fbpx

Muito além de incêndio: destruição ambiental e danos à saúde de quem inala fumaça

Nos últimos 3 anos, de acordo com o 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros, houve um aumento de 150% nas ocorrências de incêndios em matas no Centro-Oeste de Minas. Na região, as cidades que mais enfretam casos de queimadas são Lagoa da Prata, Moema, Luz, Formiga e Arcos.

Várias cidades da região Centro-Oeste de Minas, principalmente, Lagoa da Prata, Moema, Luz, Formiga e Arcos, estão enfrentando a fumaça das queimadas, que degradam o meio ambiente e causam danos à saúde humana. Nos últimos 3 anos, de acordo com o 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros, houve um aumento de 150% nas ocorrências de incêndios em matas no Centro-Oeste de Minas. O aumento foi tão grande que nos meses de março, abril e maio o Corpo de Bombeiros viu a necessidade de desencadear um plano de ação em Divinópolis, Formiga, Arcos, Oliveira, Pará de Minas, Itaúna, Nova Serrana e Bom Despacho para analisar as dimensões de lotes vago (área estimada), tipos de vegetações existente, altura, dentre outros aspectos, conscientizando a população sobre a importância de manter os locais em condições adequadas para evitar queimadas. Para se ter uma ideia, em 2018 foram registrados 1.283 focos de incêndio em vegetações nos cerca de 50 municípios da região. Já no ano passado (2021) este número subiu para 3.238 focos.

Para entender melhor sobre o assunto, a reportagem conversou com o Policial Ambiental de Lagoa da Prata, Leonardo Borges, que explicou como tem sido o trabalho da Polícia de Meio Ambiente de Lagoa da Prata no combate aos incêndios. “Os incêndios florestais são mais intensos nessa época. É de uma proporção maior e incontrolável! Muita das vezes não se sabe a origem e nem quando e onde vai terminar, como, por exemplo, fogo em mata fechada, incêndio em canaviais. Já as queimadas, por exemplo, são as em lotes vagos, fundos de quintal, pequenas áreas em fazendas, muitas das vezes, feita pelo homem para limpeza. Essas são mais fáceis de controlar”.

Além do dano à saúde, queimadas são configuradas como crime, conforme explica o policial.

“Os incêndios são crimes ambientais e ambos causam sérios danos ao meio ambiente, e seus autores estão passíveis de autuações caras e sujeitos a procedimentos administrativos junto ao Ministério Público”.

Leonardo ainda explicou como são feitos os trabalhos de conscientização e orientou a população quanto às limpezas que forem necessárias.

“Fazemos o trabalho de prevenção através de patrulhamento em áreas de maiores incidência de queimadas e conscientização nas escolas, entrevistas em rádios, jornais etc. Quando tiver a necessidade de limpar uma área, que faça e acione o município para proceder a limpeza das galhas e folhas produzidas. Eles prestam este serviço e tem local adequado para o depósito. Caso queiram, também tem a opção do serviço terceirizado – que não sai muito caro – tendo em vista que essa demanda é gerada uma vez só por ano. A Polícia Militar de Minas Gerais conta com o apoio da população no combate e prevenção à queimada”, explicou.

Inalação de fumaça

Inalar fumaça de queimadas é grave e pode trazer consequências a longo prazo como queimaduras nas vias aéreas e desenvolvimento de doenças respiratórios como bronquite e pneumonia. Para entender melhor sobre os riscos e cuidados, a reportagem conversou com a médica Vanessa Cristina.

“Quando inalamos fumaça o monóxido de carbono, que é uma substância tóxica chega aos nossos alvéolos, que são responsáveis pela troca gasosa e parte fundamental da nossa respiração, gerando um acúmulo de sangue na região, impedindo a respiração. A pessoa pode, até mesmo, evoluir de intoxicação respiratória para a morte em minutos, dependendo da quantidade de fumaça que foi inalada. Todavia, os indivíduos que inalam uma quantidade menor de fumaça ainda podem sofrer complicações por até 3 semanas, desenvolvendo infecções respiratórias. Caso inale fumaça e perceba uma evolução na dificuldade para respirar, procure um médico rapidamente”.

 

 

 

► DEIXE ABAIXO SEU COMENTÁRIO ◄