia em uma árdua luta pela manutenção de seus estabelecimentos – e consequentemente pela manutenção do emprego de dezenas de funcionários, deve ser encarada como um sinal de esperança para os próximos meses. 

► DEIXE ABAIXO SEU COMENTÁRIO ◄