Número de queimadas na região Centro-Oeste MG é preocupante e acende alerta

Número de queimadas na região Centro-Oeste MG é preocupante e acende alerta

Considerando os seis primeiros meses de 2020 e 2021 é possível observar um aumento de 70% na ocorrência no número de queimadas no ano de 2021.

Rhaiane Carvalho 


As altas temperaturas associadas à baixa umidade no atual período do ano ocasionam um cenário bastante oportuno para a propagação de incêndios florestais, como tem acontecido em toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais. Na tarde do dia 19 de julho, um incêndio em cerca de oito hectares de uma região de vargem, um pouco mais que um campo de futebol, pegaram fogo na área urbana de Lagoa da Prata, próximo ao Bairro Américo Silva. Ao chegar no local, o Corpo de Bombeiros do Posto Avançado de Arcos constatou um incêndio de grandes proporções já atingindo uma extensa área. O combate às chamas foi iniciado próximo às residências enquanto era realizado o controle do fogo para outras áreas. No dia 7 de julho, Lagoa da Prata foi tomada por uma nuvem intensa de fumaça. O incêndio resultou em 267 hectares, sendo 60 hectares de palha e 207 hectares de canas, com seis focos de incêndios distribuídos em três fazendas da empresa Biosev. “Estou há sete anos na empresa e esse é o ano mais crítico em relação ao combate a incêndios. É muito tempo sem chuva e não temos previsões para os próximos meses. Será um ano muito difícil de combate aos incêndios”, disse o gerente agrícola da Biosev, Rafael Silveira.

(Queimada na área urbana de Lagoa da Prata — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação).

Segundo Luciano Silveira, bombeiro do pelotão de Arcos, os incêndios florestais são fenômenos poderosos, agravados por descuidos e/ou pelo dolo daqueles que manuseiam áreas florestais, frequentadores de unidades de conservação, proprietários rurais ou mesmo por infratores intencionados em causar danos ao meio ambiente, ao poder público e às propriedades privadas. De acordo com Silveira, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), com uma atuação integrada com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Instituto Estadual de Florestas (IEF), tem realizado um trabalho decisivo no combate a esse tipo de situação, minimizando danos ao nosso patrimônio natural e às comunidades residentes nas regiões afetadas.

Graças a uma atuação integrada e estratégias inovadoras, tais como o monitoramento de focos por imagens de satélite e locação de horas em aeronaves específicas para esse tipo de intervenção, o Estado tem conseguido responder adequadamente a esses incêndios, protegendo também a fauna e flora das Minas Gerais.

Para o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, coronel Edgard Estevo da Silva, esses números refletem um comportamento irresponsável por parte da população que insiste na prática criminosa de provocar queimadas irregulares. Estevo fez questão de reforçar que todos precisam colaborar para um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

“Em razão desses incêndios que estão sendo incrementados em número, no que se refere às adjacências das estradas e em lotes vagos, conclamamos toda a população que possamos atuar juntos na preservação do meio ambiente e da vida. Muito cuidado com fogos de artifício, com fogueiras em área de camping, e muito cuidado em todo o tempo em que você, cidadão mineiro, estiver em contato com o meio ambiente neste momento de tempo extremamente seco, para que não tenhamos a desagradável notícia de incêndio em vegetação que traz risco para vida humana”, disse o comandante dos Bombeiros.

De acordo com um balanço feito pelo Corpo de Bombeiros até o mês de junho, 2021, no mesmo período, já superou o ano de 2020 em termos de queimadas atendidas nas cidades de Arcos, Japaraíba, Lagoa da Prata, Bambuí e Iguatama.

OCORRÊNCIAS DE INCÊNDIO FLORESTAL – 2020
UNIDADE/FRAÇÕES JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ *2020
10° BBM-DIVINÓPOLIS 02 02 18 29 64 121 220 219 209 66 03 03 956
2ª CIA BM-PARÁ DE MINAS 00 00 04 04 06 30 36 52 47 17 04 01 201
2º PEL BM-ITAUNA 01 01 02 03 27 35 57 70 89 32 05 02 324
3° PEL BM-NOVA SERRANA 01 01 02 06 19 26 37 24 40 13 02 01 172
3PEL/2CIA (PA BOM DESPACHO) 00 00 10 14 38 50 61 52 50 23 04 04 306
5° PEL BM-FORMIGA 02 00 10 10 22 31 54 67 82 25 03 01 307
5° PEL BM-ARCOS 00 00 02 13 29 30 65 57 65 33 08 03 305
6º PEL BM-OLIVEIRA 02 00 05 14 21 43 61 90 115 48 03 01 403
TOTAL 08 04 53 93 226 366 591 631 697 257 32 16 2974

 

OCORRÊNCIAS DE INCÊNDIO FLORESTAL – 2021
UNIDADE/FRAÇÕES JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ *2021
10° BBM-DIVINÓPOLIS 16 05 42 78 156 104 401
2ª CIA BM-PARÁ DE MINAS 02 01 07 13 27 26 76
2º PEL BM-ITAUNA 08 03 05 21 48 25 110
3° PEL BM-NOVA SERRANA 03 02 11 23 34 19 92
3PEL/2CIA (PA BOM DESPACHO) 03 02 13 27 64 57 166
5° PEL BM-FORMIGA 07 00 00 14 25 20 66
5° PEL BM-ARCOS 05 01 17 29 49 25 126
6º PEL BM-OLIVEIRA 06 03 10 10 29 19 77
TOTAL 50 17 105 215 432 295 1114

 Fonte: Anuário Estatístico do CBMMG  –CINDS/BM2.

 Se considerarmos os seis primeiros meses de 2020 e 2021 é possível observar um aumento de 70% na ocorrência no número de queimadas no ano de 2021. O Brasil encerrou 2020 com o maior número de focos de queimadas em uma década, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No ano passado, o país registrou 222.798 focos, contra 197.632 em 2019, um aumento de 12,7%. Os números só ficam atrás do recorde de 2010, quando o país registrou cerca de 319 mil focos. Mas 2021 promete ser encerrado superando a marca de 2020, segundo estudos preliminares.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nos quatro primeiros meses do ano de 2020, houve um volume muito grande de chuvas e a umidade do ar ficou em alta. Já no ano de 2021 até agora, choveu menos e o tempo ficou mais seco e as temperaturas mais elevadas.

(Fonte: Inpe/reprodução)

Dados do Inpe mostram que em Minas foram registrados 165 focos de incêndio nos meses de março e abril de 2020. Este ano, no mesmo período foram registrados 362 focos, com destaque para março, que teve 231 focos. Ainda de acordo com o Inpe, o aumento na quantidade de focos de fogo ativo foi de 20% em janeiro, 180% em março e 58% em abril. Apenas em fevereiro houve um recuo em relação ao ano passado. E o quadro não deve se alterar. A expectativa é de que o segundo trimestre de 2021 também seja com tempo mais seco, com chuvas abaixo da média na maior parte de Minas. Com isso, podem ocorrer ainda mais queimadas.

Como se proteger dos efeitos da inalação da fumaça

Dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dificuldade para respirar, dor de cabeça, rouquidão e lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. Esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa e dependente ainda da quantidade e do tempo de exposição à fumaça. Mas o que fazer quando isso ocorre?

Segundo o pneumologista Paulo Henrique Lira, para amenizar os riscos das queimadas para a saúde, é importante, na medida do possível, evitar a proximidade com incêndios, manter uma boa hidratação – tomar bastante água -, e crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 65 anos, manter os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas. Fora isso, em caso de urgência, deve-se buscar ajuda médica imediatamente.

“No contexto da pandemia, esses danos pioram a infecção provocada pela covid-19, devido a própria agressão desencadeada pelos efeitos tóxicos da fumaça das queimadas: inflamação sistêmica principalmente do sistema respiratório, associado a uma diminuição da defesa do organismo frente ao vírus agressor e à piora da oxigenação tecidual”, concluiu.

 

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