Hospitais da região Centro-Oeste MG estariam preparados para o novo coronavírus?

Hospitais da região Centro-Oeste MG estariam preparados para o novo coronavírus?

Jornal Cidade conversou com Prefeituras da região para saber sobre condições e estrutura dos hospitais.

Reportagem: Rhaiane Carvalho e Matheus Costa.

Uma interrogação que tem afligido a maioria das pessoas da região Centro-Oeste MG é que se houver um surto da doença nos municípios, estes estariam preparados? Em Lagoa da Prata, o secretário de Saúde informou que o município já fez todas as orientações aos profissionais da saúde e falou sobre a estrutura de pessoal. “Hoje nós temos dez médicos, sendo um para cada Unidade Básica de Saúde (UBS). Temos 12 médicos atendendo na Policlínica e, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), temos cerca de 20 médicos credenciados, com três que atendem no plantão diário e dois médicos no plantão noturno, e ainda, dois enfermeiros, mais a equipe de técnica de enfermagem”.

Perguntado sobre o caso de superlotação na estrutura médica, o chefe do setor de epidemiologia e médico Diogo Chaves informou que as medidas de precaução serão fundamentais no pico da doença. “Devemos individualizar caso a caso porque existem os casos leves que vão ser a maioria, e existe a população de risco, que são gestantes, crianças, pacientes portadoras de câncer, diabéticos, idosos, entre outros. Esses pacientes já estão sendo amplamente orientados pelos meios de comunicação para que fiquem em casa. É uma quarentena, por isso deve-se ficar isolados. Se o caso for leve, o paciente vai para a Policlínica, se o caso for mais grave, vai para a UPA. O que a gente quer com isso é diminuir a transmissão do vírus, porque se não tomarmos essas medidas agora e não orientarmos essas pessoas de forma correta, a transmissão passa a ser maior. Vai existir um pico muito grande nesse primeiro momento de transmissão, se não adotarmos essa separação, depois fica difícil de a gente controlar”, concluiu.

A Prefeitura de Japaraíba informou que, infelizmente, não possui estrutura caso a doença se propague na cidade. Por causa disso os pacientes deverão ser encaminhados para o município de Lagoa da Prata. “Temos somente a Policlínica. Quando o município precisa de suporte ele vai para Lagoa da Prata, que é nossa referência”, disse a assessora de Comunicação Social, Jordania Pereira.

Em Arcos, a Assessoria de Comunicação informou que está preparada para receber pacientes com a Covid-19, tanto com a estrutura pessoal, quanto física no Hospital São José. Segundo o prefeito, Denilson Teixeira, ele está sendo taxado por ser duro demais em relação à propagação do vírus. “Vamos fazer o que for preciso, prefiro ser taxado de chato do que de incompetente. Estamos tomando medidas drásticas e decretos serão assinados”.

A Prefeitura de Santo Antônio do Monte suspendeu todas as consultas eletivas, agendadas pela Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Carla Santos, a medida tem como objetivo evitar a aglomeração de pessoas na UPA 24h, uma vez que as consultas são realizadas no local, e também nas Unidades Básicas de Saúde. Segundo Carla, estão mantidos os atendimentos de urgência e emergência, e o acompanhamento de gestantes.

Carla ressalta que foi adotado também um protocolo de atendimento aos casos de gripe, para evitar a aglomeração de pessoas na UPA. Segundo a secretária, as UBS’s foram transformadas em Unidades Sentinelas, ou seja, de apoio.

“Os profissionais das UBS’s estão prontos e aptos para atenderem os casos de menor gravidade. A pessoa que estiver com tosse e febre deve procurar a UBS, que os profissionais tomarão as medidas necessárias. Na UPA estão sendo atendidos os casos de maior gravidade, ou seja, aquelas que estiverem com falta de ar”, destacou.

Ainda segundo Carla, foi criada uma logística de atendimento ao paciente com suspeita de ter contraído a Covid-19. A secretária informa que, caso o usuário esteja com suspeita de contaminação, um carro da Semusa, leva o paciente em sua residência para iniciar o isolamento domiciliar.

“Essa medida tem como objetivo assegurar que o paciente saia da Unidade de Saúde, ou da UPA, vá para a sua casa e não tenha contato com outras pessoas. Nós separamos um veículo para cumprir este protocolo, e providenciamos a proteção adequada ao motorista. Quanto às consultas eletivas, assim que a situação normalizar, serão reagendadas, e os pacientes comunicados da nova data”, explicou a secretária.

No atendimento hospitalar em Moema, o Hospital foi dividido fisicamente em duas recepções, uma para atendimento dos sintomáticos respiratórios e outra para os demais casos, para que os pacientes com sintomas gripais não tenham contato com os outros casos.

Na atenção básica, foram suspensos todos os atendimentos eletivos e atendimentos em grupo (Núcleos de Apoio à Saúde da Família e demais programações). Os atendimentos realizados serão individuais, só de casos prioritários e o agendamento será por telefone. A sala de vacinação ficará fechada, as vacinas da Campanha da Gripe serão realizadas de forma domiciliar para todos os pacientes do grupo prioritário e as demais vacinas, a população irá agendar um horário por telefone para que seja realizado na Unidade.

Na cidade, está acontecendo diariamente orientações para a população, através de mídia social (informes), carro de som, live com os profissionais médicos, orientando a população quanto a melhor conduta a se ter neste momento.
O prefeito municipal, Julvan Lacerda, decretou medidas estruturais e de estratégia para resposta, prevenção, contenção e controle ao contágio, acompanhamento, de enfrentamento e contingenciamento da epidemia, como suspensão das aulas nas escolas municipais pública e particulares; suspensão das reuniões ordinárias de todos os conselhos municipais; suspensão de todos os eventos públicos ou privados com aglomeração de pessoas, ficando vedada a concessão de alvarás para eventos que tratam o presente inciso. Fica suspensa a emissão de todas as licenças de localização e ou alvarás para realização de eventos coletivos e ainda dos já emitidos; dentre outras medidas. A Prefeitura também instituiu o Comitê de Enfrentamento e Emergência em Saúde do Covid-19.
Tudo isso pensando no melhor para a população e lembrando que todos são responsáveis pela não propagação do vírus.

Hospital Regional

Em Divinópolis, o prefeito Galileu Machado, solicitou ao governador Romeu Zema (Novo), a liberação do Hospital Regional, caso haja a necessidade de expandir o atendimento para pacientes de outras cidades que não conseguirem suprir a demanda, no entanto, a solicitação foi negada.

A partir disso, o prefeito de Divinópolis buscou o apoio dos prefeitos da região na tentativa de convencer o governador de que o Hospital Regional, mesmo inacabado, é a melhor alternativa para montar uma estrutura de atendimento a pacientes com coronavírus que necessitem de internação. “A ala do hospital destinada a esse tipo de serviço está pronta, inclusive com toda a estrutura de canalização de oxigênio para os leitos e outras facilidades já instaladas”, ressaltou Galileu.

Segundo o prefeito, o Estado se comprometeu em comprar 10 leitos. “Estamos na eminência de uma situação extremamente grave e, se o governador entender isso, irá optar pela abertura emergencial do Hospital Regional, que pode disponibilizar cerca de 50 leitos”, enfatizou.

Além de salas e ambulatórios já em condições de receber esses pacientes, o Estado também tem disponibilidade de liberar R$ 20 milhões de recursos orçamentários para tratar pacientes afetados pelo coronavírus.

O hospital foi projetado para atender 55 municípios, sendo referência para 1,2 milhões de pessoas. Além disso, essa unidade atuaria como Hospital Escola, servindo como campo de ensino e campo de estágio para estudantes da área de saúde de faculdades localizadas em Divinópolis, tal como a Universidade Federal de São João Del-Rei Campus Centro Oeste (UFSJ), que conta com cursos de Medicina e Enfermagem, e para a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Porém, as obras estão paradas desde 2014 por questões políticas.

Contudo, desde 2019, a Cis-Urg se propôs a assumir o hospital para a abertura de leitos de UTI e de enfermaria de forma imediata para contingenciamento da Covid-19 e, por isso, o investimento financeiro seria de diversos fundos e meios.

A Cis-Urg então foi aprovada pelo edital divulgado pelo Governo de Minas no ano passado e a Prefeitura de Divinópolis já autorizou a cessão do terreno. Porém, pelos acontecimentos recentes referentes ao Covid-19, a Cis-Urg se propôs a fazer um hospital de campanha, conforme estrutura pronta do Hospital Regional, ou seja, o local seria um hospital que atenderia de forma emergencial os casos de coronavírus.

Conforme a estudante de medicina da UFSJ, Maria Alice, para que isso seja feito, precisam do “aceite” do Governo de Minas.

Foi pensando nisso que os organizadores da causa criaram a “Comissão Resolutiva da UFSJ”, onde, com a ajuda dos estudantes da universidade, pedem o abaixo-assinado da população de Divinópolis e toda a região, que pode ser feita pelo site: www.peticaopopular.com.br/mobile/view.aspx?pi=hospitalregional-mg.

► DEIXE ABAIXO SEU COMENTÁRIO ◄