"O transporte público em Lagoa da Prata existe?", pergunta cidadão

 “O transporte público em Lagoa da Prata existe?”, pergunta cidadão

Esta pergunta foi feita por alguns usuários que participaram de uma enquete feita pelo Jornal Cidade nas redes sociais, quando perguntados sobre a qualidade do transporte público no município.

Karine Pires

O transporte público em Lagoa da Prata está suspenso. O serviço era prestado pela empresa Transluz Turismo Ltda (Transnova), que assumiu a função na cidade em setembro de 2019. Segundo a Prefeitura Municipal, o contrato foi suspenso por “inexistência” de passageiros.

 “A concessionária de transporte público urbano em Lagoa da Prata peticionou a suspensão do contrato, por inexistência de passageiros, causando impacto financeiro inviabilizante da atividade. Como a legislação prevê e possibilita a suspensão, por motivos fundamentados e reequilíbrio econômico financeiro do contrato, foi concedida a suspensão do contrato por até 90 dias.”

Atualmente, o país e, principalmente, o município, está em combate contra a pandemia da Covid-19, um contexto em que quanto menos as pessoas saírem de casa é melhor para se prevenir da contaminação do novo coronavírus. No entanto, sair de casa por necessidade será preciso uma hora ou outra e é neste momento que a população que utiliza o transporte ficará desassistida.

Experiência dos usuários

O JC fez uma reportagem quando a Transluz Turismo assumiu a prestação do serviço na cidade. Na época, alguns usuários que participaram da enquete, disseram que o itinerário melhorou e que antes da empresa assumir a prestação deste serviço, a lotação não cumpria os horários, era muito pequena e quando “lotava” algumas pessoas passavam mal. Outro morador, elogiou a mudança no itinerário e também disse que o serviço estava melhor.

Neste mês, a redação do JC conversou com alguns usuários novamente para saber sobre a qualidade do transporte público atual, antes do serviço ser suspenso. A ausência de uma infraestrutura adequada nos pontos de paradas e o descumprimento de horários, continua sendo presente na vida dos usuários que dependem do transporte na cidade.

Maria Cleonário, aposentada, de 59 anos, moradora do Bairro Sol Nascente, afirma que os horários eram a principal dificuldade que encontrava ao usar a lotação, pois segundo ela, passava às seis horas da manhã e depois não passava às nove horas, e que na sua opinião, os horários eram estranhos. Agora, para ir a algum lugar da cidade ela usa a bicicleta como transporte.

A costureira, Viviane Márcia Pires, de 42 anos, moradora do Bairro Santa Helena, sempre utilizou o transporte público. Ela afirma que os pontos de parada não têm uma infraestrutura de qualidade, apenas sinalização no local para aguardar o transporte.

“O ponto da lotação da Fernão Dias, não tem guarita e não tem banco para esperar. Tem só a placa, cobertura caso esteja chovendo não tem, é ao ar livre. A rota demora muito, porque se você pega aqui no Santa Helena por exemplo, tem que rodar pelo Chico Miranda, subir para o Bairro Marília para depois chegar no Centro”.                   

Além de Maria e Viviane apontarem estes problemas em usos recentes do serviço, Matheus Costa, de 19 anos, que atualmente não utiliza mais o transporte público, mas que já usou muito a lotação para ir até a casa de sua avó que residia no Bairro Santa Helena, informa que também havia uma ausência de uma infraestrutura adequada, confirmando que alguns desses recursos não estava sendo executados corretamente mesmo com a troca da empresa que presta o serviço à população.

Nunca teve estrutura, não sei se hoje tem, mas a gente esperava às vezes debaixo do sol às vezes debaixo da chuva, dificilmente achávamos um ponto com sombra ou cobertura. E cá entre nós, o transporte nunca passava no horário certo, então temos que esperar sempre mais que o necessário”, aponta Matheus.

Responsabilidades do poder público em relação ao transporte coletivo

De acordo com o inciso V do artigo 30 da Constituição Federal, o Executivo deve fornecer esse serviço por meio do próprio município ou por uma empresa terceirizada. Mesmo tendo uma empresa como responsável por ele, cabe ao poder público fiscalizar e investir em uma infraestrutura de qualidade para os usuários para proporcionar também a mobilidade urbana da população. Nossa redação questionou sobre o que vem sendo feito para melhorar a infraestrutura atual.

Posicionamento da Transluz Turismo

A redação do JC também entrou em contato com a empresa Transluz Turismo. Confira abaixo nossos questionamentos e a posição da empresa.

O que foi alterado no transporte público de Lagoa da Prata com a chegada da Transnova?

Desde setembro de 2018, assumimos o transporte coletivo em Lagoa da Prata. De imediato substituímos os até então micro-ônibus por ônibus convencionais equipados com câmeras de monitoramento, plataforma elevatória (para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção), ampliamos o horário de atendimento, iniciando as 05:00 e findando as 22:00, implantamos atendimento aos sábados e domingos. Enfim, tentamos ampliar a oferta de viagens e rotas, com veículos melhores, motoristas que passaram por treinamento, montamos estrutura de manutenção e limpeza diária dos veículos, por exemplo. Contudo, face a não adesão dos lagopratense ao uso do serviço ao longo dos meses fomos obrigados a ajustar o atendimento prestado.

 Nossa redação conversou com alguns usuários que reclamaram sobre a qualidade do transporte em Lagoa da Prata em relação aos horários que não estavam sendo cumpridos corretamente. Porque tem tido esse tipo de problema?

Os horários foram cumpridos fielmente de acordo com o quadro de horários vigente e, quando mudanças nos horários de partida são efetuadas, estas são divulgadas previamente aos usuários, inclusive com cartazes no interior dos ônibus.

Há alguma melhoria prevista em relação ao serviço para a cidade após a pandemia da Covid-19?

Melhorias para o serviço de transporte coletivo de Lagoa da Prata passam pela adesão, por exemplo, das empresas ao fornecimento do Vale Transporte, fato que pode estimular maior oferta e frequência de viagens aos cidadãos. A fonte de custeio do transporte coletivo em Lagoa da Prata é a arrecadação com as passagens dos usuários pagantes, não há qualquer tipo de subsídio para o sistema.

Sobre as rotas na cidade, o gerente administrativo da empresa, Henrique Magela informa que elas foram estudadas e planejadas para alinhar diversos fatores que influenciam na execução deste serviço em uma cidade.

O que poderia ser melhorado para não deixar uma pessoa muito tempo na Lotação?

Nosso setor de Engenharia de Tráfego faz estudos periodicamente para alinhar a operação a fatores que incidem no transporte coletivo, tais como: oferta, demanda, distância percorrida, tempo de viagem e viabilidade econômica. Neste sentido sempre há estudos em andamento, e além deles, buscamos também contato com potenciais clientes privados para viabilizar a oferta do transporte público, através do ingresso de usuários no sistema.

Contrato suspenso

Como informamos, o contrato de transporte público na cidade está suspenso, a empresa afirma que a redução de 90% dos passageiros pagantes desde o fim de março foi um fator que agravou que o serviço continuasse a ser prestado à população.

Como a única fonte de faturamento do sistema são os passageiros pagantes o desequilíbrio entre as receitas e despesas fez com que a empresa se visse obrigada a buscar o poder concedente para alinhar uma solução para este período de pandemia.

Perguntados se havia alguma iniciativa da empresa junto a Prefeitura Municipal para estimular a população a usar o transporte público, Henrique respondeu que isso era uma iniciativa buscada pela empresa, até porque este é o ramo de atividade dela, no entanto, que esta não seria a única motivação. Também foi pensando em melhorar a qualidade do serviço aos usuários para estimulá-los a aderir ao uso do transporte público na cidade.

 

 

► DEIXE ABAIXO SEU COMENTÁRIO ◄