Lagopratenses vacinados em outros países trazem esperança para conterrâneos

Lagopratenses vacinados em outros países trazem esperança para conterrâneos

Enquete realizada nas redes sociais do Jornal Cidade aponta que 85% dos leitores tomariam a vacina.

Karine Pires

Milhares de brasileiros estão ansiosos com a vacina contra a Covid-19, doença que assolou o país e o mundo em 2020 e que continua em 2021. No fim do ano, diversos países iniciaram a vacinação contra a doença, mas o Brasil, neste momento, ainda se prepara logisticamente para vacinar os brasileiros. Ainda assim, o plano de vacinação no país é criticado por especialistas por ser considerado “tardio” e pelos altos indicadores do coronavírus no país. Em uma enquete realizada pelo Jornal Cidade, por meio da rede social Instagram, 85% dos leitores tomariam a vacina, enquanto que 15% afirmaram que não tomariam. Quando perguntados o motivo pelo qual tomariam ou não a vacina, as respostas foram as mais diversas, confira algumas:

Netwise

“Acredito na eficácia, e estou com saudades de abraçar meus pais. Vem vacina”.

“Se é pra prevenir essa doença devastadora, porque não?”

“Não confio na reação da vacina a longo prazo”.

“Vacina não aprovada e nem comprovada. Não confiável ainda”.

“Vacina, na minha opinião, é um pacto coletivo. Não se trata de uma escolha individual”.

Em dezembro de 2020, o Jornal Cidade lançou a mesma enquete, que afirmou que 69% das pessoas tomariam a vacina, mas a maioria ainda tem receio.

Segundo o médico cardiologista, Lucas Castro, a vacinação é muito importante para conter o vírus, assim como outras doenças que já foram erradicadas no mundo. “Há muita politicagem envolvida, mas o que as pessoas não podem se abster é que milhares de pessoas já perderam suas vidas e muitas outras lutam pra viver. O vírus é real e nós, que acompanhamos de perto, sabemos do estrago que ele causa na vida de uma pessoa e de uma família inteira. A gente precisa ter responsabilidade nesse momento e entender que a vacina não é qualquer produto colocado no mercado. Existem uma série de critérios só pra elas entrarem em fase de teste, quanto mais para serem aplicadas. São profissionais que estudaram e estudam muito para desenvolver essa e outras vacinas”, afirmou.

Ele ainda acrescentou que a vacina é urgente. “Não podemos ficar procrastinando. Precisamos de efetividade, porque isso custa vida”.

Privilegiados

Nossa redação conversou com lagopratenses que tiveram o privilégio de se vacinarem fora do Brasil.  O lagopratense Mateus Ramos Amorim é formado em Fisioterapia e tem mestrado e PhD na Universidade de São Paulo (USP) em Ciências, na área de Fisiologia. Ele contou ao Jornal Cidade que está nos Estados Unidos como pesquisador na Johns Hopkins University em colaboração com a USP, e que recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 11 de janeiro. “Recebi a vacina da Moderna. Nos EUA estão disponíveis as vacinas da Pfizer e da Moderna. O fabricante não importa. Eles não me ofereceram a outra opção e eu também não questionei. Todas as vacinas aprovadas para uso emergencial pelo Food and Drug Administration – Administração de Alimentos e Medicamentos em português (FDA) nos EUA e eventualmente pela Anvisa no Brasil são seguras. Eu tomaria qualquer vacina aprovada pelos órgãos responsáveis. Na Universidade, os funcionários foram alocados em diferentes grupos, após o preenchimento de um questionário padrão. Após a conclusão deste questionário, eu consegui agendar para essa data. Ainda temos um grande número de pessoas para vacinar em todo o mundo e o início da vacinação representa uma dose de esperança no combate à covid-19. Espero que todas as pessoas tenham acesso a vacina contra a doença e quando tiverem acesso não hesitem em tomá-la. “A vacinação é um compromisso coletivo no combate às doenças e devemos nos vacinar para proteger a nós mesmos e a sociedade ao redor”, ressaltou Mateus.

Foto: Mateus Ramos Amorim/ Arquivo Pessoal

Brena Morais dos Reis, mora em Dublin, na Irlanda, país que ocupa a 11ª posição na velocidade da campanha de vacinação contra a covid-19 no mundo, de acordo com a Our World in Data, organização que desenvolve pesquisa e dados para fazer progresso contra os maiores problemas do mundo. “Brena recebeu a primeira dose da Comirnaty nesta quinta-feira (14), vacina produzida pela Pfizer. Daqui três semanas ela irá retornar para tomar a segunda dose. Ela foi uma das primeiras a tomar a vacina, pois trabalha com idosos que são do grupo de risco da covid-19.

O momento da vacinação foi muito aguardado por ela, “Nossa, eu estava esperando muito [para receber a vacina]. Não via a hora!”. Na Irlanda a vacinação foi organizada priorizando pessoas com 65 anos ou mais que vivem em instituições como lar de idosos, profissionais de saúde da linha de frente do combate ao coronavírus, incluindo aqueles que prestam serviços essenciais para o programa de vacinação, entre outros grupos que também foram prioridade para receberam a vacina.

De acordo com Brena, mais de 15 mil pessoas foram vacinas contra a covid-19 na Irlanda. A vacina Comirnaty tem 95% de eficácia. O ato de se vacinar vai além de se proteger, é ter empatia e respeito pela vida do próximo de acordo com a lagopratense. “Mas é o único jeito né?! [tomar a vacina]. Mas aqui já foram vacinados mais de 15 mil pessoas e não teve nenhum caso que teve reações fortes. Ou toma a vacina ou vive do jeito que estamos, milhares de gente morrendo todo dia. Pensar no próximo já basta”.

Foto: Brena Morais/Arquivo Pessoal.

Ana Flávia Menezes, uma lagopratense que mora na Inglaterra, recebeu a primeira dose da vacina em dezembro de 2020 e irá receber a segunda dose em 25 de fevereiro.

No momento, estão liberadas três vacinas no Reino Unido, sendo a Pfizer/BioNtech, Oxford/AstraZeneca e Moderna. Ana contou que recebeu a primeira dose da vacina Pfizer/BioNtech no dia 17 de dezembro e segundo ela, a vacina foi o seu presente de Natal.

“Fiquei muito feliz e me senti privilegiada de ter esta oportunidade tão cedo, pelo meu ramo profissional estou no Grupo 2. Minha segunda dose da vacina Pfizer/BioNtech vai ser no dia 25 de fevereiro e estou contando os dias. Espero que todos tenham a oportunidade de ser vacinados o mais rápido possível, pois só assim poderemos voltar a ter uma vida ‘normal’ novamente”, declarou.

Na Inglaterra, a população foi dividida entre nove grupos para receber a vacina. A lagopratense Ana Flávia está no segundo grupo, onde foram vacinadas pessoas maiores de 80 anos e os profissionais da saúde e assistência social.

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