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“Há um desgaste psicológico durante uma pandemia, porém, um ponto favorável é que as equipes se uniram”, afirmam médicos

Os profissionais muitas vezes têm seu trabalho "romantizado" devido a atuação na pandemia, mas tratar de outras pessoas também demanda uma carga emocional do próprio profissional, que depende de uma saúde mental equilibrada e também do ambiente de trabalho neste período.

Karine Pires
@karinepiress

 

O “novo normal” trouxe uma rotina nova para todos, principalmente, para os profissionais que estão na linha de frente no enfrentamento à Covid-19. Pensando nisso, o Jornal Cidade conversou com alguns médicos horizontais da enfermaria do Hospital São Carlos de Lagoa da Prata que deram um depoimento coletivo sobre a situação do local em que trabalham e qual a situação da saúde dos mesmos.

 

 O depoimento dos médicos Débora Fernanda Fonseca Soares, Amarílio Fernandes Sobrinho Neto, Saulo Lacerda Oliveira Pedrosa e Felipe Félix Alves apontam como está a rotina profissional durante a pandemia da Covid-19.

Nossa rotina, atualmente, está pautada no cuidado com os pacientes em internação hospitalar por Síndrome Respiratória Aguda Grave. Esses pacientes são internados com sintomas respiratórios para diagnóstico e tratamento em áreas de isolamento. Os cuidados como a higienização adequada das mãos, o uso de máscaras apropriadas e a paramentação são protocolos seguidos à risca para manter a segurança do nosso trabalho.

Os profissionais afirmam que a rotina de trabalho antes da pandemia já exigia os mesmo cuidados de higienização, o que mudou foi que, agora, os pacientes ficam em áreas de isolamentos nos setores de internação, que antes eram mais acessíveis aos funcionários e familiares, fator que facilitava o contato do médico às informações prévias do paciente.

Por ser um período em que é preciso estar constantemente atento às práticas de higienização e outras orientações das autoridades sanitárias, os profissionais assim como não profissionais da área da saúde, estão ainda mais expostos ao novo coronavírus. Mas os médicos reforçam que apesar do receio, todos seguem os protocolos hospitalares rigorosamente para segurança própria e também dos familiares.

“Como estamos envolvidos diretamente no cuidado com pacientes com Covid-19, temos o receio da contaminação de nós e dos nossos contatos domiciliares. Para evitar a contaminação, os protocolos hospitalares são seguidos rigorosamente, de modo que a higienização ao adentrar o domicílio também se tornou rotina entre nós profissionais da saúde.

Saúde dos profissionais

Foto: (Reprodução/Internet)

Além do rigor nos cuidados com a saúde física, em meio a tantas adaptações e devido ao isolamento social, é possível que as pessoas tenham sua saúde mental desestabilizada. É o que afirma a psicóloga, Marilda Vendrame em um artigo no portal Psicologia Viva. “Esse choque trará consequências sociais enormes, com impacto em nossa saúde mental. O primeiro deles é o isolamento social. Ele nos priva de uma condição emocional fundamental para nossa sobrevivência.Somos seres de relações, gregários, precisamos do contato, do afeto do outro, mesmo tendo que lidar com altos e baixos nos relacionamentos. O outro confirma a minha existência no mundo.”

Para os profissionais do HSC, a nova realidade também gerou impactos, no entanto, o desgaste psicológico foi o meio que gerou mais união entre as equipes.

Nós que trabalhamos com urgência e emergência, estamos habituados com o trato de pacientes graves e sabemos que manter a calma e segurança diante de situações extremas é primordial e indispensável para um bom atendimento. Portanto, mesmo antes da pandemia estamos preparados psicologicamente para situações como essa. Há um desgaste psicológico importante durante a época da pandemia, porém, um ponto favorável é que as equipes que se tornaram mais unidas durante este período.

Segundo os médicos, há diversas internações hospitalares por Síndrome Respiratória Aguda Grave, sendo muitos com diagnóstico confirmado de Covid-19. Outro fator importante é que os pacientes são residentes de Lagoa da Prata e de outros municípios da região Centro-Oeste como Santo Antônio do Monte, Arcos, Luz e Nova Serrana.

Mensagem

Os médicos reforçam que é fundamental seguir as recomendações e o que deve ser feito caso algum sintoma gripal seja notado.

É imprescindível procurar o atendimento médico diante da manifestação de qualquer sintoma gripal, falta de ar ou febre. Se você está com esses sintomas, não visite idosos nem pessoas do grupo de risco, realize o seu isolamento social e procure a unidade de saúde mais próxima. 

Situação em Lagoa da Prata

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura Municipal, há 546 casos confirmados sendo que 497 foram recuperados, além de 855 casos suspeitos. Até o dia 21 de agosto, 12 pacientes chegaram a óbito no município.

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