Não existem mais palmeiras na Avenida das Palmeiras em Lagoa da Prata

Não existem mais palmeiras na Avenida das Palmeiras em Lagoa da Prata

Prefeitura decide cortar mais de 40 palmeiras que ornamentavam avenida do entorno da Praia Municipal. Perito em ciências ambientais condena atitude e opinião pública exige justificativa da Secretaria de Meio Ambiente.

Alan Russel

Na  tarde da última quarta-feira (19), a redação do Jornal Cidade recebeu diversas mensagens de cidadãos indignados, relatando que uma equipe do Corpo de Bombeiros estava realizando o corte de árvores na Avenida das Palmeiras. A reportagem do JC se deslocou até o local, constatou as denúncias e apurou os motivos que levaram os profissionais do Corpo de Bombeiros a realizar o corte de dezenas de palmeiras que há mais de 30 anos ornamentavam o calçadão que envolve o maior ponto turístico da cidade de Lagoa da Prata.

De acordo com o sargento Alessandro, do Corpo de Bombeiros de Formiga, o corte das palmeiras foi uma solicitação da gestão municipal, via Secretaria de Meio Ambiente. A equipe da prefeitura começou o corte e o Corpo de Bombeiros fez o trabalho de dividir os troncos em pedaços menores.

Corte foi feito após laudo técnico de engenheiro que constatou que palmeiras estavam mortas e ofereciam riscos a população, mas mestre em ciências ambientais contradiz ação e já está tomando medidas cabíveis. (Foto: Alan Russel).

“Foi constatado via laudo técnico, que esses coqueiros estavam mortos, com bichos e com risco eminente de vir a cair. Fomos informados que aqui é um local onde a população costuma fazer caminhada e encaminhamos uma equipe para fazer uma vistoria mais detalhada onde avaliamos que existia risco iminente”, informou o sargento.

O mestre em ciências ambientais, Frederico Muchon, esteve no local onde aconteceu o corte das palmeiras e na ocasião gravou um vídeo que rapidamente foi amplamente compartilhado nas redes sociais. No vídeo, Muchon aponta que o corte das árvores foi uma atitude de extrema irresponsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente.

Muchon conversou com a reportagem do JC e disse que já está tomando as medidas cabíveis para que os responsáveis pela intervenção ambiental sejam punidos.

“Não existe nenhum argumento técnico para a poda dessas palmeiras. Constatamos que, diferente do que diz a Secretaria de Meio Ambiente, as palmeiras estavam saudáveis e as mesmas não ofereciam risco algum para a população que usa o espaço para caminhar ou pedalar. Isto que fizeram aqui na Avenida das Palmeiras é inadmissível e já apresentei estas informações ao conhecimento da promotoria”, explicou o mestre em ciências ambientais.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, soltou uma nota onde justifica a poda das palmeiras. De acordo com o secretário Lessandro Grabriel, o fluxo de pessoas que praticam caminhada no calçadão do contorno da Praia Municipal é alto e as palmeiras estavam trazendo risco a essas pessoas.

“Após o laudo de um engenheiro florestal, do Corpo de Bombeiros, ficou claramente evidenciado que as palmeiras já estavam mortas e isso oferece alguns riscos as pessoas que transitam pelo local. É importante ressaltar também que as palmeiras condenadas serão substituídas por árvores de espécies apropriadas para a área, evitando acidentes com carros, ciclistas e pedestres, além de oferecer uma arborização que, com certeza, trará uma visão mais bonita e harmoniosa”, concluiu o secretário.

Prefeitura de Lagoa da Prata, por meio da Secretaria de Meio Ambiente solicitou os cortes de árvores. (Foto: Alan Russel/Jornal Cidade).

Opinião pública é contrária ao posicionamento da Secretaria de Meio Ambiente

Diante da atitude da gestão, não demorou muito para que a população começasse a usar as redes sociais para protestar e cobrar respostas do poder público. O representante de vendas, Túlio Castro, foi um dos cidadãos que se indignaram com o corte das palmeiras e iniciou um abaixo assinado onde critica o posicionamento da Secretaria de Meio Ambiente e exige o replantio imediato das árvores.

“Fiquei sabendo do acontecido via Facebook e de imediato me senti na obrigação de fazer alguma coisa. Liguei na Secretaria de Meio Ambiente onde me explicaram de forma vaga e sem argumentos plausíveis os motivos que levaram a cortar as árvores. Daí tive ideia de fazer o abaixo assinado. Infelizmente, as árvores já foram cortadas, porém, o mínimo que deve ser feito é o replantio imediato dessas palmeiras. A Prefeitura precisa entender que não pode simplesmente fazer isso e não dar explicação dos motivos que levaram ao corte das árvores. A população precisa saber. É inadmissível que, de um dia para o outro, sem justificativa ou aviso nenhum,  a avenida do contorno amanheça sem nenhuma das palmeiras que há muitos anos era parte daquele lugar, inclusive dando nome a avenida”.

O analista de sistema, Márcio Cesar, mora a poucos metros da Avenida das Palmeiras e usa diariamente o calçadão para caminhar. Márcio salienta que a atitude da gestão vai na contramão do que é esperado de uma Secretaria de Meio Ambiente.

“Na minha opinião, o corte das palmeiras vai contra tudo o que vem sendo implementando em relação ao desenvolvimento sustentável no mundo. Parece que aqui em Lagoa da Prata, a consciência é outra. É totalmente possível conciliar o desenvolvimento com o meio ambiente. Como morador do Bairro Coronel Luciano, fiquei muito triste. Eu me acostumei a caminhar no calçadão e ver maritacas e pássaros de diversas espécies. E agora, do nada, cortam todas as palmeiras? Destruíram as árvores e o mínimo que a gente espera é uma resposta com embasamento técnico que comprove a necessidade de acabar com as palmeiras que já faziam parte deste espaço tão precioso da nossa cidade” finalizou Márcio.

              Moradores gravam vídeos indignados com ação no entorno da Praia Municipal.

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