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Índice de infestação de dengue preocupa Lagoa da Prata

O levantamento registrou onze casos confirmados em um período que é incomum ter registros. Segue em investigação o caso da morte de um morador do bairro Sol Nascente.

O município de Lagoa da Prata realizou entre os dias 19 e 23 de outubro o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). O resultado assustou a coordenação da Vigilância Epidemiológica, pois a pesquisa foi feita em um momento de estiagem. Mas, nos últimos dias Lagoa da Prata registrou uma chuva fina, o que pode ter piorado o resultado do levantamento.

dengue 3Na mesma época do ano passado, o LIRAa registrou uma infestação de 1,7%. Já este ano, em um período que não houve chuva, foi registrado 1,8%, que é médio risco.

É comum, passado o período chuvoso, as pessoas se esquecerem de adotar cuidados preventivos com relação à proliferação dos mosquitos transmissores da dengue. E os casos da doença notificados e confirmados têm apresentado evolução desde o início do ano.

Apesar de medidas de prevenção realizadas pela Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Saúde, Secretaria de Meio Ambiente, Polícia Militar, escolas, empresas e até do Comitê Municipal de Combate à Dengue, os números ainda preocupam a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Janeany de Castro Almeida, que fala sobre os resultados e a importância da prevenção.

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Jornal Cidade: Como está a situação do município de Lagoa da Prata quando se fala em dengue?

Janeany de Castro Almeida - Coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Lagoa da Prata
Janeany de Castro Almeida – Coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Lagoa da Prata

Janeany Almeida: Agora, começando este período de chuva a nossa preocupação fica maior. A sociedade precisa ficar ciente dos riscos que Lagoa da Prata está correndo. Estive em Divinópolis em uma reunião com representantes da macrorregião para discutirmos sobre planos de estratégia de combate à dengue. O que nos preocupa é que mesmo com o período de estiagem, que não era para ter notificações, em Lagoa da Prata nós tivemos. De agosto a outubro tivemos oito notificações de dengue, e uma morte por suspeita. Nesse período não era para ter notificação.

Jornal Cidade: Quando foi realizado o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa)?

Janeany: Realizamos de 19 a 23 de outubro. Colhemos larvar em todos os bairros da cidade. E é através desse levantamento que obtemos o índice de infestação. Em Lagoa da Prata é índice é de 1,8%, que é considerado um médio risco de epidemia.

Jornal Cidade: Que risco esse índice oferece para a comunidade lagopratense?

Janeany: Esse valor é muito preocupante, pois a pesquisa foi realizada em um período de estiagem. Se o LIRAa tivesse sido feito após essa chuvinha dos últimos dias com certeza o índice seria muito maior. Ou seja, agora corremos o risco de estarmos com um alto índice de epidemia.

Jornal Cidade: A maioria dos focos foi encontrada onde?

Janeany: Ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos focos não foram encontrados em terrenos baldios, e sim, em residências. Os focos se alojam em caixas d’água, vasos sanitários, ralinhos, calhas, piscinas, pratos e vasos de plantas. É lamentável quando registramos morte por dengue, pois ela poderia ser evitada.

mosquitoJornal Cidade: Qual bairro tem gerado mais preocupação?

Janeany: Os focos foram encontrados em todos os bairros, mas o bairro que está nos preocupando mais é o Sol Nascente. De oito notificações, três foram deste bairro, inclusive a morte por suspeita de dengue aconteceu lá. O bairro Sol Nascente recebeu entre os dias 5 e 14 de novembro o mutirão de limpeza.

Jornal Cidade: Se acontecer uma epidemia neste final de ano, a Vigilância Epidemiológica já tem alguma estratégia?

Janeany: Faremos uma reunião para traçarmos um plano de estratégia juntamente com a administração municipal e os secretários de saúde e meio ambiente. Precisamos estar preparados caso ocorra uma epidemia de dengue no município. Até o dia 1 de dezembro nós temos que mandar esse plano para Divinópolis. Essa doença pode ser extinta se a população cooperar 100%.

Jornal Cidade: A pessoa que pegou dengue uma vez pode pegar de novo?

Janeany: Com certeza. Quem pegou dengue uma vez pegou apenas um vírus, e a dengue é composta por cinco tipos de vírus. Então, ainda faltam quatro. Não dá para sossegar.

Jornal Cidade: É verdade que se a pessoa jogar água sanitária em um local com larvas elas podem morrer?

Janeany: Não aconselhamos a fazer isto, pois se não jogar a quantidade correta não adiantará em nada. Limpe o local e seque bem. E sempre que tiver algum local suspeito o melhor é chamar a Vigilância Epidemiológica pelo telefone 3261-7591.

Jornal Cidade: O que pode acontecer quando o responsável pela residência não permite a vistoria dos agentes da dengue?

Janeany: Em alguns casos onde sabemos o grau de periculosidade que a residência apresenta e os responsáveis pelo local não aceitam a nossa presença estamos tomando atitudes mais drásticas. Tivemos uma reunião com o juiz e a promotoria. Os casos mais perigosos estamos encaminhando para o Ministério Público. É uma questão de saúde pública.

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