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E depois do ‘setembro amarelo?’

Estatísticas revelam que o tema suicídio requer atenção contínua e integral da sociedade.

Rhaiane Carvalho


Há sete anos a Associação Brasileira de Psiquiatria promove, em parceria com a Conselho Federal de Medicina (CFM), a campanha Setembro Amarelo, que visa alertar as pessoas e reduzir o número de suicídio. O tema, por muito tempo, foi um tabu e, com isso a falta de informação também cresceu com os índices. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. Em 2013, contabilizou 11.821 suicídios (9.198 do sexo masculino e 2.623 do sexo feminino).

Para saber mais como ajudar pessoas que sofrem de depressão e outros transtornos, bem como saber mais sobre o assunto, a reportagem do Jornal Cidade conversou com a psicóloga Raquel Silva, que explicou que esse é um tema envolto de preconceito, mas que é necessário se falar mais. “Ao ajudar com ação efetiva de buscar assistência médica, você pode fazer a diferença na vida de quem está sofrendo com ideação suicida. Ainda existe muito tabu e só com informação correta conseguimos conscientizar as pessoas de que o suicídio pode ser evitado. Precisamos informar a todos como ajudar, porque agir salva vidas”, explicou.

No Brasil, aproximadamente, 13 mil pessoas morrem por suicídio no ano. Em geral, segundo a OMS, no mundo, o número de mortes por suicídio caiu mas, nas Américas, a taxa subiu 17%. Por isso, campanhas como o Setembro Amarelo são tão importantes.

“Todo mundo já sabe que a maioria desses suicídios estão, em cerca de 98% ligados à depressão e outros transtornos mentais como transtorno bipolar, ansiedade e até mesmo por abuso de substâncias.  Mas é importante a gente dizer que é possível ver alguns indícios de que tem algo errado. Existem muitos sinais que alertam para a possibilidade de tentativa de suicídio por parte de uma pessoa como, por exemplo, ficar mais recluso, falar muito sobre sumir, não ter mais esperança, mudar o comportamento repentinamente”.

A psicóloga também deu dicas de como analisar uma possível vítima.

“Não se deve duvidar em hipótese alguma de uma pessoa que ameaça cometer suicídio. A pessoa que pensa em fazer isso certamente não está pensando em se matar, ela quer acabar é com a sua dor, com o sofrimento. Por isso dizemos que agir salva vidas, no sentido de encaminhar para um serviço de saúde, um médico psiquiatra, marcar a consulta e ir junto, não deixar a pessoa sozinha, fazer com que ela sinta que você está ao lado dela. Doenças mentais são iguais a outras doenças como por exemplo diabetes, hipertensão; elas têm tratamento, têm controle, e a pessoa pode voltar a ter qualidade de vida”, explicou.

Dados da OMS estimam que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. No que se refere às tentativas, uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos. Em termos numéricos, calcula-se que em torno de 1 milhão de casos de mortes por suicídio são registrados por ano em todo o mundo. No Brasil, os casos passam de 13 mil por ano, podendo ser bem maiores em decorrência das subnotificações.

Uma senhora, que preferiu não se identificar, contou ao Jornal Cidade como passou pelo processo de depressão, que a levou a tentar suicídio no ano de 2015.

“Me envolvi com dívidas, então, procurei um agiota, que começou a me ameaçar. Só que eu não contei para ninguém, e o problema, a dívida foi aumentando. Quando percebi, estava sem saída e a minha depressão de anos se agravou. Peguei duas cartelas de calmantes e tomei de uma vez. Fiquei desacordada, e fui parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), fiquei mais de 20 dias internada. Minha família foi ao desespero, a cidade toda ficou sabendo, e voltar pra casa e ter que enfrentar tudo isso não foi fácil. Mas ver o sofrimento dos meus filhos me fez repensar minha atitude diante dos problemas. Minha depressão continua, sigo tomando remédios e remédios, mas aprendi que eu não preciso carregar esse fardo sozinha. Não que eu deva levar problemas para a minha família, mas posso dividir a situação e ir em busca de soluções para resolver meus problemas. A depressão é cruel, tem dias que ela me joga no chão, não consigo sair da cama, e muitas vezes ouço que eu preciso mudar de vida. Eu sou quem mais quer isso, mas não é fácil, a depressão tira tudo da gente, às vezes até a dignidade, a higiene, a força; a gente perde a força; é como se tudo fosse cinza. Mas o primeiro passo é ter a consciência do problema e buscar ajuda pra enfrentar, pois há problemas que não se resolve, mas se aprende a lidar diariamente. Ter depressão, e ter passado por uma tentativa de suicídio me faz acordar todos os dias e tentar viver; sendo grata a Deus por não me ter deixado ir e ainda me oportunizar ver tantas coisas lindas, ainda que a doença exista. O apoio da minha família é fundamental, se não fosse eles, nem sei!”.

 

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