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O que explica o sucesso de Round 6?

Duas semanas após o seu lançamento, a série sul-coreana lidera a audiência da Netflix em mais de 89 países. Brasil é um deles.

João Alves


Já há algum tempo, produções culturais da Coreia do Sul têm perpassado – para não dizer implodido – a fronteira “Oriente-Ocidente”. Na música, esse contato entre diferentes culturas é facilmente identificado devido às parcerias de grande sucesso realizadas entre artistas de língua inglesa e sul-coreanos. Já em relação ao audiovisual, a adesão, até então, se mostrava um pouco tímida. Para não falar dos filmes sul-coreanos que deixaram a crítica boquiaberta, como o ganhador do Óscar de 2020, Parasita, e o clássico cult Oldboy (2003), a audiência da maior parte das produções restringia-se aos fãs da cultura asiática. 

Não é de hoje que a Netflix investe em produções sul-coreanas. Os doramas, apelido dado aos dramas televisionados da cultura asiática, ou os k-dramas, produtos audiovisuais específicos da Coreia do Sul, aparecem com cada vez mais frequência no canal de streaming. O interesse da Netflix por esse material é tanto que, até o final de 2021, ela deve gastar U$ 500 milhões em filmes e séries do país asiático. Embora, geralmente, bem recebidos pelo público, nenhum outro “k-drama” sequer chegou perto do sucesso de Round 6. 

Estrutura simples e aposta no herói

Round 6 tem uma estrutura simples e sem segredos. A série explora um grupo de competidores, pessoas com sérios problemas financeiros – alguns, inclusive, possuíam contrato de cessão de órgãos no caso do não pagamento de dívidas – em uma série de jogos que logo no início se mostram extremos. De acordo com Hwang Dong Hyuk, diretor da série, a ideia para o enredo surgiu em 2008, quando o próprio estava com dificuldades financeiras. O protagonista é Seong, ou o jogador de número 456, que incorpora o herói da série, ao problematizar a moralidade do jogo e até que ponto é válido deixar de lado os valores humanitários pelo dinheiro – na medida do possível. 

Jogos infantis 

O ponto alto da série, sem dúvidas, são os jogos da competição – releituras radicalmente violentas das brincadeiras da infância. Algumas delas são tradicionais da cultura sul-coreana, como o “jogo da lula” (nome original da série), “batatinha frita 1,2,3…”, que logo viralizou nas redes sociais e está disponível para ser jogado digitalmente, e “colméia”. Outros, no entanto, parecem universais. Quem nunca brincou de bolinha de gude ou cabo de guerra? Além desses, durante a trama, alguns jogadores apostam em outros jogos conhecidos por aqui, como amarelinha, elástico e pular corda. O diretor da série explicou, em entrevista, que o motivo das brincadeiras de crianças serem o foco das competições se dá pela sua percepção de como seria uma “versão adulta” desses jogos. Outra interpretação que leva ao entendimento sobre a violência presente em jogos normalmente inofensivos é a constante, e persistente, troca de valores que acontece na vida adulta. Enquanto crianças vêem o mundo de forma pura e lúdica, com foco na diversão, adultos o encaram necessariamente como uma competição, na qual ganha aquele que mais acumula dinheiro e vantagens. Através da releitura dessas brincadeiras, Round 6 acaba por abordar a corrupção de alguns valores morais frente a uma realidade socioeconômica difícil. 

Outra explicação para o sucesso da série no Brasil e em todo Ocidente, é a nossa famigerada obsessão por reality shows. Gênero em franca expansão, a versão brasileira do Big Brother Brasil bateu em 2020 o recorde mundial de maior quantidade de votos do público conseguidos por um programa de televisão. Em certa medida, Round 6 funciona também  como um “falso” reality show – o desempenho dos jogadores é acompanhado por um público bem seleto ou, conforme a série mostra, VIP

Anota aí

Round 6 tem 9 episódios com duração de até 60 minutos e está disponível na Netflix. É provável que você já tenha se esbarrado com vários memes, comentários e até mesmo spoilers sobre a produção pelas redes sociais, mas aqui vai a nossa indicação: Round 6 é uma ótima opção para quem procura um entretenimento inteligente neste final de semana prolongado.  Já assistiu? Comente nas redes sociais do Jornal Cidade o que achou da série. 

 

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