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Em Japaraíba, projeto ‘Correndo para vencer’ une jovens atletas em busca dos sonhos

Resiliência, superação, força de vontade e gratidão movem esses jovens japaraíbanos.

Rhaiane Carvalho


Fundado em 2005 na cidade de Japaraíba, o projeto ‘Correndo para vencer’ tem levado o nome do município para diversas competições nacionais e internacionais através do atletismo, como provas de arremessos e lançamentos, saltos e corridas com barreiras e os saltos horizontais e verticais. Idealizado e dirigido pelo professor Júnior Lopes, graduado em Educação Física e treinador CBAT 1234 Nível ll, atualmente, o projeto é 100% mantido pela Prefeitura de Japaraíba, através da Secretaria Municipal de Educação pelo Departamento de esportes.  “Isto faz total diferença porque, quando comecei era de forma voluntária e assim ainda a prefeitura custeava as viagens. Hoje estando concursado a prefeitura adotou o projeto e meu trabalho não é mais voluntário, mas sempre faço além do que é pago para mim, o que quero é ver funcionando e funcionando bem”, disse o professor.

Professor Júnior Lopes. (Foto: arquivo pessoal/divulgação).

 

Júnior também falou sobre o início do projeto. “Eu já tinha a vontade de desenvolver algo na área esportiva, sempre fui apaixonado por esportes. Desde quando entrei na faculdade sempre coloquei como meta oferecer aos meus alunos o que nunca havia sido oferecido para mim quando fui aluno na escola regular. Quando ainda estava na minha graduação em um destes cursos promovidos pela Secretaria de Educação conheci o professor Abel Mendes (idealizador do projeto ‘Correndo para o futuro’, em Lagoa da Prata). Foi no ano de 2006, ele me convidou a conhecer o projeto que ele desenvolvia em Lagoa da Prata e me motivou muito no início e claro hoje ainda me motiva”, disse ele sobre sua inspiração.

Com grande valor social, segundo o professor, o projeto visa oferecer um esporte além do futebol. “No início, meu objetivo era oferecer o que eu não tive enquanto aluno da escola regular e também oferecer algo diferente do que sempre é proposto em nosso país que é só o futebol “infelizmente”. Claro que eu gosto de futebol, mas precisamos da diversidade, isto nos faz crescer, faria crescer inclusive o futebol. Para quem estuda a atividade física é fácil saber que o atletismo é o esporte mais antigo da história da humanidade e parte do pressuposto que ele é base para todos os outros esportes, pois todos eles têm alguma capacidade física do atletismo, seja correr, saltar, lançar, arremessar…”, explicou.

 

O projeto ‘Correndo para vencer’ já chegou a atender 30 atletas e possíveis atletas, que hoje treinam no Complexo Municipal de Lazer. “A faixa etária de idade é a partir dos 10 anos e aí o aluno fica enquanto ele tiver “gosto” pela atividade, geralmente, quando se torna adulto vem a necessidade de trabalhar e aí fica difícil continuar, mas se o rendimento for muito bom ainda quando adulto, vem a perseverança de se tornar um atleta de ‘alto rendimento”, como hoje é o caso do atleta Rian Pereira e do Raphael Antônio, que já estão na categoria sub-20 e sub- 23 respectivamente e ambos também se destacam na categoria adulto”, explicou o professor.

Júnior também destacou a importância social do projeto para os alunos.

“Eu vejo como oportunidades. Oportunidade de socializar-se, de se preparar para outros esportes, de conhecer nas experiências que vivemos no dia a dia e nos ambientes das competições que são promovidas pelas viagens em lugares jamais imaginados pelos nossos alunos, porque nenhum deles “e nem eu” imaginávamos viajar de avião, por exemplo, ir a outros países, outros continentes, conhecer outras culturas, mas principalmente aprender a conviver com a vitória e com a derrota, aprender que apesar de ser um esporte individual trabalhamos muito o companheirismo, o respeito”.

Ele ainda acrescentou que a convivência entre os atletas os permite vivências e visões de mundo muitas vezes impensadas por eles.

“Nesta convivência aprendem, vislumbram um futuro possível e que o segredo é sempre o de estudar e se for possível sim se tornar atleta profissional. Lembro que as competições nacionais escolares são “Padrão COB” por isto sempre temos uma estrutura fantástica tanto de logística quanto do padrão humano, digo assim da parte educacional. Hoje temos, por exemplo, uma aluna que não está aqui conosco, mas está na Universidade Federal de Lavras e ela sabe com certeza que o que abriu o caminho para ela na Universidade foi o nosso projeto aqui em Japaraíba, mas isto é uma longa história”, exemplificou o professor.

Promessa olímpica

Rian Pereira Coutinho é sinônimo de persistência, dedicação e humildade. O esporte entrou em sua vida casualmente, não era seu sonho de vida, mas com o apoio do professor Juninho enxergou um verdadeiro dom. “O esporte entrou na minha vida foi mais por parte do meu treinador, o Juninho, que me incentivou a entrar para o atletismo. Ele viu algo em mim e que eu mesmo não tinha visto. Desde pequeno sempre gostei de correr, e o Juninho sempre me chamava para treinar e eu era teimoso, achava que isso não dava em nada não. Mas eu via meus amigos viajando e eu queria essa oportunidade também, saber como isso funciona. Então, fui experimentar. Com três meses de treinos fui campeão dos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg) e com quatro, cinco meses de treino fui campeão dos Jogos Escolares da Juventude.  Tive lesões que me atrapalharam muito, mas agora estamos trabalhando para a minha prova atual, que são os 110 metros com barreira, pois sou vice-líder do ranking Brasileiro da minha categoria (sub-20) e sou vice-líder da categoria sub-23, que é uma categoria acima da minha”.

O atleta falou sobre as dificuldades, mas também destacou a importância da perseverança.

“Uma das dificuldades que a gente tem é em relação à estrutura. Mas algo que eu aprendi é que embora a estrutura influencie, o que mais influencia é a pessoa com quem a gente está. Eu falo com o meu treinador direto, pois nós treinamos em uma estrada de terra, e eu dizia que só quem treinava na pista sintética de borracha é que conseguia fazer esse resultado, mas treinando na terra eu consegui. Isso era impossível para mim. Mas meu treinador me provou o contrário, ele falou que dava. Então, treinei firme! Sempre falo para o meu treinador que o que falta para os atletas mais novos de Japaraíba é a força de vontade, pois se a gente quer, corre atrás. Eu consegui chegar num Mundial; eu consegui treinando num canavial, na terra. Eles também podem!”.

Ele destacou a importância de seus patrocinadores para manter esse sonho. “A Prefeitura daqui é fenomenal, em todas as viagens eles arcam com a alimentação, hospedagem e transporte. Agradeço ao meu clube Clã Delfos, que sempre está me apoiando. Agradeço à academia da minha cidade, que é uma das academias do Alencar, que disponibilizou pra gente treinar. Ao Maximiliano e Carmem Lúcia, que me patrocinam financeiramente. À minha nutricionista Débora Romualdo, ao meu treinador Juninho; à Talita fisioterapeuta, e a keepsporting que me dá um suporte também”.

Rian, emocionado, falou sobre a importância do professor Juninho e do projeto em sua vida.

“O projeto do Juninho representa muito pra mim, pois ele me mudou como pessoa e como atleta. Quem me conhece sabe. Eu só tenho que agradecer ao Juninho por ser quem ele é, esse cara divertido, brincalhão!”.

Milhares de atletas, muitas vezes desistem do esporte por falta de incentivo. Rian é uma das apostas de Japaraíba para as Olimpíadas e outras competições nacionais, mundiais e internacionais, mas enfrenta algumas dificuldades, então, você apoiá-lo rumo ao seu sonho. Caso alguém deseje contribuir para que o Rian tenha melhores condições para seus treinos e uma dieta adequada para atletas, é só entrar em contato com ele através do telefone (37) 988435114.

 

Incansavelmente atletas

Assim como Lagoa da Prata, Japaraíba tem se destacado em diversos cenários do atletismo. Raphael Antônio Souza é um dos atletas que vem representando a cidade no esporte. Ele começou sua carreira no futsal, mas, segundo o professor Juninho, ele era diferente demais em questão de movimentos e mobilidade, foi aí que o atletismo chegou em sua vida. Hoje, ele é medalhista de prata e bronze no Campeonato Nacional de 2016 e representou o Brasil no Campeonato Mundial Escolar no Marrocos em 2018, onde obteve a décima colocação. “De uma maneira completamente despretensiosa, eu estava jogando futsal, e o Juninho viu que eu era diferente dos demais em questão de movimento e mobilidade e me convidou para treinar.  Atualmente, estou na modalidade do decatlo na qual treino a 3 meses, porém no atletismo estou a quase 6 anos”.

 

Raphael no Salto em Distância no Brasileiro Escolar. (Foto: Arquivo pessoal do atleta/divulgação).

 

O atleta citou que o que mais sente falta é de apoio especializado para alcançar resultados. “Hoje em dia principalmente, a dificuldade de apoio especializado para atingir o alto rendimento como fisioterapia esportiva; pistas sintéticas mais próximas. Mas de modo geral, temos um apoio muito importante da Academia Estação Trainning, e o projeto do professor Juninho”.

(Foto: Prefeitura de Japaraíba/divulgação).

 

Raphael enfatizou a importância do projeto em sua vida.

“Para mim, foi uma mudança de comportamento, caráter e de vida. Me fez desenvolver o interesse pela escola, hoje estou fazendo meu bacharelado em direito, com muito orgulho. O esporte é uma ferramenta de disciplina e aprendizagem, espero um dia que o esporte alcance a todos assim como me alcançou”.

Quem desejar patrocinar o Raphael é só ligar 8851-3274 ou entrar em contato através do  e-mail rs542020@gmail.com.

Gabriel Antônio de Souza Tobias Costa é 3° colocado no Campeonato Brasileiro interclubes sub-16 em 2018 e 3° colocado no Brasileiro interclubes sub-18  em 2020, na modalidade Salto em altura; esporte praticado há 4 anos pelo atleta. Segundo ele o esporte entrou em sua vida casualmente. “O atletismo entrou em minha vida através do meu treinador e do meu irmão, que já praticava e com muito custo conseguiu me incentivar. Não é fácil, o mais difícil é conseguir conciliar a rotina de trabalho, treino e universidade, mas o esporte  é superação”, disse.

Gabriel Antônio. (Foto: Arquivo pessoal do atleta/divulgação).

 

O atleta ainda destacou a importância dos patrocínios. “Hoje tenho o apoio da Academia Estação Trainning, mas quem quiser me patrocinar meu telefone é (37) 9 88099965”.

(Foto: Arquivo pessoal do atleta/divulgação).

 

Para ele o projeto tem importante significado em sua vida.

“Representa resiliência, dedicação e amor por tudo que desenvolvemos  nesses anos”.

 

Principais títulos que os alunos do projeto ‘Correndo para vencer’ trouxeram para Japaraíba:

  • Em 2007 o aluno Jordan Junior Lopes foi Campeão Estadual e o projeto também foi vice-campeão regional masculino;
  • Em 2011 a atleta Islane Pereira Lopes, foi campeã Brasileira dos 1000m com obstáculos e no ano seguinte além de ser campeã ainda bateu o record da Nacional. Ela ainda disputou o Mundial Gymnasiade na República Tcheca, onde o grupo terminou em 3º lugar;
  • Em 2015, Leydiane Lopes Ramos foi campeã Brasileira e bateu o record nacional da prova dos 1000 Metros com obstáculos no Estádio do Ibirapuera em São Paulo;
  • Em 2016, Porém a prova que Leydiane se destacou nos 400m rasos, prova que lhe rendeu vaga para o mundial em Istambul, na Turquia, porém eu a atleta não foi para este Mundial. Devido ao período em que a Turquia vivia uma instabilidade política e o país estava em conflito. Ela também é recordista Mineira nas provas dos 1000 metros com obstáculos e dos 400 metros rasos;
  • Em 2016, o aluno Rian se tornou campeão estadual do hexatlo (prova combinada) nos Jogos Escolares de Minas Gerais. No mesmo ano foi Campeão Brasileiro nesta prova e ganhou vaga para disputar o sul americano da categoria em Medelín na Colômbia porém, por desacertos políticos entre o COB (Comitê Olímpico do Brasil) e a CBDE (Confederação Brasileira do Desporto Escolar) o Brasil não mandou delegação para estes jogos.
  • Em 2016, Raphael Antônio foi vice-campeão Brasileiro na prova dos 300 metros com barreiras e terceiro lugar no Pentatlo (Prova combinada).
  • Em 2017, Talis foi campeão Paralimpico/escolar em São Paulo do salto em distância e 2º nos 400m rasos; Raphael Antônio foi 3º lugar no octatlo no Brasileiro escolar em Brasília; Luís Fernando foi vice-campeão Brasileiro do Revezamento 4x 75 em Curitiba/PR; Leydiane foi vice Campeã Brasileira nos 400 metros rasos;
  • Em 2018, Gabriel Antônio ficou em 3º lugar no Salto em Altura do Brasileiro sub-16 em Fortaleza-CE; Raphael foi vice-campeão brasileiro na seletiva para o Mundial, que aconteceu em Marrakech no Marrocos e com resultado ele foi convocado para este Mundial.
  • Em 2019, por terem sido campeões do estadual escolar os alunos disputaram o Brasileiro que selecionava para o Mundial, que aconteceu em Split na Croácia, onde a escola campeã representaria o Brasil, e por Minas Gerais, quem estava representando eram os alunos de Japaraíba. No mesmo ano, o projeto ficou em 3º lugar, perdendo para a AABLU de Blumenau, que ficou em 2º lugar e para a escola do SESI de São Paulo;
  • Em 2020, em um ano totalmente atípico (pandemia) Gabriel ficou em 3º lugar no salto em altura no campeonato Brasileiro;
  • Em 2021 (até o momento), depois de uma série de lesões desde 2017 e de um cuidado alimentar mais detalhado Rian foi 3º lugar no Campeonato Brasileiro sub-20, fazendo índice para o Mundial, mas não tendo a vaga para o mesmo. Ele foi a São Paulo e fez o índice para o panamericano da categoria, onde disputará em outubro na cidade de Santiago, no Chile.

 

Quem se interessar em fazer parte do projeto pode procurar diretamente o professor Júnior ou a Secretaria Municipal de Educação.

 

 

 

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