Isaías Santos -Atílio

Isaías Santos -Atílio

Atílio é um conhecido de Iguatama que adora Lagoa da Prata. Sempre que pode visita a cidade.

Atílio era um fofoqueiro assumido. Dizia para quem quisesse ouvir que gostava mesmo de falar bem ou mal dos outros. Não importava. Caso alguém intentava contar-lhe um segredo já avisava que não conseguiria guarda-lo. Sendo assim, a pessoa contava o tal segredo ou desistia da empreitada. Falava pelos cotovelos.

Brigou com o pai e decidiu ir morar sozinho. Contava com 16 ou 17 anos. Sobrevivia com alguma dificuldade, mas nunca mais voltou a conversar com o pai. A mãe, devota, religiosa, vez por outra passava na casa dele para ver se estava bem. Contudo, nunca o apoiou na briga. O pai faleceu e ele nem no velório foi. A mãe faleceu recentemente.

No velório estive, mas ausentei-me cedo. Tinha que trabalhar. Não vi nem uma lágrima no seu rosto em nenhum dos dois velórios. Em nenhum dos dois falecimentos.

Certa vez discutimos por causa disso. Disse a ele que era insensível, sem emoção. Ele disse o mesmo de mim, a não ser pela diferença. Eu havia encontrado um amor (amor esse que mais tarde revelou-se uma tremenda bomba)… Bem ou mal havia encontrado um amor. Ele não.

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Revelou-me que apesar dos trejeitos afeminados (os quais nunca negou), afirmou que era mesmo apaixonado por uma moça. De Iguatama, cidade na qual nós dois moramos alguns anos. Se não me falhe a memória, seu nome era Susy. A moça morava nas populares, caminho de Garças de Minas.

Ele vivia no seu mundo, todo fechado, e revelou esse tal amor somente há cerca de três ou quatro anos, mais de vinte anos passados desde então. Disse a ele que sempre pensara que ele fosse gay. Revelou a mim, que na verdade, nunca amou ninguém do sexo masculino, para a minha surpresa.

Apreciador de novelas, vivia assistindo televisão desde a adolescência. Já foi despedido de três ou quatro empregos por causa das novelas. Parava o serviço para assisti-las. Se o patrão o despedia, achava era bom, assim não perderia nenhum capítulo.

Fez cursos na área de estética, maquiagem, cabeleireiro e outras coisas. Espírita há muitos anos, sempre que lhe é possível, faz caridade, auxiliando pessoas em várias partes do estado de Minas.

Despedimo-nos ali mesmo no restaurante, visto precisar retornar ao trabalho e ele querendo concentrar no capítulo da novela.

Prometendo ir até Iguatama para visitarmos nossos conhecidos por lá, nos cumprimentamos, não sem antes xingá-lo de “viado”, visto sua tentativa de abraçar-me, dizendo que era “tarado numa farda”!

Fala se isso não é coisa de viado?

Histórias que o povo conta…

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