INMET prevê novos e mais fortes temporais a partir de domingo

INMET prevê novos e mais fortes temporais a partir de domingo

Foto: Nelzita Lacerda

As chuvas registradas na tarde da última sexta-feira (16) causaram estragos em Lagoa da Prata. Em vários pontos da cidade ruas e avenidas foram tomadas pela água, com registros de cenas de carros ilhados no meio da inundação ou sendo arrastados pela enxurrada, sem contar as casas e os comércios que sofreram prejuízos com a entrada da água em seus cômodos. De acordo com Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas do início da semana tendem a diminuir e a temperatura aumentar, mas há previsão de novos temporais, e com mais força, a partir deste domingo (25).

De acordo com o meteorologista do Inmet Cleber Souza, a chegada de frentes frias na região Sudeste favoreceu as chuvas ocorridas na cidade. “Elas sempre trazem a possibilidade de temporais, e os meses de novembro, dezembro e janeiro são os meses climatologicamente mais chuvosos do ano. Esse volume de chuva observado está dentro da normalidade esperada, mas neste ano temos observado que tem chovido com mais frequência que nos anos anteriores”, informa o especialista, alertando para o risco de novos temporais: “A partir de domingo já observamos a chegada de uma nova frente fria e as chuvas da próxima semana podem ser mais fortes que essas”, destaca.

O lagopratense Carlos Brasil Guadalupe, o Lalinho, faz o acompanhamento das chuvas em Lagoa da Prata há 32 anos com um pluviômetro instalado em sua casa. Para a reportagem, ele contou que, durante todo dia de sexta-feira choveu 57 milímetros, e durante à tarde, quando um temporal atingiu o município, em menos de uma hora choveu 44 milímetros. O que ele descreve como normal, porém, não é habitual que aconteça. Ainda conforme Lalinho, a média para o mês de novembro é de 217 milímetros, e até essa segunda-feira (19) já havia chovido o volume esperado para todo mês.

PREJUÍZOS

Muitas casas e comércios ficaram alagados e mais uma vez os munícipes amargaram prejuízos. Vários vídeos circularam pelas redes sociais mostrando o drama vivido pelos moradores. Em um deles é possível ver uma farmácia localizada na Avenida Brasil, tomada pela água. Outro, gravado na Avenida José Bernardes Maciel, mostra motoristas e motociclistas ilhados.

A aposentada Nelzita Lacerda é moradora da rua Zino Gomes, e novamente sofreu com o alagamento. “Aqui em casa entra água há muito tempo, meu filho tinha quatro anos e hoje tem trinta e oito e a situação não mudou. Prefeito nenhum nunca resolveu esse problema para a gente. Alguns vereadores já estiveram aqui, mas até agora nada foi feito, a Prefeitura não fez nada para nos ajudar. Pelo menos nove residências próximas à minha sofrem com o mesmo problema toda vez que chove forte. Desta última vez eu estava fora de casa, quando cheguei, vi que mais uma vez havia perdido diversos móveis”, lamenta.

PREVENÇÃO

Para Astácio Correia Neto, diretor-adjunto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), os constantes alagamentos que a cidade vem sofrendo são consequência de falhas no planejamento ao longo de muito tempo. “Lagoa da Prata sofre porque não tem um sistema de drenagem, pois antes isso não era exigido dos donos de loteamento e a prefeitura também não fazia. A cidade toda é carente de drenagem. E infelizmente não é possível fazer tudo de uma vez. Inclusive, nós elaboramos um projeto de drenagem para os pontos mais críticos, que foi concluído essa semana e contempla nove pontos, como a avenida Isabel de Castro e a rua Zino Gomes. Essa obra custaria 33 milhões de reais para o município, é um valor muito alto, e sem recursos dos governos Federal e Estadual a gente dificilmente vai conseguir fazer isso”, afirma.

Segundo Neto, estão em andamento obras para escoamento pluvial nas avenidas do Contorno, Isabel de Castro e na Rua dos Ferroviários. Enquanto o sistema de drenagem no município não se torne eficiente, ele explica que algumas medidas precisam ser tomadas pela população a fim de diminuir os problemas causados pela chuva. “Os bueiros precisam estar totalmente livres, as pessoas não podem jogar lixo e outros materiais. Outra coisa que prejudica o escoamento é deixar restos de materiais de construção nas calçadas, porque quando chove a água carrega muita coisa para dentro dos bueiros. É importante lembrar que em muitas casas a água da chuva é direcionada para a rede de esgoto, e isso é um problema que leva a muitos transtornos também para os vizinhos”, avisa.

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