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Dose de reforço: qual a importância e o que muda

Especialistas explicam a importância da dose de reforço e a responsabilidade da população em tornar o processo de erradicação da doença mais rápido e eficaz.

Rhaiane Carvalho


O Ministério da Saúde anunciou no dia 16 de novembro que todos os brasileiros com mais de 18 anos estão aptos a tomar a terceira dose da vacina que protege contra a covid-19. De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, os brasileiros receberão a terceira dose cinco meses depois de terem tomado a segunda (no caso dos imunizantes CoronaVac, da Pfizer e da AstraZeneca). Ou seja: quem completou o esquema vacinal em outubro de 2021 poderá ir aos postos de saúde para a terceira dose por volta de março de 2022.

Já para aqueles que tomaram a vacina da Janssen, que era de dose única, o ministério passa a indicar uma segunda dose com dois meses de intervalo. Cinco meses depois, o indivíduo poderá tomar o reforço.

O Ministério da Saúde diz que fará campanhas de comunicação para informar mais detalhes sobre esse cronograma. As secretarias de Saúde dos Estados e dos municípios também devem criar calendários próprios, seguindo a orientação do governo federal, o quantitativo de doses enviadas e as características da população local.

A reportagem do Jornal Cidade conversou com a médica Lorena Cotta, que explicou a importância desse reforço. “Eu vejo como uma decisão acertada e positiva. As vacinas covid-19 estão funcionando muito bem para prevenir doenças de grave hospitalização e morte, mesmo com a Delta. Porém com a Delta, estamos começando a ver uma proteção reduzida contra doenças leves e moderadas, por isso é importante para as pessoas seguirem imunizadas”.

A médica ainda alerta sobre a responsabilidade da população no processo de erradicar o vírus. “Ainda não estamos numa situação confortável. Estamos vendo países em que a população está quase que em sua totalidade vacinada com a segunda dose e vírus está voltando e causando mais mortes. Alguns países estão voltando com o lockdow e fechando as fronteiras novamente para conter esse avanço. Então, a pandemia é dinâmica. Nós celebramos o fato de o país ter uma resposta rápida com a vacinação, mas não é hora de relaxar ainda”.

Cotta também reforçou que é preciso mais consciência e priorizar a vacinação.

“Recomendo fortemente o reforço. A gente tem mais do que comprovada a eficácia da vacinação; não tem o que se discutir, a queda nos óbitos fala por si. Então, as pessoas precisam se conscientizar e tomar a vacina, em todas as doses, inclusive a 3ª dose”.

A aplicação da dose de reforço já era praticada desde setembro em idosos e imunossuprimidos. No entanto, diante da alta de infecções entre imunizados com as duas doses e, em razão de evidências científicas apontando que a proteção induzida pelas vacinas cai ao longo do tempo, esta nova etapa no cronograma de vacinação passou a ser cada vez mais defendida por especialistas. A intenção do Ministério da Saúde é aplicar o reforço em 103 milhões de pessoas até maio de 2022.

As vacinas

A terceira dose deve ser aplicada nos indivíduos elegíveis independente de qual imunizante eles tomaram nas duas primeiras aplicações. De acordo com a pasta, ainda, deve-se privilegiar a imunização heteróloga, ou seja, utilizar um imunizante diferente daquele aplicado nas primeiras doses. Entenda:

(Fonte: Jornal Cidade)

 

O intervalo indicado para um indivíduo receber a dose adicional é de, pelo menos, cinco meses, a contar da data em que recebeu a segunda dose. O Ministério da Saúde também ressaltou que as pessoas que tomaram a vacina da Janssen deverão tomar a segunda dose do imunizante e, após cinco meses, a dose de reforço.

O Jornal Cidade entrevistou as responsáveis pelas Secretarias de Saúde de Lagoa da Prata e de Santo Antônio do Monte, no início de novembro, sobre a dose de reforço. Margarete Borges Dias, da pasta de Lagoa da Prata, afirmou à época que a equipe de saúde da cidade já estava sendo vacinada com a dose de reforço da vacina contra a covid-19. Comentou também que a dose adicional é importante para todos, independente de qual vacina tenham tomado.

Carla Santos, de Samonte, completou que, para o controle da pandemia, é impositivo aguardar que a recomendação da não obrigatoriedade do uso de máscara, e de outras medidas restritivas, seja feita pelos órgãos competentes. No início de novembro, a cidade já havia aplicado cerca de 400 doses de reforço.


Confira como está a vacinação na região Centro-Oeste de Minas:


A importância da vacina

Segundo o médico, Túlio Azevedo, para se entender melhor a importância da vacinação, basta imaginar que há invasores à solta que procuram hospedagem nos organismos. Alguns organismos, por razões ainda desconhecidas, conseguem expulsá-los com tranquilidade. Outros lutam por horas, dias ou meses e conseguem vencer a batalha. Há também quem lute bravamente e perde a vida.

“A vacina, portanto, entra em cena para torná-lo mais resistente ao ataque desses vírus invasores. Se uma determinada vacina prevê duas aplicações, isso significa que as duas doses são necessárias para fortalecer seu sistema imunológico, deixando-o mais preparado para enfrentar um possível combate. Não faz sentido a pessoa tomar uma dose da vacina e não se apresentar para tomar a segunda dose. Quem assim o faz está com uma proteção insuficiente e inadequada”.

Ele ainda falou sobre as reações pós-vacina e que elas não devem ser levadas em consideração para não se tomar a segunda dose. “Se você tomou a primeira dose e sentiu desconfortos leves, entenda que esses sintomas são passageiros e não devem ser motivo para abrir mão da segunda dose da vacina contra covid-19. Para se alcançar a imunidade coletiva, que pode frear a transmissão do vírus e fazer com que todos retomemos mais rapidamente a normalidade, é preciso que cerca de 70% da população complete o ciclo vacinal. O Brasil necessita alcançar esse patamar de imunidade coletiva para ver e viver o efeito esperado da vacinação. Para isso, cada um precisa fazer a sua parte. O vírus só para de circular quando encontra barreiras, e isso só acontece quando uma quantidade significativa de pessoas está imunizada”.

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