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Lagoa da Prata: um berço de atletas

O esporte é parte da formação social de uma pessoa e gera muito amor por quem pratica, além das medalhas, mas ainda precisa de mais investimentos.

Rhaiane Carvalho

Karine Pires


Que Lagoa da Prata é um berço de atletas ninguém pode negar. A cidade possui em seu currículo o pentacampeão Gilberto Silva, a atleta olímpica Núbia Soares, Alexandra Pimenta (Xandinha) também no atletismo com diversas disputas nacionais e internacionais, Tulio Malta, que é piloto da Yamaha, possui vários títulos, sendo campeão brasileiro na categoria Moto 2 pelo Rally RN 1500 e vice-campeão Moto-2 do Rally dos Sertões.  Motivados por esses e tantos outros atletas, jovens lagopratenses vêm se destacando em diversas modalidade, sendo a principal delas o atletismo, como é o caso do Luiz Felipe (bochecha) no arremesso de peso, Julia Santos, no lançamento de dardo e disco; Adrian Martins, no lançamento de disco e arremesso de peso; Pedro Lucas, no lançamento de disco e arremesso de peso; Arthur Serapião, nos 100m com barreiras; Sofhia Carolina,  nos 100m rasos; Carolina Rios, lançamento de disco e no arremesso de peso; Miguel Serapião, no lançamento de dardo e lançamento de disco; Aline Morais, no lançamento de dardo; Jordânia Pimenta, no lançamento de dardo; Ghabrielle Vitória, no salto triplo; e tantos outros atletas que nasceram e nascerão, principalmente, no projeto ‘Correndo para o futuro’.

Aline Morais (Foto: Arquivo pessoal)

 

Sophia Carolina. (Foto: Arquivo pessoal)

Projeto ‘Correndo para o futuro’

Liderado pelo professor Abel Mendes, o projeto ‘Correndo para o futuro’ existe em Lagoa da Prata há 20 anos, e tem como principal objetivo a socialização e a formação disciplinar e de caráter do aluno. Em 2008, o projeto foi incorporado no programa Geração de Esportes, que é totalmente custeado pela Prefeitura. Atualmente, o projeto conta com 70 alunos/atletas de 5 a 17 anos, que treinam as modalidades atletismo, com provas de saltos, corridas e arremessos. Segundo o secretário de Esportes, Carlos Henrique Xavier, o  projeto nasceu da iniciativa do professor Abel Mendes dos Santos, na época, professor de educação física da E.E. Virgínio Perillo. De acordo com o secretário, em 2022, o programa receberá investimento no Bolsa Atleta, além de todo custeio de transporte e taxas de inscrições em torneios. Ainda de acordo com o secretário, o projeto além da parte social e de integração, tem a parte de alto rendimento que revela atletas.

Professor Abel Mendes juntamente com a atleta Núbia Soares. (Foto: Arquivo pessoal)
(Foto: Arquivo do professor Abel Mendes)

Para treinar atletas que têm se destacado mundialmente, além de conhecer o esporte é preciso amor, como é o caso do professor Abel Mendes, que dedica sua vida a esses meninos e meninas em busca do sonho.  “O interesse pelo atletismo veio desde a universidade, onde, além de ser atleta praticante, fui também conhecendo as variadas provas que compunham esta modalidade. Sendo assim, depois de formado, comecei a desenvolver com alunos de escolas públicas os treinos para competições, inicialmente, só municipais, os Jogos Escolares de Lagoa da Prata (Jemg). No início, tivemos grandes dificuldades com relação à aquisição de materiais adequados para treinos, dificuldades de local que oferecesse uma oportunidade de desenvolver e treinar todas as provas. Com o tempo, fomos conseguindo nos virar e o entusiasmo com os resultados foram possibilitando ajuda para compra de materiais melhores”, relembra Abel.

Alexandra Maria Pimenta, a Xandinha, foi uma das atletas que esbarrou nessas dificuldades citadas por Abel. Além de materiais, a cidade não possuía uma pista de atletismo, fator que fez com que Alexandra saísse de Lagoa da Prata para treinar em uma cidade que possuía a pista.

“Uma das minhas maiores experiências foi quando eu quebrei o recorde brasileiro. Não tinha nenhuma estrutura, fomos viajar de carro. Não tínhamos dinheiro para avião. Eu estava treinando com os materiais quebrados e nunca imaginava que eu ia ganhar a competição, melhorar mais de cinco metros da minha marca, ultrapassar os 50 m que era uma barreira grande e ainda bater o recorde brasileiro e da competição”, disse.

Alexandra Pimenta (Xandinha). (Foto: Wagner Carmo – CBAt).

Núbia Soares, que saiu do projeto “Correndo para o futuro”, é a primeira atleta olímpica da cidade

A lagopratense Núbia Soares também é uma atleta lembrada pela cidade com grandes feitos no atletismo e enfrentou algumas dificuldades semelhantes. Atualmente, a atleta atua no FC Barcelona, mas sua trajetória até lá não foi fácil e mostrou que o esporte na cidade é algo que muitos almejam, mas que poucos conseguem persistir e driblar as dificuldades sociais. Núbia praticava handebol com outros atletas que tiveram que abandonar o time para sustentar as próprias famílias, já que não recebiam incentivos que ajudassem na estabilidade financeira das atletas. Após o time se desfazer, foi sugerido à Núbia o atletismo e, hoje ela é referência mundial no esporte.

(Foto: Reuters/Dylan Martinez/Divulgação).

Para Núbia, a modalidade do esporte tem que melhorar muito na cidade. No entanto, seu amor e vontade pelo esporte foram os pilares da sua persistência. A ex-atleta foi semifinalista nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanning, na China, em 2014, onde também quebrou recordes e barreiras ao participar de uma competição.

Atualmente, ela acumula no currículo participações e títulos de competições importantes como os Jogos Olímpicos Rio 2016 e Tóquio 2020. Núbia já foi campeã ibero-americana, campeã brasileira, é recordista brasileira menor, juvenil e adultos. Também foi campeã sul-americano, ficou em terceiro lugar no Ranking Mundial IAFF 2018, além de ser medalhista mundial e olímpica. Assim como Alexandra e diversos atletas da cidade, Núbia enfrentou os desafios impostos pela estrutura da modalidade no município, mas assim como Alexandra, também enfrentou os obstáculos e, atualmente, é atleta do FC Barcelona da Espanha. Clube que tem grandes atletas do futebol, como o jogador Lionel Messi.

Mais talentos

Os atletas Jordânia Pimenta e Luiz Cláudio ‘Bochecha’ fazem parte da nova geração do esporte. À reportagem, Luiz contou que também não teve muitos recursos para investir pessoalmente no esporte. Atualmente, ele possui patrocinadores e conta com o Bolsa Atleta, auxílio municipal para ajudar nos custos dos atletas. Luiz se orgulha muito das conquistas e resultados que tem obtido nas competições e é apaixonado pelo esporte. Ele é vice-campeão brasileiro do Campeonato Brasileiro Sub-20 na modalidade arremesso de peso. Luiz também foi um dos 13 atletas que trouxeram 14 medalhas para Lagoa da Prata do Campeonato Mineiro de Atletismo que aconteceu no dia 5 de dezembro de 2020. Entre os dias 10, 11, 12 e 13 de junho, o atleta participou do Troféu Brasil de Atletismo, a maior competição interclubes da América Latina, que reuniu a elite do atletismo brasileiro, que aconteceu em São Paulo, no Centro Olímpico do Ibirapuera. “Estava lá, entre os melhores do Brasil! Fico muito feliz por estar representando e levando o nome da nossa cidade, Lagoa da Prata pelo Brasil a fora”, destacou o atleta. Ele ainda disse que não fez sua melhor marca no Troféu, mas ressaltou que segue o plano de ser 1% melhor todos os dias. “Fiquei com a 11ª colocação e sigo na 13ª no ranking brasileiro adulto. Agradeço muito a todos que me ajudaram, meu treinador Abel e Maicon Douglas do Studio Leônidas, nós fizemos uma ótima preparação quanto na parte técnica, quanto na parte de força, agradeço também a meus patrocinadores Hadassah Make, Chicão Nutri, Studio Leônidas e Silas Vargas e também a Prefeitura Municipal”, disse.

 

O esporte como parte da formação social de uma pessoa

Núbia relembra que havia um projeto esportivo nos bairros da cidade que auxiliava jovens de raízes humildes a buscarem oportunidades melhores de vida ao invés de seguirem outros caminhos, como o das drogas.  Na visão de Núbia, o esporte precisa melhorar muito na cidade, já que por muito tempo foi esquecido. Ela lembra que, atualmente, os atletas têm o Bolsa Atleta, que é uma iniciativa importante para auxiliar os atletas, porém, é preciso mais investimento.

“Falta mais apoio porque esses atletas normalmente são muito humildes e muitas vezes não conseguem se manter sozinhos, e o esporte é a válvula de escape, das coisas ruins que existem hoje como drogas e bebidas.  Então, acho que o esporte merece mais investimento, não só para formar atletas de alto rendimento, mas para formar cidadãos de bem, pessoas saudáveis”, complementa Núbia.

Segundo Abel, os atletas vêm marcando presença em todas as seleções estaduais para as Olimpíadas Escolares brasileiras, organizadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Lagoa da Prata é a cidade de todo estado mineiro que mais cedeu atletas para estas seleções desde 2001. “Fora isso, conseguimos a federação de nossos atletas destaques em uma equipe “irmã” em Belo Horizonte (Clã Delfos) junto a Federação Mineira de atletismo. Aí a nossa história não parou mais de ser contada por inúmeros atletas campeões que passaram por aqui e que foram campeões estaduais, nacionais e internacionais. Estivemos, além de todas as Olimpíadas Escolares Brasileiras, desde 2001, também em seleções representando o Brasil em muitas competições mundiais, como no Peru, Argentina, Colômbia, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Venezuela, Tchecoslováquia, Suécia, Canadá, Catar, China, França, Ucrânia e Estados Unidos”, explica o professor.

O esporte seguirá marcando a história da cidade, de acordo com Abel.

“Pois, a dedicação dos atletas para engrandecer ainda mais os feitos nele não terminará por aqui. Ainda tem muitas histórias para serem vividas e contadas”.

 

 

 

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