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Artigo: Frustração: uma questão de necessidade

Flávia de Castro Silva – CRP 04/45856 Psicóloga e atende no Espaço Crescer/ Maria Bruna Mota Pereira – CRP 04/45107 Psicóloga e atende na Clínica Reabilitar e ASAP

Atualmente, é cada vez mais comum perceber que muitas crianças têm dificuldade em respeitar regras e compreender que em todas as situações existem limites. E provavelmente isso acontece porque os pais, seja pela correria do dia a dia ou por não saberem o que fazer, não impõem limites aos filhos, atendem os seus desejos a todo o momento e, dessa forma, não os ensinam a lidar com as frustrações. É mais interessante investir na qualidade do pouco tempo que se tem com os filhos do que compensar a falta com brinquedos, presentes e realizando todas as suas vontades.

Impor regras e limites a uma criança significa ensiná-la que ela não pode tudo quando e onde quiser, é saber dizer “não”, é ensiná-la a respeitar. Quando isso é feito, a criança irá frustrar-se com várias situações, irá se sentir chateada e, possivelmente, apresentará vários comportamentos indesejáveis para qualquer mãe ou pai. No entanto, o diálogo e o ensinamento diante de tal situação são mais adequados do que atender prontamente os desejos da criança.

frustração

Por trás de um desejo de não deixar faltar nada à criança, podem estar pais que tentam realizar-se por meio do filho. Muitas vezes, querem dar aos filhos o que não tiveram, sem levar em conta o que a própria criança quer para si ou se essas realizações vão lhe fazerem bem.

É muito importante que os pais entendam que essas crianças um dia se tornarão adultas e que eles têm um papel imprescindível na formação desse sujeito. Por isso, faz-se necessário ajudá-las a compreender que na sociedade existem regras e que esses pais nem sempre estarão por perto para atender às suas demandas. Quando a criança é ensinada a lidar com as frustrações durante a vida não significa que ela nunca se sentirá frustrada quando estiver na idade adulta, mas que compreende seus sentimentos, que é capaz de aceitar regras e limites, vivendo melhor no meio social que a cerca.

Promover esse entendimento para a criança não é tarefa fácil, e nem existe um segredo que se aplique para todas as crianças. Mas também não é impossível. O melhor meio para educar a criança é por meio do lúdico. Assim como um adulto se comunica pela verbalização ou pela escrita, a criança irá se comunicar pela via do brincar. Nos jogos que envolvem regras, pode-se pontuar para a criança o motivo para esses combinados, e que eles valem para todos os jogadores. Nas brincadeiras que envolvem ganhar ou perder, é preciso mostrar que não se ganha sempre e, que mesmo isso sendo indesejado, é possível aprender com as derrotas e se divertir. Também vale à pena valorizar o que a criança está sentido, ajudando-a a aceitar a tristeza do momento como algo que é natural, e que ela tem o direito de se sentir assim, e que da mesma forma que ela não terá tudo o que quer sempre, a frustração também não é eterna.

Por fim, frustração pode não ser desejada, mas ela é necessária desde os primeiros anos de vida para que aprendamos a ser sujeitos desejantes, maduros e bem resolvidos. Talvez seja melhor se contrariar algumas vezes do que passar a vida buscando uma completude que não existe.

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