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Iniciativa de lagopratense pretende revitalizar a Lagoa das Palmeiras com plantas da região

“Quero renascer junto com essa lagoinha" - Projeto pessoal de Angelo Antônio começou em 2019 e é responsável pelo plantio de mais de 200 mudas na orla da Lagoa.

João Alves


Todo projeto se inicia com um primeiro passo – ainda que seja ele solitário e tímido. Assim nasceu o projeto de revitalização da Lagoa das Palmeiras, o mais novo cartão postal de Lagoa da Prata – se o local já é bonito agora, tente imaginá-lo com alguns ipês floridos no mês de agosto. A ação é uma iniciativa individual de Angelo Antônio, psicólogo por profissão e jardineiro por hobbie. Aliás, para o rapaz, essas duas áreas estão intimamente relacionadas.

Ele conta que a ideia  para o projeto surgiu em meados de 2019, enquanto passava por um momento particularmente complicado – infrutífero, em uma analogia com o tema aqui tratado. “Eu ia muito para a lagoinha a fim de arejar a cabeça e refletir sobre a vida. Em um desses devaneios, percebi que tanto a lagoa quanto eu estávamos  áridos”.

Angelo sempre teve uma curiosa ligação com o meio ambiente, conexão a qual ele se refere, de forma quase apaixonada, como “sensibilidade ecológica”. Do encontro dessas duas visões, a da lagoinha estéril e a do botânico sensível, emergiu a ideia de levar para o local plantas da região como forma de dar vida àquele entorno. 

“Quero renascer junto com essa lagoinha. Vê-la bonita, cheia de árvores – que são encantadoras por natureza. Então comecei a colher sementes da região e até mesmo a comprá-las pela internet. Fui cultivando uma a uma aqui mesmo, em casa, regando e cuidando. Conforme elas cresciam, eu as implantava na lagoinha”, comentou ele.

O psicólogo dá ênfase no lado terapêutico do processo. Para ele, revitalizar parte da cidade de Lagoa da Prata é revitalizar um pouco de si mesmo, tornando aquilo que até então parecia infértil, cheio de cor e vida. Além disso, o apreço pelo bem-estar do próximo também chama a atenção.

Desde 2019, Angelo estima que mais de 200 árvores foram plantadas na Lagoinha, fato que deve contribuir para a qualidade de vida dos habitantes da cidade. “Um pilar importante desta iniciativa é o fato dela ser tomada por um cidadão comum para cuidar da propriedade pública, sem estar ligado à Prefeitura, ao Estado ou a qualquer federação ou instituição privada.”

Depois de terminar a Lagoinha, ele conta que também pretende expandir o projeto para outros lugares públicos:

“É um projeto que não tem fim. Quando terminar a lagoinha, daqui a alguns anos, quero passar a plantar em praças e outros espaços públicos. Não é para vender ou coisa do tipo. É direcionada à coletividade e é algo para a vida toda. O projeto é uma forma de colocar em prática  minha sensibilidade ecológica e o apreço que tenho pelo bem comum – isto é, pelos espaços da cidade que são abertos a todas as pessoas e não são patrimônio de alguém em particular”, disse Ângelo.

 

Projeto, recentemente, foi alvo de vandalismo

 

Embora o projeto tenha como objetivo beneficiar toda a população lagopratense, a ideia de uma lagoa com árvores no entorno parece não agradar alguns dos proprietários dos imóveis da vizinhança. O motivo: a presença das plantas pode atrapalhar a visão que os detentores de patrimônio no local teriam do lago. Que matas próximas a rios e lagos são essenciais para a proteção deles, todo mundo sabe. Porém, Deus nos livre que essas mesmas matas – árvores e vegetais diversificados – atrapalhem a decoração da Lagoa das Palmeiras, que alguns dos proprietários, simplesmente, tratam como se fossem deles. 

No último domingo (28), Ângelo foi ameaçado por um dos proprietários por conta disso. Na ocasião, um empresário se queixou que as árvores do projeto de revitalização não faziam parte do que ele esperava ver da lagoa: grama e água (muito próxima de uma varanda com piscina ou um de jardim de inverno com um espelho d’água). 

A ameaça se concretizou nesta segunda-feira, quando algumas mudas foram arrancadas e retiradas da lagoinha. O fato foi classificado por Ângelo como vandalismo, afinal, o próprio ato de arrancar as árvores é um ato contra o bem comum e um crime ecológico. A Polícia Ambiental foi acionada, porém o boletim não foi lavrado por falta de provas da autoria da ação criminosa. 

 


O criador do projeto de revitalização conta com a contribuição e apoio da população para que o seu projeto continue transformando Lagoa da Prata em um espaço mais verde e bonito – para todo mundo.Tratar a cidade como propriedade de poucos é reter parte fundamental da vida cívica sem a garantia de que algum dia ela se converta em benefícios para a população em geral.

É, em outras palavras, tratar o meio ambiente não como um direito, mas sim como um item decorativo, dispensável e privado. Por isso, a estrutura física da árvore não poderia ser uma metáfora melhor para o caráter social do projeto. Quando uma árvore dá sombra, ela abriga a todos, sem distinção, não só àqueles de quem ela é patrimônio. 

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