"Pensar no próximo acho que já basta", afirma lagopratense após tomar vacina no exterior

“Pensar no próximo acho que já basta”, afirma lagopratense após tomar vacina no exterior

Os lagopratenses Mateus Ramos Amorin e Brena Morais dos Reis, tomaram a vacina contra a Covid-19 fora do país e relatam sobre este momento tão aguardado pelos brasileiros.

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Karine Pires e Matheus Costa

Milhares de brasileiros estão ansiosos com a vacina contra a covid-19, doença que assolou o país e o mundo em 2020. No fim do ano, diversos países já iniciaram a vacinação da doença, o Brasil neste momento se prepara para vacinar os brasileiros. Ainda assim, o plano de vacinação no país é criticado por especialistas por ser considerado “tardio” e pelos altos indicadores do coronavírus no país. Nossa redação conversou com lagopratenses que tiveram o privilégio de se vacinarem fora do Brasil.

Foto: Mateus Ramos Amorim/ Arquivo Pessoal

O lagopratense Mateus Ramos Amorim é formado em Fisioterapia e tem mestrado e Ph.D na Universidade de São Paulo (USP) em Ciências na área de Fisiologia. Ele contou ao Jornal Cidade que está nos Estados Unidos como pesquisador na Johns Hopkins University em colaboração com a USP, e que recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 11 de janeiro.

“Recebi a vacina da Moderna. Nos EUA estão disponíveis as vacinas da Pfizer e da Moderna. O fabricante não importa. Eles não me ofereceram a outra opção e eu também não questionei. Todas as vacinas aprovadas para uso emergencial pelo Food and Drug Administration – Administração de Alimentos e Medicamentos em português (FDA) nos EUA e eventualmente pela Anvisa no Brasil são seguras. Eu tomaria qualquer vacina aprovada pelos órgãos responsáveis. Na Universidade, os funcionários foram alocados em diferentes grupos após o preenchimento de um questionário padrão. Após a conclusão deste questionário, eu consegui agendar para essa data. Ainda temos um grande número de pessoas para vacinar em todo o mundo e o início da vacinação representa uma dose de esperança no combate à covid-19. Espero que todas as pessoas tenham acesso a vacina contra a doença e quando tiverem acesso não hesitem em tomá-la. “A vacinação é um compromisso coletivo no combate às doenças e devemos nos vacinar para proteger a nós mesmos e a sociedade ao redor”, ressaltou Mateus.

Brena Morais dos Reis, mora em Dublin, na Irlanda, país que ocupa a 11ª posição na velocidade da campanha de vacinação contra a covid-19 no mundo, de acordo com a Our World in Data, organização que desenvolve pesquisa e dados para fazer progresso contra os maiores problemas do mundo.

Momento em que Brena recebe a vacina produzida pela Pfizer em Dublin, na Irlanda. Foto: Brena Morais dos Reis/ Arquivo

Brena recebeu a primeira dose da Comirnaty nesta quinta-feira(14), vacina produzida pela Pfizer. Daqui 3 semanas ela irá retornar para tomar a segunda dose, pois ainda não está imune. Ela foi uma das primeiras a tomar a vacina, pois trabalha com idosos que são do grupo de risco da covid-19.

O momento da vacinação foi muito aguardado por ela, “Nossa, eu estava esperando muito [para receber a vacina]. Não via a hora!”. Na Irlanda a vacinação foi organizada priorizando pessoas com 65 anos ou mais que vivem em instituições como lar de idosos, profissionais de saúde da linha de frente do combate ao coronavírus, incluindo aqueles que prestam serviços essenciais para o programa de vacinação, entre outros grupos que também foram prioridade para receberam a vacina.

De acordo com Brena, mais de 15 mil pessoas foram vacinas contra a covid-19 na Irlanda. A vacina Comirnaty tem 95% de eficácia, fator que gerou medo nos irlandeses. O ato de se vacinar vai além de se proteger, é ter empatia e respeito pela vida do próximo de acordo com a lagopratense.

“Mas é o único jeito né?! [ tomar a vacina] Mas aqui já foram vacinados mais de 15 mil pessoas e não teve nenhum caso que teve reações fortes. Ou toma a vacina ou vive do jeito que estamos, milhares de gente morrendo todo dia. Pensar no próximo já basta”.

Vacinação no Brasil 

Até o momento, o Ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou em entrevista coletiva que a vacinação no Brasil acontecerá ainda no mês de janeiro. Anteriormente, ele não afirmou uma data, apenas informou à imprensa que a vacinação aconteceria no dia D na hora H. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando a documentação necessária para o uso emergencial das vacinas Oxford, produzida pela fabricante AstraZeneca e CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantã em parceria com o governo da China. O prazo final para análise termina no próximo domingo, dia 17 de Janeiro.

Diferentemente do resto do país, o estado de São Paulo que apoiou o instituto no desenvolvimento da vacina CoronaVac, iniciará a vacinação no estado no dia 25 de janeiro. No Centro-Oeste MG, Arcos, Lagoa da Prata e Formiga assinaram um protocolo de intenção de compra da CoronaVac, caso o imunizante demore a chegar pelo Governo Federal.

Enquete

O que antes estava em um futuro um pouco distante, agora se tornou realidade para o Brasil. A vacinação ainda é questionada por muitas pessoas no país. No mês de dezembro, o Jornal Cidade realizou uma enquete nas redes sociais em que apontava que 69% dos participantes se vacinariam contra a Covid-19.

Na época, várias pessoas responderam de forma positiva sobre o ato de se vacinar e outras já demonstraram medo e até mesmo atrelaram a vacina a algum fenômeno religioso. “Tão’ dizendo que é a marca da besta, não sei se assusta ou não.” afirmou uma leitora. Já outra leitora, demonstrou insatisfação com a possibilidade das pessoas não se vacinarem, “deus me livre ficar à mercê de duas doenças: a ignorância e o coronavírus”.

 

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