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Psicóloga fala sobre a conscientização e sensibilização pelas perdas gestacionais, neonatais e infantis

O mês de outubro é dedicado à conscientização das perdas gestacionais, neonatais e infantis e da validação do luto dos pais de 'anjos'.

Em outubro é celebrado o mês internacional da conscientização e sensibilização pelas perdas gestacionais, neonatais e infantis. Um assunto pouco falado, mas que, diariamente afeta milhares de famílias. Considerado um grande tabu, casais vivem a invalidação de um luto que, para muitos é permanente. Afinal, a pergunta que a sociedade sempre faz é: “como sentir falta de alguém com quem não se compartilhou memórias?”.  Mas quem passa por isso vive o luto justamente por essas vivências planejadas e não concretizadas. Vive-se o luto pelo futuro sonhado que não se tornará realidade, pelas expectativas que foram criadas com a gestação.

Mas é uma luta que não termina por aqui, diariamente, além de as famílias não terem seus sentimentos validados precisam “brigar” para que os seus filhos sejam considerados e o seu status de mães e pais sejam reconhecidos. O que é preciso entender é que não existe um período determinado da gestação para que os pais se sintam pais.

Apoio

A ausência de apoio ou o desconhecimento sobre como ajudar os casais que passam por situações assim também ainda é pouco abordado.  É muito comum que ouçam frases das pessoas que tentam consolá-las, mas que acabam trazendo mais sofrimento: “Foi melhor assim”; “Pelo menos foi no início e não deu tempo de se apegar”; “Você logo terá outro filho” (como se fosse possível substituir um filho!).  Enquanto que, um “sinto muito” e um abraço já são de grande valia. A escuta empática e acolhedora certamente fará diferença.

Para entendermos melhor sobre o tema, a reportagem do Jornal Cidade conversou com Patrícia Ângela Pinto, que é psicóloga clínica, terapeuta familiar e de casais; formada em Terapia Familiar Sistêmica e Constelação Familiar, e em Terapia do Esquema.

Segundo a psicóloga, a necessidade da inclusão dos filhos não nascidos  é muito importante. “Em 2015, eu estava fazendo um curso de formação em Terapia Famíliar Sistêmica, e como todo início de cursos, fizemos nossas apresentações. Me chamou muito a atenção, a forma como algumas colegas contavam o nome e o número de filhos, pois elas incluiam os filhos, não nascidos do aborto. Foi ali e só ali, que eu percebi a importância dessa inclusão, pois a partir do momento, que há a fecundação há vida e essa vida não deve ser esquecida, ou simplesmente ignorada”.

(Patrícia Ângela Pinto / arquivo pessoal).

Cerca de 20% das gestações terminam em aborto espontâneo, isso sem contar os provocados.

“Não são só os fetos que são esquecidos, mas a dor de quem passa pela perda também. Há uma tendência em desqualificar o sofrimento  dos pais, mais especificamente da mãe. E sim, a perda de um filho pode ser considerada a maior dor do mundo, só não podemos afirmar com certeza,  pela impossibilidade de medir com precisão a dor.  Então, por quê ou para quê essa dor não é vista e é negada, às vezes pela própria pessoa que sofreu a perda? Dores veladas, não expressas têm consequências, principalmente na vida do casal; cerca de 20% dos casais que perdem um filho, passam a ter problemas conjugais. Muito se deve à forma como ambos expressam suas emoções. O homem tende a ser mais objetivo e firme, o que é próprio da educação dos meninos (homem não chora). Já a mulher tende a expressar mais, quer apoio, quer ser acolhida”, explicou.

O papel do pai e a ausência do diálogo

De acordo com Patrícia, a  falta de diálogo pode levar a conflitos, pois o homem tende a achar que a companheira está exagerando e esta sente, que seus sentimentos não estão sendo validados pelo marido.

“Pode ocorrer também, uma culpabilização com relação a si mesmo, ou com relação ao outro, mais presente onde não há espaço para a expressão das emoções e falta respeito, com relação ao que a pessoa está sentindo. Lutos não elaborados, podem também gerar depressão, transtornos ansiosos; ser a causa de obesidade, crises de enxaqueca, fobias, dentre outros. Cada um de nós temos uma personalidade e, consequentemente, uma forma de reagir diante de determinada situação, respeitar isso é o primeiro passo, oferecer apoio e escuta é fundamental. Cada filho é único e insubstituível, então dê um lugar para ele no seu coração. Dê um nome! Há, mas eu nem sabia o sexo! Dentro de você há algo que sabe. Importante inclui-lo na contagem dos filhos, tenho 3 filhos por exemplo, um não está aqui comigo! Para os irmãos é importante não alterar a ordem, lembro de uma conhecida que dizia que tinha um filho e eu sempre lhe dizia, você teve dois. Na sua primeira gestação ocorreu um aborto, demorou até que isso fizesse sentido para ela. Hoje ela diz” tenho dois filhos e o primeiro não está comigo” (sic). Aquele filho que sempre achou que era único, descobriu que era o segundo e que tinha um irmão”, enfatizou.

Validação do luto

Quem passou por isso, sabe da tristeza do luto,  e que essa perda, não é menos dolorosa que da mulher/homem que teve os filhos nos braços.

“Comece por você, valide em você sua perda, sua dor! Valide aquela vida que se fez presente, mesmo que por pouco tempo.  E se você conhece alguém que passa por isso, lembre-se, que às vezes a melhor ajuda é se afastar, não dizer nada, caso esteja presente, faça com uma postura  respeitosa: “eu estou aqui, caso precise de algo”. Se mostrar disponível dando o espaço que a pessoa precisa no momento já é uma grande ajuda!”, destacou a psicóloga.


 

  • Patrícia Ângela Pinto atende na Avenida Getúlio Vargas, 1176 – loja 2 – Centro – Lagoa da Prata. Contato: (37) 9 88061929.
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