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Preços de produtos básicos de consumo preocupa comerciantes e consumidores na região Centro-Oeste MG

Teve produto que chegou a ter um aumento de 252% de 2019 para 2022, como é o caso do óleo de soja; o produto que teve menos alta de lá para cá foi o feijão que, mesmo assim, teve um aumento de 43%.

Rhaiane Carvalho


O brasileiro tem enfrentado sérios problemas quando se fala em manter o orçamento doméstico. Em um mês que se teve alta em diversos produtos alimentícios, também subiram os valores da gasolina, diesel, etanol e do gás de cozinha. Segundo o site da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o preço dos alimentos entre fevereiro e março deste ano é o mais alto em cerca de 100 anos, sendo superado apenas pelo preço dos alimentos na época da 1ª Guerra Mundial e da pandemia da Influenza, no quinquênio 1915-1920. O aumento do preço dos alimentos já vinha subindo em decorrência do rompimento das cadeias produtivas ocorrido na pandemia da covid-19 e, especialmente, em função da crise climática e ambiental que tem dificultado a produção de alimentos devido às secas, enchentes, erosão e acidificação dos solos e das águas etc. Mas o aumento dos meses de fevereiro e março já reflete o impacto da invasão russa da Ucrânia, embora os efeitos estejam sendo mais sentidos em março de 2022. A Ucrânia e a Rússia são os principais exportadores de alguns dos alimentos mais básicos do mundo, representando juntos cerca de 29% das exportações globais de trigo, 19% da oferta mundial de milho e 80% das exportações mundiais de óleo de girassol. Mas a Rússia também exporta nutrientes agrícolas, bem como gás natural, que é fundamental para a produção de fertilizantes à base de nitrogênio. Cerca de 25% do suprimento europeu dos principais nutrientes das culturas, nitrogênio, potássio e fosfato, vêm da Rússia.

Portanto, com as condições geopolíticas desarticuladas, as maiores fontes de matéria-prima para a produção de alimentos estão sujeitas a limitações e não há alternativas de curto prazo.

Para entender um pouco mais sobre o assunto e como isso tem sido enfrentado na região, o Jornal Cidade conversou com proprietários de mercados e supermercados locais.

Darah Miranda Vital, está à frente do Supermercado JM, localizado em Lagoa da Prata, desde 2006, assumindo a responsabilidade de negócio em 2013. Segundo ela, antes mesmo dos produtos chegarem aos supermercados, existe um longo caminho que faz com que gere o impacto nos preços dos produtos. “O supermercado é a ponta final depois de uma longa cadeia de produção e logística, e pelo contato direto com o consumidor é a que mais sofre o impacto do aumento de preços, situação que não é iniciativa do setor supermercadista. Nosso setor acaba sendo apontado equivocadamente como responsável pelo aumento nos preços. Mais os supermercados não têm aumentado seus lucros, pelo contrário as margens estão cada vez mais apertadas, sobretudo, nos itens de cesta básica”, explicou.

Darah ainda falou sobre o que a empresa tem feito para em feito para minimizar esse repasse aos consumidores.

“Os atuais desafios de aumento de preços exigem esforços de fornecedores, supermercadistas e dos governos para garantir à população o menor preço possível, especialmente de produtos de cesta básica. Aqui no JM supermercado para minimizar esse repasse para os clientes temos trabalhado com as menores margens possíveis, e fazendo promoções diárias”.

Ela também falou sobre a prática adotada por alguns supermercados que estão limitando itens de consumo por pessoa.

“O aumento das exportações e a diminuição das importações de itens da cesta básica, motivado pela valorização do dólar frente ao real, somado a um crescimento da demanda, são os principais fatores que provocam a redução da oferta no mercado interno; o que elevaria ainda mais os preços. O comportamento do consumidor influencia muito nesse momento, uma demanda desnecessária prejudicaria os estoques e a política de preços das empresas. Sendo assim limitar os produtos por clientes é uma prática legal, que visa a assegurar a todos os consumidores, especialmente os de menor renda, o acesso a esses itens básicos. Isso é de cada empresa de forma individual para melhor atender o cliente. Aqui no JM o único item que está limitado é o óleo de soja”.

Segundo a gerente, para a inflação desacelerar há ainda alguns fatores. “Ouvi alguns economistas dizendo que a perspectiva é a inflação desacelerar, mas isso depende de uma série de fatores, e mesmo que as previsões se confirmem, isso não quer dizer que os preços de produtos e serviços do dia a dia das pessoas vão cair. A tendência é que eles apenas subam menos ou, no melhor dos cenários, se estabilizem no atuar patamar”.

Edinei Leal tem um minimercado na cidade de Arcos e contou à reportagem que tem enfrentado dificuldades até para abastecer o local com produtos.

“Não vou dizer que está em falta, pois ainda não está, mas está bem mais caro para repor estoque. A gente não quer repassar isso para nossos clientes, mas acaba que ficamos no prejuízo, pois aqui é pequeno, então não faço um estoque grande”.

O empreendedor disse que tem buscado uma maneira para que seus clientes não sofram tanto com o impacto.

“A gente pensa é o quanto está difícil até para manter o básico, hoje as pessoas não estendo para onde fugir; arroz e feijão estão caros, carne também, verduras nem se fala. A gente está ficando sem ter como vender e as pessoas sem ter como comprar. Estou estudando fazer promoções, mas se continuar assim vai chegar uma hora que a gente não vai ter o que vender. O brasileiro não está tendo para onde correr, pra comer está caro, para abastecer está caro, pra fazer comida o gás está um absurdo. Em 2019, a gente pagava R$ 60 no botijão de gás, o que já era caro; hoje um botijão está custando, em média, R$ 135, podendo ser vendido em até R$ 150. Ou seja, em 3 anos, teve um aumento de 40%. Está errado, gente! E quem ganha um salário? Está tendo que escolher se compra a comida e cozinha, se paga aluguel  ou se sai de casa. Aonde vamos parar com isso?”.

Produto Valor em 2019 Valor em 2020 Valor em 2021 Valor em 2022 Aumento      –  %
Arroz 5 kg R$ 12,95 R$ 14,70 R$ 28,70 R$ 32,70 153 %
Feijão 1 kg R$ 5,80 R$ 6,20 R$ 9,50 R$ 8,27 43%
Óleo de soja R$ 2,75 R$ 2,89 R$ 8,90 R$ 9,69 252%
Leite R$ 1,89 R$ 2,30 R$ 2,85 R$ 3,99 111%
Ovos R$ 3,70 R$ 6,99 R$ 7,99 R$ 9,90 168%
Botijão de gás R$ 59,90 R$ 65,00 R$ 90 R$ 130 117%

*Valores de 2022 pesquisados até o dia 17 de março de 2022, em fontes distintas dos entrevistados da matéria.

 

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