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Memórias, desafios e responsabilidades marcam o dia do repórter em Lagoa da Prata e região

O Jornal Cidade conversou com os jornalistas Bárbara Félix, Júnior Nogueira, Laiana Modesto e Rhaiane Carvalho sobre a importância deste profissional em um contexto no qual a informação, mais do que nunca, é alvo de disputa e faz a diferença no dia a dia das pessoas.

Se engana quem pensa que o trabalho do repórter se resume a narrar determinada história ou fato de forma técnica e impessoal. Muito além disto, o esforço de um bom repórter é evidenciado quando ele emprega toda a sorte de recursos disponíveis para encontrar a verdade – muitas vezes escondida por detrás da superficialidade e daquilo que, à primeira vista, nos parece óbvio – e se vale da sua sensibilidade para transmiti-la de forma precisa e humana. 

Não importa qual a temática ou dimensão social da notícia: de um problema na calçada a uma discussão no Congresso de Brasília, o repórter vai atrás da informação e garante que a população se inteire acerca do problema, seja através de impressos, portais de internet, rádios, emissoras de televisão e redes sociais. Por isso mesmo, em uma sociedade plural e complexa, com problemas sociais enraizados e que se estendem por mais de quatro séculos, o repórter é um profissional cuja responsabilidade engloba a participação popular sobre as decisões que farão a diferença tanto localmente quanto globalmente – para inferir na realidade, é necessário, antes, conhecê-la em suas múltiplas facetas, e de que forma isso seria possível sem o trabalho de investigação do jornalismo?

Com isso em mente, nesta quarta-feira, 16 de fevereiro, é comemorado nacionalmente o dia do repórter. Para homenagear este profissional, e também abordar os principais desafios que o cercam neste momento específico da sociedade contemporânea, O Jornal Cidade conversou com os jornalistas Bárbara Félix, Júnior Nogueira, Laiana Modesto e Rhaiane Carvalho, de diferentes veículos de comunicação de Lagoa da Prata e da região Centro-Oeste de Minas Gerais.

Bárbara Félix. (Foto: Sou+Lagoa/Divulgação)

Bárbara Félix, repórter e editora-chefe do Sou+Lagoa, desde a infância é apaixonada por escrita e leitura. De acordo com a jornalista, sob a influência de sua mãe, Nízia, que lhe apresentou o universo dos livros e lhe transmitiu o hábito de escrever um diário, ela buscou uma profissão que dialogasse com essa sua paixão. Não deu outra. Aos 18 anos, Bárbara ingressou no curso de jornalismo e, já nos primeiros períodos, tratou de “pôr a mão na massa”. 

“Em 2017, quando comecei o curso, fui chamada para participar da produção da revista comemorativa de 79 anos de Lagoa da Prata, realizada, inclusive, pelo Jornal Cidade. Foi a minha primeira experiência no jornalismo e me marcou muito. Conheci muita gente, entrevistei muitas pessoas e conheci muito da história de Lagoa da Prata. No ano seguinte, em 2018, iniciei um estágio no Sou+Lagoa. Hoje, sou repórter e editora-chefe do veículo, atuando na produção de reportagens artísticas e culturais, na cobertura dos eventos que acontecem na cidade, e também produzo conteúdo para as plataformas digitais do Sou+Lagoa”, comenta Bárbara Félix. 

Júnior Nogueira, do Jornal O Papel, começou no jornalismo por curiosidade. Conta o jornalista que, por gostar de escrever, se inscreveu em um concurso na Rádio Tropical durante a década de 90 e, após ser aprovado, começou a realizar reportagens para a emissora. De lá para cá, editou um jornal de classificados chamado “Negócios e Negócios” e criou um jornal de notícias chamado “Folha”, inspirado no jornal paulista “Folha de São Paulo”. Depois disso, criou “O Papel”, que reunia o trabalho de reportagens da “Folha” com os classificados da “Negócios e Negócios”. O Jornal “O Papel”, que existe desde 1994, é um dos veículos de comunicação mais respeitados e tradicionais de Lagoa da Prata. Formado em Engenharia Ambiental, ele acrescenta que a prática e paixão pela profissão lhe tornaram jornalista, ainda que o seu curso de formação seja de outra área. 

Júnior Nogueira (Foto: Arquivo pessoal)

A paixão pela reportagem, aliás, nem sempre surge imediatamente e, muitas vezes, acontece depois da experiência em outras profissões e da passagem em outros cursos acadêmicos. Este é o caso de Rhaiane Carvalho, uma das diretoras do Jornal Cidade. 

“O jornalismo entrou na minha vida de forma muito inesperada. Eu queria e precisava trabalhar. Então, fui indicada para a vaga de auxiliar administrativo do Jornal Cidade. Sou formada em Letras, não em jornalismo. Mas aos poucos fui me apaixonando pela profissão, que me dá a oportunidade de ser a voz das pessoas, e acho isso muito gratificante. Hoje, de auxiliar administrativo, me tornei uma das prioritárias do Jornal Cidade, e faço jornalismo da hora que acordo até quando durmo. E tenho como premissas fazer com amor e responsabilidade, sempre.”, afirma Rhaiane Carvalho.

Rhaiane de Caravalho (Foto: Arquivo pessoal)

Amor e responsabilidade também são as palavras-chave da jornalista Laiana Modesto quando questionada sobre o que a levou a se interessar pela profissão.

“Sempre me interessei pela comunicação e o quanto a informação pode abrir portas para a sociedade. Dar transparência, conhecimento e ser “remédio” em muitos momentos da vida. Com sonhos bem ousados de poder fazer alguma diferença nos lugares onde eu pudesse passar, eu escolhi o jornalismo para me ajudar nisso. Sempre comento que depois da fase escolar, as pessoas tem a oportunidade de aprender através do jornalismo. O jornalismo é uma profissão que se levada a sério, pode ajudar a formar pessoas, e a partir disso, tornar o mundo, um lugar melhor pra se viver. E desde o dia que eu entendi que poderia fazer parte disso, fiquei encantada”, comenta Laiana. 

Laiana Modesto (Foto: Arquivo pessoal)

A jornalista, que atualmente é diretora do Sou+Lagoa e do Jornal Cidade, acumula passagens por diferentes setores da comunicação social.  Trabalhou nas assessorias de comunicação das Prefeituras de Arcos, Japaraíba e Lagoa da Prata, foi repórter do portal de Notícias G1, produtora de TV da TV Integração, em Divinópolis, além de participar da revista Official Chic e do Jornal O Papel. Paralelo ao trabalho de jornalista, Laiana atua na produção cultural de diferentes eventos: “Através do Sou+Lagoa criamos o Rocknic Festival, Festival de Cerveja Artesanal de Lagoa da Prata, Festival de Inverno e estamos criando o Praia de Minas Festival”. 

Desafios do repórter nos dias atuais

Em um momento no qual a imprensa é continuamente atacada e em que se nota um esforço para que o trabalho do jornalista seja desacreditado, ora em um função da autopromoção de personagens específicos da vida pública e ora por um contexto tecnológico que tornou a informação passível de ser produzida por qualquer pessoa, através das várias redes sociais e até mesmo do whatsapp, o trabalho do repórter revela-se, além de importante para uma comunicação transparente e pautada em fontes confiáveis, corajoso. Além disso, as fakes news, cada vez mais presente no dia a dia dos brasileiros – e de qualquer outra pessoa no mundo, diga-se de passagem – são um outro desafio que este profissional do jornalismo precisa combater. 

Sobre esses obstáculos e o papel do repórter como um profissional responsável na apuração das informações, os entrevistados se manifestaram da seguinte forma. Para Rhaiane Carvalho, trabalhar com o jornalismo, principalmente nos últimos tempos, tem sido um enorme desafio: 

“A gente tem que fazer o nosso trabalho e ainda desmentir notícias que, muitas vezes, não são verdadeiras e não fazem sentido algum. Com a internet, muita gente que não apura nada acha que sabe tudo. Mas fazer jornalismo ultrapassa o achar. Por exemplo, tem muitas coisas que como pessoa não vou concordar, mas não é a Rhaiane que está falando, é a profissional. Só quem faz jornalismo sabe o quão difícil é fazer bem feito. Claro que tem a ala sensacionalista, mas a maioria não é. A gente só quer levar informação, pois ela é poder. E quem discorda disso está assinando a sentença para que outras pessoas falem e pensem por elas. Que a gente saiba separar as coisas e entender, de fato, a importância da informação. A informação é importante para você saber discutir e discorrer sobre quaisquer assuntos. Sem a informação, além de te deixar numa bolha, você não passará em vestibulares e muito menos concursos. Que as pessoas saiam da bolha de que a imprensa é inimiga, é bem óbvio o motivo de estar sendo tratada assim nos últimos tempos, pois um povo bem informado exige seus direitos e não aceita qualquer coisa.”, desabafa a repórter.

Bárbara Félix comenta que, nesta era em que o compartilhamento de fake news é como um “miojo”, instantâneo, fácil e rápido, e em que muitos desacreditam no jornalismo, o principal desafio que o repórter enfrenta é combater a desinformação.“Daí, vem a nossa responsabilidade: correr atrás da verdade. Informar todo mundo de forma muito clara”, reflete. 

Júnior Nogueira também acredita que o principal desafio da reportagem no contexto atual é se contrapor às fakes news, ou seja, à divulgação sem critério e sem checagem que se propaga muito rapidamente na internet. 

“Para mim, a maior dificuldade é continuar trabalhando com responsabilidade e alcançar o público, ao passo que as fakes news, que são publicações sem esse trabalho de conferência e de verificação, são muito mais rápidas e conseguem alcançar o público com mais facilidade”, comenta o jornalista. 

Laiana Modesto afirma que brigar o tempo todo pela verdade é, hoje, a principal dificuldade que o repórter enfrenta. “Fazendo uma analogia esdrúxula, porém necessária e até cansativa, as fake news são um câncer no jornalismo.”, adverte. 

O nosso trabalho principal é dar a informação com responsabilidade. Na hora da apuração dos fatos existe a preocupação em garantir a transparência ao leitor, ouvindo todos os lados e de diferentes fontes. É realmente um trabalho de reportagem! No entanto, com a ascensão das redes sociais e a velocidade na qual o “boato” chega e é espalhado para milhares de pessoas, sem passar por nenhum crivo, dificulta muito este trabalho de lapidação da informação que é feito através do jornalismo”, afirma a repórter. 

Ainda, Laiana fala que muitas vezes as fake news enganam com facilidade se tornam, quase que de forma automática, “verdades”. 

“Portanto, o nosso trabalho tem sido muitas vezes desmentir estes boatos. O que mais me deixa triste é saber que as fakes news são criadas propositalmente para enganar e manipular a sociedade, muito diferente do que me encantou no jornalismo, que tem o objetivo de formar pessoas oferecendo conhecimento e oferecendo a oportunidade das pessoas refletirem, aprenderem e formarem suas próprias opiniões e pensamentos”, finaliza a jornalista. 

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