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Entrevistados relatam dificuldades em voltar para a rotina “pré-pandemia”

Pela 6° semana consecutiva, todas as macrorregiões do estado permanecem na onda verde - fase mais flexível do programa Minas Consciente. Mesmo com a queda dos indicadores da covid-19, entrevistados pelo Jornal Cidade sentem insegurança.

João Alves


Em reunião realizada na quinta-feira passada (21), o Comitê Extraordinário Covid-19, responsável por acompanhar a situação da pandemia no Estado de Minas Gerais, decidiu pela manutenção de todas as macrorregiões na onda verde, incluindo a região Centro-Oeste. A última atualização do programa, ainda, noticiou que a taxa de incidência do coronavírus em Minas Gerais registrou queda de 35% nos últimos 14 dias. Para o secretário de Saúde do Estado, Fábio Baccheretti, a redução do número de casos é um reflexo direto do avanço da imunização nos municípios – cerca de 58% da população com mais de 12 anos de idade completou o esquema vacinação contra a doença, ou seja, tomou as duas doses da vacina ou a dose única. 

“Os números da pandemia estão melhorando em Minas semana após semana. Isso se deve à grande adesão da população à vacinação. A positividade, que indica como está a circulação do vírus, por exemplo, atingiu níveis iguais aos meses de maio e junho do ano passado. E o número de solicitações de internação por covid caiu 12% no último mês, o que reflete em menos óbitos”, comentou o secretário. 

O programa Minas Consciente 

O plano “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo” foi criado pelo Governo de Minas Gerais, por meio das secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Saúde, com o objetivo de orientar a retomada segura das atividades econômicas nos municípios do estado. 

O programa sugere a retomada gradual de comércio, serviços e outros setores, considerando a necessidade de levar a sociedade, gradualmente, à normalidade, através da adoção de critérios e protocolos sanitários, que garantam a segurança de toda a população. 

Para acompanhar a situação epidemiológica dos municípios, o “Minas Consciente” classifica as macrorregiões do estado nas fases roxa, vermelha, amarela e verde, sendo esta última a mais flexível delas.  Nesta etapa, todas as atividades estão permitidas, desde que protocolos como o uso de máscara, distanciamento e manutenção das medidas de higiene sejam mantidas para evitar o surgimento de novos casos. 

Desde o dia 9 de setembro, após  melhora nos indicadores da covid-19 no Triângulo do Sul, todas as macrorregiões do estado estão na onda verde. 

“Os números da pandemia estão melhorando em Minas semana após semana. Isso se deve à grande adesão da população à vacinação. A positividade, que indica como está a circulação do vírus, por exemplo, atingiu níveis iguais aos meses de maio, junho do ano passado. E o número de solicitações de internação por covid caiu 12% no último mês, o que reflete em menos óbitos”, afirmou o secretário de saúde. 

Moradores relatam dificuldade em voltar para a rotina “pré-pandemia”

Com a flexibilização do comércio e dos serviços, a realidade, progressivamente, aproxima-se de uma situação de “normalidade”, isto é, de uma rotina semelhante à fase que precedeu as restrições e as mudanças de hábitos categoricamente impostos pela covid-19. Para além da doença em si, a pandemia desencadeou na população diferentes reações que variam entre uma completa indiferença com a crise sanitária até um preocupante desconforto físico, especialmente em virtude do isolamento social e do medo de contágio – em casos mais graves, percebeu-se em algumas pessoas sintomas característicos da depressão e do transtorno de ansiedade social. 

O Jornal Cidade conversou com alguns moradores da região Centro-Oeste de Minas sobre o cenário epidemiológico atual e a possibilidade de retorno à rotina “pré-pandemia”. Os relatos indicam que, embora os indicadores apontem para uma melhora no cenário pandêmico, o medo do contágio e a escolha pela prudência ainda ditam o cotidiano dessas  pessoas.

Estou percebendo uma reversão absurda nos conceitos. Quem continua tomando as precauções adequadas está sendo visto com estranheza, como se fosse exagero. A gente sabe que as coisas precisam voltar, mas voltar com atenção, cuidado. A pandemia ainda não acabou. Festas estão rolando, qual a necessidade absoluta de festas agora?”, questiona Maycon Calazans, 29 anos, sobre a retomada dos eventos que permitem a aglomeração de pessoas.

O Governo de Minas Gerais autorizou a realização de grandes eventos em agosto deste ano. 

Mesmo aglomerações menores, entre familiares e amigos, por exemplo, ainda são motivo de medo e insegurança para Ananda Cardoso, de 33 anos. 

“Eu quero estar perto das pessoas, quero voltar a ver meus familiares, é uma vontade, uma necessidade, mas ao mesmo tempo acabo travando, voltando, desmarcando, pensando duas vezes. Ainda tenho medo. Ainda está sendo desafiador”, disse Ananda Cardoso.

Nayla Amorim, de 25 anos, também relata a mesma preocupação.“Fico um pouco desconfortável, acabo desistindo de alguns compromissos, justamente por medo de pegar a doença, de trazer a doença para casa, de repente infectar o meu pai, que tem comorbidade; enfim, é medo. O medo tem me paralisado e feito perder a noção do que quero. Agora, com a volta de tudo sinto que me fechei como forma de me proteger“, comentou.

Um homem, que preferiu não se identificar, relata o impacto da pandemia no seu atual estado de saúde mental. De acordo com o aferido, ele teve o seu episódio de depressão agravado pelo isolamento social e também desenvolveu fobia social. Agora, com a gradativa volta à “normalidade”, uma extrema dificuldade de adaptação é percebida:

 

“Desenvolvi a depressão muito antes da pandemia, mas com toda certeza ela se agravou nesse meio tempo, além de ter adquirido a fobia de sair, de gente. Sempre acho que qualquer pessoa que chegar até mim está infectada, aí é tipo um processo de desinfecção, tomo banho, lavo tudo que estava usando, e como hidratante passo álcool no corpo todo. A pandemia me trouxe um medo absurdo e com essa volta ‘à normalidade’ estou diante de uma casca que precisa se romper, mas não consigo. É difícil ver como pra todo mundo tudo está voltando e eu sigo na minha bolha. Encarar esse novo mundo não está sendo fácil, mas eu sei que é preciso”. 

Por último, Francisco Teixeira, de 40 anos, revela otimismo com a situação atual, especialmente por conta da vacinação,  mas considera que ter prudência é indispensável.


“Poder sair um pouco tem sido um misto de alegria, de liberdade, mas também de medo ainda. A pandemia não acabou, o vírus ainda circula, e a gente não vê; não sabe quem pode estar contaminado e passando isso pra frente. Mas o que já nos traz um alívio é que a maioria das pessoas já estão vacinadas. Acredito que tudo dará certo, mas ainda precisamos de prudência”.


Conforme reforçado por Francisco, a pandemia, de fato, ainda não acabou. Em razão disso, mesmo com a flexibilização do comércio e dos serviços, é fundamental manter os protocolos sanitários de proteção como o uso de máscaras, o distanciamento social e as medidas de higienização. Tais práticas, aliadas à ampla cobertura vacinal da população, possibilitam que este retorno à “normalidade”, além de efetivo, seja seguro e permanente. Para mais informações sobre o combate à pandemia da covid-19 na região Centro-Oeste de Minas ou na sua cidade, clique aqui.

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