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Ginástica para a alma

Ela olhou-se no espelho. Achou-se horrível! “Meu Deus, como estou gorda!”. Tinha uma festa para ir. Colocou os vestidos sobre a cama e foi experimentando: o verde? Não! O azul? Também não… O prata? Nem pensar! Todos a faziam parecer um barril. O preto! Sim, preto não emagrece? Vestiu o preto. Nossa, uma baleia! Desanimou, desistiu da festa. Não, não ia lugar nenhum, sentindo-se feia! Foi pra cama chorar.

No dia seguinte a decisão. Ia emagrecer! Perder uma festa por não achar uma roupa que lhe caísse bem? Nunca mais! Antes do trabalho, passou numa academia. Fez uma avaliação. No mesmo dia, uma exaustiva sessão de exercícios físicos. Suar, suar,
queimar energia até se sentir leve. Só isso? Não! Um nutricionista. Mudaria todos os hábitos alimentares. Tudo pra perder calorias.

Isso! Academia e nutricionista! Era luta mesmo! Comidinhas leves, saladinhas e tudo light. Tira a cervejinha do fim de semana. Corta o tira-gosto no barzinho também. O bombonzinho de todo dia? Já era! Nem pensar! Abaixo o açúcar, abaixo a massa!
E mais! Levantar mais cedo! Isso, levantar mais cedo e caminhar! Caminhada para completar o que faltasse. Guerra! Guerra à feiura, guerra geral ao corpo.

Sensação frenética de movimento! Pura paranóia. Horas com as amigas no mesmo assunto: comidas pra perder peso, programas sobre regimes, especialistas com seus remédios e hábitos de emagrecimento, artigos e reportagens sobre as últimas
descobertas de como “se tornar linda sem muito esforço”. Ah, e a balança? Todo dia! Antes ia à farmácia da esquina. Depois comprou uma dessas de banheiro. Vigilância ao próprio peso, várias vezes, em casa mesmo. Cada graminha perdida, uma vitória. E já chegava ao trabalho anunciando “Gente, perdi mais 100 gramas de ontem pra hoje…

Alguns meses depois, o resultado! Magrinha, sequinha, com as roupas dançando no corpo. Que beleza! Renovando o guarda-roupa! Vamos lá? Triunfante, foi às lojas! Que satisfação quando a moça perguntava: “Seu número?” E ela toda feliz “38, minha filha!”. Sacolas de roupas novinhas! Só sucesso com seu novo corpinho.

Festa da Júlia. Ela exultante! Todo mundo ia estar lá. O pretinho básico, todo elegante, marcadinho na cintura… Tinha chegado a hora! Pôs o vestido novo. Deu uma voltinha na frente do espelho. Sensação? Horrível! Que isso? Era só um espeto vestido de preto. Meu Deus, que caos! E o rosto? Pálido, cheio de olheiras, parecendo uma máscara. E
agora? Não, não, ia sair daquele jeito feito um manequim de funerária. Ia era chorar! Chorar muito! Até passar toda a insatisfação consigo mesma!

Opa! Insatisfação consigo mesma! Seria esse seu problema? De repente tudo clareou: o que lhe aborrecia não era o corpo. Era a falta de algo que lhe fizesse a alma feliz. Outra decisão: cuidar do outro lado, porque esse, sim, há tempos estava esquecido! Há muito não entrava numa igreja ou fazia uma oração; não fazia uma visita; não ajudava uma pessoa; não enxergava o mundo e suas mazelas; não se envolvia num projeto social; não tirava pra si um momento de recolhimento; não relaxava; não ouvia uma boa música ou mesmo o próprio silêncio. Estava mais que na hora, né? Quem sabe assim, se
encontrando, pudesse enfim amar-se um pouco mais. Estava decidido: no dia seguinte ia começar uma ginástica para a alma!

Marina Alves

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