Manifestações contra governo Bolsonaro marca final de semana no Centro-Oeste MG

Manifestações contra governo Bolsonaro marca final de semana no Centro-Oeste MG

Cerca de 5 cidades da região Centro-Oeste de Minas Gerais aderiram ao ato nacional, que pede o impeachment do Presidente Jair Bolsonaro, aumento no auxílio emergencial e mais vacinas.

Karine Pires

No último sábado (29), diversas manifestações ocorreram em várias partes do Brasil contra o Governo Bolsonaro. Os manifestantes reivindicaram pautas como o impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro (Sem Partido), aumento do auxílio emergencial e por mais vacinas. No Centro-Oeste de Minas Gerais, 5 cidades estavam na lista das que participariam da mobilização nacional. Em meio à uma 3ª onda de contágio pela covid-19, muitos se dividiram em relação à participar ou não do ato. O JC conversou com organizadores e também participantes das manifestações na região para saber sobre como foram os atos nas cidades.

Em Arcos, a estudante de psicologia, Brena Morais, contou que o ato foi feito através de carreata e que pensou em não participar do evento, devido ao risco de contrair o novo coronavírus. No entanto, como cada um seguiu em seu carro, ela se sentiu mais segura. Para a estudante, o evento foi organizado e seguro, pois cada um foi com seu veículo usando máscaras.

Em relação à sua participação no ato, Brena afirma que achou importante manifestar sua indignação contra o Governo Federal e principalmente, contra o Presidente da República.

“Achei importante manifestar tanto a indignação com o governo, especialmente com o presidente da República, com relação às suas ações, ou a falta delas, durante a pandemia, quanto também para manifestar uma homenagem às vítimas da covid. No sentido de não deixar essas vidas perdidas serem banalizadas, foram muitas mortes que poderiam ter sido evitadas, e o maior culpado por muitas delas é o “cara” que ocupa o cargo de presidente atualmente. É só acompanhar a CPI da Covid no Senado que as provas da culpa dele e dos seus capachos ficam cada vez mais claras.”

A estudante afirma que pelo menos uns 50 carros participaram da carreta e que considera um número grande considerando o tamanho da cidade. “Não sei o total ao certo, mas penso que uns 50 carros em média… para uma cidade do tamanho de Arcos penso que é uma grande quantidade de gente que se dispôs a ir às ruas nesses tempos difíceis e complicados de poder fazer isso”, disse.

Para Brena, o ato em uma cidade pequena também tem peso, pois todos estão sendo afetados pelas ações do governo e que as pessoas estão morrendo por uma doença que já tem vacina. A estudante ressaltou entre as ações do presidente, o estímulo ao uso do tratamento precoce que não é eficaz contra a covid-19, também é motivo de indignação.

Foi importante esse ato em uma cidade pequena, pelo mesmo motivo de acontecer nas grandes cidades. É preciso manifestar a indignação com relação à essa barbárie que está acontecendo durante a pandemia. Todos nós estamos sendo afetados pelas decisões do governo em demorar para comprar vacina, em diminuir e dificultar mais ainda o auxílio que já era pouco, em desmerecer as vidas perdidas! As pessoas estão morrendo nos hospitais por uma doença que já tem vacina e que o presidente decidiu por conta própria não comprar quando devia. Está comprando agora, depois de um ano e meio de pandemia! Além de incitar tratamentos precoces que já foram comprovados que não funcionam! Enganando as pessoas, fazendo elas botarem a vida em risco. Os motivos são muitos!

A reportagem conversou com alguns organizadores do evento que não quiserem ter seu nome exposto, por medo de retaliação. Um dos organizadores do evento no município, ressaltou que foi um ato apartidário para manifestarem sua insatisfação com o atual governo e que, a pauta da manifestação foi justamente dar um “basta” na condução do governo federal frente a pandemia da covid-19, visto que, o país se aproxima de meio milhão de mortos pela doença e que muitas pessoas morreram por acreditar discursos que negaram a gravidade da doença.

“A manifestação de 29/05 em Arcos, alinhada às manifestações nacionais, foi espontânea e organizada por cidadãos insatisfeitos com o governo. Não houve bandeiras, nem militâncias partidárias. Foi uma carreata silenciosa, sem buzinaço nem qualquer tipo de celebração, afinal, dos quase 500 mil mortos no país, vitimados pela covid, e destas, 124 eram arconeses, conhecidos e queridos por todos. Muitos desses mortos, aliás, eram apoiadores do atual governo. Essas pessoas foram enganadas com discursos negacionistas, com políticas negacionistas e pagaram com a vida. Uma terceira onda virá. Outras pessoas, que ainda seguem “iludidas” e, principalmente, enganadas, irão morrer também. É preciso dar um basta urgente. E esse ‘Basta!’ foi o que pautou a manifestação.”

Outra organizadora do evento, pontuou que além de manifestarem o descontentamento com o Governo Bolsonaro, o grupo optou por participar também por entenderem que a gestão do município apoia o governo. “Como todos sabem, foi um movimento nacional e nós decidimos que era necessário participar, principalmente por entender que a nossa cidade possui uma frente de apoio ao governo muito forte e que, cabe a nós, buscar a mudança de pensamento da nossa população. Não se trata de um movimento partidário e muito menos de pessoas que tenham interesses políticos de caráter pessoal, somos apenas pessoas que ainda tem esperança de melhora através do impeachment da atual chapa presidencial, no entanto, temos consciência que não conseguiremos sozinhos e decidimos ir às ruas buscar apoio.”, explicou Raissa.

Ela também explicou que uma das pautas principais foi por mais vacinas e também lamentar as mortes pela covid-19.Nosso principal objetivo era reivindicar a vacina e lamentar todas as vidas que foram perdidas, principalmente na nossa cidade, por não ter acesso a um bem básico que já existe mas que nos foi negado”, afirmou. E por fim, finalizou seu depoimento dizendo que houve sucesso na adesão do movimento e que, isso não é motivo de felicidades, devido os indicadores da covid-19 no país.

Apesar de adesão ter atingido a expectativa, não podemos dizer que estamos felizes, pois se trata de um momento triste e delicado. Porém, ver tanta gente na rua, demonstrando a insatisfação e a disposição de lutar, nos deu força para continuarmos buscando dias melhores, com a consciência que só conseguiremos através da vacina, da saúde e da educação.

Em Lagoa da Prata, o assessor administrativo, Felipe Araújo, pontou que ele estava bastante inquieto com a situação do país e que decidiu organizar o movimento na cidade, mas muitos se opuseram devido a situação da doença. “Eu dei ideia de dependendo da quantidade de pessoas que iam participar, da gente realizar a manifestação em vários lugares ( da cidade), para evitar aglomeração e que também, quem achasse mais seguro, fizesse uma carreata de carro ou moto, juntamente com a gente que estaria a pé, com os cartazes na rua,” explicou Felipe. Ao todo, 11 pessoas participaram do movimento.

Foto: Felipe Araújo/ Arquivo Pessoal

Segundo Felipe, a organização foi feita com a ajuda de um amigo e que antes das eleições foi feito um movimento para avisar a cidade da incompetência do atual presidente da república e que não entende as motivações de grande parte do país ter eleito ele ao cargo.

Quem decidiu ir pra rua, decidiu porque vê que está em um beco sem saída. Vimos que houve manifestação pelo mundo e as pessoas ficaram paradas esse tempo todo por conta do vírus. A gente foi pra rua pra isso, para que o governo tenha ações mais concretas que ele distribua máscara que sejam eficientes contra o vírus e que tenham medidas que contenham o vírus, apesar que não acreditamos que o governo não vai mudar suas atitudes. O Bolsonaro é pior do que o vírus, tanto que é isso que a CPI está monstando.

Segundo Felipe, as ações do Governo Federal de recusar vacinas, do presidente promover aglomerações e de minimizar a gravidade da doença, também foram consideradas pelos manifestantes ao participarem do ato. E que, a manifestação em cidades do interior, também são importantes e que as pessoas devem se manifestar não só deste tipo mas que pois qualquer a. “As consequências dos governos também atingem quem está no interior. Eu acredito que a gente talvez tenha mostrado que cidade do interior que também tem gente contra esse governo nefasto”, finalizou. 

Registro feito em Formiga durante carreata. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Houve registros de protestos em Bambuí e também em Formiga, que ocorreram através de carreata. Confira no vídeo abaixo um registro do momento.

Netwise

CPI da covid-19

Paralelo às manifestações, está ocorrendo a “CPI da Covid-19”, que trata de uma comissão parlamentar de inquérito que está em andamento no Brasil para investigar se houve omissão e irregularidades nas ações do Governo Federal no país.

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