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Onda de gripe vem preocupando municípios da região Centro-Oeste MG

A resistência à vacinação, a negação de que essas doenças existem, torna ainda mais difícil a contenção dos vírus.

Rhaiane Carvalho

 

Prefeituras de toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais vêm divulgando nas redes sociais o aumento na procura de postos de saúde para tratar sintomas gripais. Ainda enfrentando a pandemia de covid-19 e suas variantes, o sistema teme a chegada de mais uma pandemia através da Influenza A H3N2. A resistência à vacinação, a negação de que essas doenças existem, torna ainda mais difícil a contenção dos vírus.

O subtipo H3N2 do vírus influenza está provocando surtos atípicos de gripe em dezenas de cidades brasileiras. Em uma semana, os casos de gripe causados pelo vírus Influenza H3N2 cresceram 107% em Minas Gerais, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até nesta segunda-feira (3), o Estado tinha 305 infecções pelo vírus, sendo a região Centro-Oeste a líder com 149 casos de gripe, seguida das regiões Sudeste com 44, Centro-Sul com 30, Leste com 25 e Sul com 17. O Triângulo Mineiro e o Norte de Minas ainda não registrou confirmações de casos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.

A reportagem conversou com a médica Synara Veloso Cardoso, que explicou os sintomas dessa nova gripe e como diferenciá-la da covid-19 é importante para entender o avanço dos dois vírus e buscar o tratamento correto.

Segundo a médica, a infecção causada pelo H3N2 gera sintomas respiratórios clássicos,  mal-estar intenso e é mais perigosa para idosos, crianças e portadores de comorbidades.

“Suspeita-se que tenha se espalhado por aqui fora de hora devido a dois fatores: a baixa adesão à vacina da gripe e o relaxamento das medidas que estavam sendo tomadas para frear o coronavírus”.

Sintomas

De acordo com Synara, os principais sinais são coriza, tosse, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça, fraqueza e febre.

“Em linhas gerais, pacientes com esses sintomas devem passar por um isolamento de sete dias para evitar contaminar outras pessoas, além de fazer repouso, ter boa alimentação, hidratar-se bem e usar medicamentos para amenizar dores e febre. Se houver desmaio, falta de ar, chiado no peito, febre de difícil controle ou convulsão, é preciso buscar ajuda imediata. Se o quadro for leve, é melhor cuidar em casa, uma vez que unidades de saúde tendem estar mais lotadas devido a esses casos. O problema é que estamos em tempos de covid-19, que provoca sintomas muito parecidos com os da influenza, e só os exames podem diferenciar os dois vírus. Então, a responsabilidade deve ser dobrada, por você e pelos outros”.

A médica ainda complementou dizendo que a influenza em si é uma preocupação mundial há séculos. Nos últimos dois anos, no entanto, deu uma sumida, porque o coronavírus teve mais notoriedade e, com os cuidados adquiridos na pandemia, a circulação do vírus ficou mais controlada.

“As pessoas se esqueceram dela e não se vacinaram. Fora que ainda houve o relaxamento dos protocolos de segurança na maioria das cidades, como uso de máscaras e distanciamento. Esse tipo de vírus circula com mais facilidade no outono e no inverno. Só que com tanta janela de oportunidade, ele acabou se replicando fácil por aqui mesmo em meio às altas temperaturas. Quem não está vacinado ou está com a imunidade mais baixa pode ter febre mais alta, mal estar intenso e transmitir mais o vírus. Isso vale também para a covid-19. Nos dois casos, as vacinas salvam vidas!”.

Cuidados

Apesar de ainda não ter sido divulgado casos da H3N2 na região de Lagoa da Prata, Arcos, Santo Antônio do Monte, Moema, Japaraíba e Formiga, a situação do Estado preocupa a população e o sistema de Saúde. Saiba como se proteger:

No dia 13 de janeiro, a Prefeitura de Lagoa da Prata divulgou  179 casos confirmados  de covid-19 somente nesta data; sendo 2 internações hospitalares; somando, desde o início da pandemia 9.676 casos. Segundo a secretária de Saúde do município, Margarete Borges, a vacina disponível na rede de saúde não é destinada ao H3N2, mas que a imunização contra a gripe é muito importante. “Era importante que as pessoas tivessem se vacinado no período. Mas ela não protege contra essa nova variante, pois não está em sua composição. Então é para, na verdade, se evitar de pegar outras gripes e se confundir”, explicou.

Em Arcos, o boletim Epidemiológico do dia 11 de janeiro apontou 872 casos monitorados nesta data, estando 7 pessoas aguardando resultados, 3 internados em leito clínico e 4  em leitos de UTI. Em virtude do aumento pela procura das unidades de saúde, a Prefeitura de Arcos emitiu um comunicado no início do mês. “Em Arcos, no mês de dezembro corrente, foi observado um aumento considerável do número de pacientes com sintomas gripais. Porém, a grande maioria, ao passar por avaliação médica e testagem rápida para covid-19, apresentou resultados negativos. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, no Estado a circulação do vírus ‘Influenza A’ tem sido verificada desde final do mês passado.Após análise dos dados de atendimento no Ambulatório Covid-19, foi identificado um aumento de 185% na procura do serviço – comparativo da 1ª e 3ª semana do mês de dezembro (SE 49 e SE 51). E, nesta semana, foram identificados 03 casos positivos para ‘Influenza A’ na cidade, todavia ainda não foi identificado o subtipo. Amostras de material de um dos pacientes positivo para ‘Influenza’ e de pacientes sintomáticos com resultado negativo para ‘Covid-19’ foram colhidas e encaminhadas ao laboratório da FUNED (Fundação Ezequiel Dias) em Belo Horizonte, e o setor de epidemiologia municipal ainda segue aguardando os resultados.Vale ressaltar que, o distanciamento físico, o uso de máscaras, a higiene das mãos, as boas práticas de etiqueta respiratória, segurança alimentar, boa higiene pessoal e do ambiente são medidas não farmacológicas, que na presença de sinais e sintomas sugestivos de ‘Influenza’ e ‘Covid-19’, são primordiais para a redução da transmissão dos vírus e proteção coletiva”.

Até o dia 12 de janeiro, Santo Antônio do Monte possuía 797 casos em isolamento sendo monitorados; e uma internação. Tendo em vista a alta procura para atendimentos de Síndrome Respiratória e suspeita de covid-19, a Prefeitura emitiu um comunicado sobre atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde.  Formiga , até no dia 12 de janeiro possui639 casos monitorados, 6 internações em leitos clínicos e 2 em UTI. “A Secretaria de Saúde vem a público informar que os casos de Covid-19 estão aumentando em nossa cidade, isso se deve a falta das medidas de prevenção da doença, evite nas festas de fim de ano compartilhar copos, talheres, cigarros eletrônicos, entre outros. Se estiver com sintomas gripais evite contato com outras pessoas e procure a unidade de saúde.O uso da máscara em ambientes fechados é imprescindível. Vale ressaltar, que a pandemia não acabou, e que depende de cada um de nós para contê-la em nossa cidade, faça sua parte!”

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