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O Coronel e o Cinema | Artigo

Foto: Ilustração

O Coronel foi famoso por gostar muito de cinemas, de filmes. Sempre ligado nos últimos lançamentos em outros países, aficionado por filmes de ação, principalmente de faroeste, trouxe para o país várias e várias fitas de filmes lançados nos Estados Unidos e Europa. Acompanhava os lançamentos e quando em vez negociava diretamente com os produtores, a compra das fitas.

Um deles, entretanto, foi lançado no Brasil em meados da década de 70 nos cinemas de Belo Horizonte. O filme estrelado por grandes nomes do cinema mundial foi trazido ao país sob encomenda feita especialmente para o Coronel. Ele queria assistir o filme de qualquer forma.

Dizem os antigos que um dos seus funcionários foi aos Estados Unidos única e simplesmente para a compra deste filme: Keoma.

Conta os antigos que este filme se trata de um indivíduo que retorna para casa, após se cansar de enfrentar a morte em tiroteios e disputas. Quando chega em sua terra natal, ela está toda destruída por causa do Capitão Caldwell. Keoma enfrenta este Capitão com o intuito de defender os moradores da cidade deste Capitão, enfrentando tudo e todos, inclusive enfrentando pessoas de sua própria família que eram aliados de Caldwell.

Contam que o filme fez um estrondoso sucesso no mundo todo, sendo considerado por muitos como um dos melhores e mais conhecidos filmes de faroeste do mundo todo. Dizem que foi lançado oficialmente em meados de 1976.

Relatam que neste mesmo ano, no final do ano, o Coronel foi ao cinema sozinho, para assistir este filme. Os cinemas fechavam nas segundas feiras a fim de serem manutenciados e higienizados devidamente. Os banheiros eram lavados, as poltronas limpas e todo o cinema em sua parte superior, cujas janelas eram chamadas de gavetas, sempre com enormes ventiladores e circuladores de ar, eram abertas para devida renovação do ar ambiente. Os tapetes eram retirados e lavados. Os feltros dos filtros dos circuladores também eram retirados para serem limpos.

Numa determinada segunda feira, entretanto, o cinema recebeu apenas um espectador para assistir o tal filme: o Coronel.

Dizem que tão logo entrou, se assentou no meio do cinema. Serviram-lhe alguma bebida. O cheiro de pipoca ascendeu no ambiente. O filme se iniciou sob aplauso do único assistente, tendo o Coronel o assistido com muita atenção. Ao final levantou-se e, satisfeito, dirigiu-se até a sala de projeção para cumprimentar o operador.

Acabou que o Coronel ficou impressionado com o lugar, analisando como o filme é transposto para a tela. Observou que na verdade aquele filme tinha cinco ou seis rolos ao todo, sendo projetados um a um. Ficou ainda mais impressionado ao notar que a fita entrava na máquina de cabeça para baixo. Ainda, notou que o som do filme era sempre adiantado propositalmente pelo operador. Achou tudo interessante. A visita inicialmente proposta para terminar após o filme se estendeu noite adentro quase beirando a madrugada.

Ao perguntar o que poderia fazer para melhorar a vida do senhor que ali trabalhava, ele solicitou que se mandasse instalar bandejas na lateral das máquinas de projeção para que o filme fosse emendado, para que não se parasse a projeção entre uma fita e outra para que se trocassem os rolos, bem como revitalização de equipamentos e algumas peças novas.

O pedido dali a poucos dias foi plenamente atendido e as interrupções entre um rolo de filme e outro a partir de então foram suprimidas.

Nos meses que se seguiram várias melhorias foram instituídas em todos os cinemas da cidade, quer fossem dele ou não. Aliás, segundo consta, o Coronel comprou a maioria dos cinemas na capital, sendo colocados neles os mais modernos equipamentos de filmagens do país, na época.

Histórias que o povo conta…

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